Estados Unidos

Torcedores de time da segundona americana protestam para Traffic e J. Hawilla darem no pé

O Fifagate explodiu em maio e atingiu a Fifa como nenhuma outra denúncia havia feito anteriormente. Dirigentes, executivos e empresas estiveram entre os acusados, mas o escândalo não alcançou apenas os grandes figurões. Na segunda divisão dos Estados Unidos, uma equipe da Carolina do Norte se viu diretamente afetada pela investigação do FBI. O Carolina RailHawks, administrado pela Traffic, de José Hawilla, viu seu dono entre os indiciados e agora enfrenta um futuro incerto.

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Logo no início da divulgação das informações sobre a investigação liderada pelos Estados Unidos, Hawilla admitiu ter pago suborno por décadas para fechar acordos comerciais em competições da América do Norte e da América do Sul. Entrou em acordo para ser um dos delatores na cruzada da Justiça americana contra a corrupção na Fifa e irá devolver US$ 152 milhões, dos quais já entregou US$ 25 milhões. Para alcançar esse valor, a Traffic terá de negociar algumas de suas posses, como o Carolina RailHawks. Para se livrar do dono corrupto, a torcida da equipe norte-americana está disposta a propagandear a venda.

Segundo o New York Times, em um dos jogos recentes dos RailHawks, dezenas de torcedores protestaram pela saída mais rápida possível da Traffic. Apitos, tambores e até um megafone foram usados na manifestação, que trazia cartazes e camisetas com a mensagem “Traffic Out”.

A criatividade também fez parte do repertório dos torcedores, que parodiaram uma de suas próprias músicas, cantando: “Precisamos de um dono, precisamos, sim. Precisamos de um dono, que tal você”? Em determinado momento sobrou até para Raúl, estrela do New York Cosmos. Visitante naquele duelo, o espanhol ouviu gritos de um torcedor dos RailHawks para que comprasse sua equipe.

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O desespero da torcida pela venda não se resume apenas à desassociação da imagem da agremiação com a Traffic, mas também porque o escândalo afeta o time também financeiramente. Se o RailHawks não encontrar um comprador ainda neste ano, pode enfrentar situação complicada no ano que vem, dificultando as contratações ou mesmo o pagamento dos salários do elenco atual. “É de nosso interesse resolver isso o mais rápido possível. Isso não é algo prazeroso, mas é uma oportunidade para nós educarmos as pessoas sobre esse time, o mercado e o potencial crescimento do futebol profissional neste país, afirmou Curt Johnson, presidente do RailHawks, em entrevista ao New York Times.

Líder do Triangle Soccer Fanatics, grupo que iniciou a série de protestos contra a Traffic, Jarrett Campbell reclama da falta de transparência da NASL em relação à administração da Traffic sobre o time, mas alegou que sua desconfiança com a empresa de J. Hawilla já existia desde antes das revelações do Fifagate. Para ele, o investimento feito na equipe não vinha sendo suficiente, e nem os salários dos jogadores – como evidenciado no caso do artilheiro do time na temporada passada que largou a equipe para estudar para entrar em uma faculdade de direito.

Campbell apontava a falta de fiscalização da liga em cima da Traffic também como problemática, dizendo que deveriam ter assumido o controle interino da direção diante do descumprimento das obrigações financeiras. Com a parte econômica ainda mais comprometida, a torcida se envolve ainda mais diretamente, na expectativa de que algum interessado apareça para comprar. A dedicação na causa de espalhar a notícia da venda do time é tanta que é como se estivessem ganhando uma comissão. De certa maneira, estarão, mas não uma compensação econômica, mas, sim, competitiva. O próximo ano para os fanáticos pelos RailHawks está em risco, e nada move mais uma torcida do que o seu clube precisando dela.

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Leo Escudeiro

Apaixonado pela estética em torno do futebol tanto quanto pelo esporte em si. Formado em jornalismo pela Cásper Líbero, com pós-graduação em futebol pela Universidade Trivela (alerta de piada, não temos curso). Respeita o passado do esporte, mas quer é saber do futuro (“interesse eterno pelo futebol moderno!”).

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