Estados Unidos

“Vendendo” o campo

O Brasil tem a Copa do Brasil e a Inglaterra tem a FA Cup. Nos Estados Unidos, a competição correspondente é a U.S. Open Cup. Assim como as outras duas, a copa norte-americana tenta assegurar que times de ligas menores consigam receber clubes da 1ª divisão, a MLS, em suas fases iniciais. Mas não é bem assim que acontece.

Até o ano passado, o mando de campo em todas as fases da U.S. Open Cup era decidido através de um processo parecido com uma licitação. Cada time mandava a sua proposta para a USSF, Federação Estadunidense de Futebol, e quem oferecesse o maior valor ficava com a vantagem de sediar o jogo em sua casa.

Após a última temporada, a USSF mudou o processo. Segundo o regulamento da competição, a partir da terceira fase, onde os clubes da MLS entram na disputa, um sorteio decidiria os mandos de campo. Apenas na semifinal e na final um clube poderia “comprar” a vantagem de jogar em casa.

Na noite de terça (22), o Atlanta Silverbacks, da NASL (espécie de 2ª divisão), venceu o Georgia Revolution, da NPSL (espécie de 4ª divisão), e conquistou vaga na 3ª fase da U.S. Open Cup. Na próxima fase, a equipe tinha partida contra o Seattle Sounders, da MLS, marcada para o Atlanta Silverbacks Park. Mas logo após o jogo, os Silverbacks soltaram um release dizendo que o jogo foi transferido para o Starfire Complex, estádio que os Sounders usam na competição.

No facebook dos Silverbacks, os torcedores de Atlanta mostraram sua revolta com a mudança. Segundo os fãs, a oportunidade de receber uma equipe da MLS poderia ajudar no crescimento do esporte na cidade de Atlanta, ainda mais que a expectativa já era grande desde que foi anunciado que os Silverbacks poderiam enfrentar os Sounders, time importante e com vários bons jogadores.

Assim como aconteceu com os Silverbacks, o Minnesota Stars, também da NASL, “vendeu” o mando de campo da terceira fase. Ao invés de receber o Real Salt Lake no National Sports Center, em Blaine, a equipe de Minnesota viajará até Sandy para enfrentar a equipe da MLS.

O que não dá para entender é: Como a USSF suspende o processo de propostas e deixa que os times da MLS “comprem” os mandos de campo? Por mais que isso mostre interesse das grandes equipes na competição (algo que a USSF queria há algum tempo), também desrespeita o entendimento que os norte-americanos têm do esporte e vai contra o que é imposto pelo regulamento da copa.

A USSF ainda prefere o sistema de propostas e não vai esconder isso, até porque é como a federação consegue fazer mais dinheiro com a competição. Por mais que o regulamento proíba, ela fará vista grossa para qualquer time da MLS que queira “comprar” o mando de campo de uma equipe de liga menor.

A atuação de Atlanta e Minnesota no caso também é condenável. Receber uma equipe da MLS seria uma oportunidade perfeita para que uma cidade aumente o interesse da comunidade para o futebol e mostre a Don Garber, comissário da MLS, que a cidade merece ser considerada como candidata a uma franquia na 1ª divisão do país.

Se a situação não mudar, o esporte continuará tendo mercado apenas nos grandes centros da MLS, como Seattle e Portland. É algo que tem que ser mudado, tanto pela federação, quanto pelos times menores. Pelo menos deu para ver o quanto os torcedores dessas equipes menores se importam com seus times.

Confira os resultados da 11ª semana da MLS:

Houston Dynamo 0x0 Portland Timbers

D.C. United 2×0 Colorado Rapids
DCU: Dwayne De Rosario (25’), Hamdi Salihi (60’)

Vancouver Whitecaps 2×2 Seattle Sounders
VAN: Alain Rochat (12’), Camilo (82’) / SEA: Eddie Johnson (47’), Fredy Montero (90’)

Colorado Rapids 2×2 Sporting Kansas City
COL: Tyrone Marshall (52’), Kosuke Kimura (60’) / SKC: Teal Bunbury (2’, 14’)

Montréal Impact 1×2 New York Red Bulls
MON: Bernardo Corradi (22’) / NY: Kenny Cooper (37’), Dane Richards (67’)

D.C. United 3×1 Toronto FC
DCU: Dwayne De Rosario (1’, 43’), Hamdi Salihi (73’) / TFC: Danny Koevermans (71’)

New England Revolution 2×2 Houston Dynamo
NE: Saer Sene (26’, 57’) / HOU: Will Bruin (32’), Luiz Camargo (87’)

FC Dallas 1×1 Philadelphia Union
FCD: Blas Pérez (7’) / PHI: Gabriel Gómez (56’)

Chivas USA 1×0 Los Angeles Galaxy
CHV: Jose Correa (72’)

 

San Jose Earthquakes 1×1 Columbus Crew
SJ: Alan Gordon (90’) / CLB: Justin Meram (45’)

Portland Timbers 2×1 Chicago Fire
POR: Eric Brunner (20’), Logan Pause (contra, 52’) / CHI: Jail Anibaba (39’)

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