Estados Unidos

Salt Lake cada vez mais Real

Há três semanas escrevemos neste espaço sobre a ascensão do Real Salt Lake e do Columbus Crew. Demos maior destaque ao Real, por ser uma equipe “jovem” na história da MLS e que pela primeira vez fazia boa campanha na liga. E a pergunta que fazíamos era se era para valer essa ascensão.

Passadas essas três semanas, e o Real Salt Lake não só manteve a boa campanha, como pela primeira vez em sua história chegou à liderança da Conferência Oeste. Este é um marco na curta história do clube, e na verdade uma surpresa que ninguém esperava que chegasse tão rápido, ou pelo menos não nesta temporada, depois do campeonato ruim que o time fez ano passado.

E, por ironia do destino, o Real chegou à liderança justamente após vencer o Columbus Crew (que, justiça seja feita, também continua a fazer uma boa campanha na vice liderança do Leste) por 2×0 em Salt Lake City, com gols dos atacantes Javier Morales e Robbie Findley. Assim, a equipe chegou a 23 pontos, deixando para trás as duas equipes de Los Angeles (Galaxy e Chivas USA), que têm 22. Ainda, a vitória fez com que o recorde do Real (6 vitórias, 6 derrotas e 5 empates) ficasse equilibrado, ao contrário dos recordes perdedores (mais derrotas do que vitórias) que o clube estava acostumado.

Na verdade, o Real já havia tido três oportunidades de chegar à liderança em rodadas anteriores. Por isso, quando a quarta chance chegou, a equipe concentrou suas forças e atropelou o Crew para atingir o tão sonhado objetivo. E por isso também que a sensação para os jogadores, ao contrário do que para o público, foi a de que já estava passando da hora de chegar ao topo.

Grande parte do sucesso do Real pode ser atribuída ao técnico Jason Kreis. O ex-jogador do próprio Real, que assumiu a equipe no ano passado, conseguiu organizar o time e trabalhar a cabeça e o talento dos jogadores que tinha à disposição para fazê-los acreditar de que era possível chegar lá.

Outro ponto a favor são os jogos em casa, onde o time está invicto neste campeonato. Por outro lado, o ponto fraco são os jogos fora de casa. Em 7 jogos a equipe obteve apenas uma vitória e 6 derrotas longe de seus domínios. E agora, com mais 7 jogos fora de casa nas próximas 10 rodadas, é bom o Real aprender a ganhar pontos longe do Rice-Eccles Stadium se não quiser voltar para a parte de baixo da tabela.

A ascensão da equipe de Salt Lake, portanto, é cada vez mais real, e agora o desafio é manter-se no topo. De qualquer forma, 2008 já é um marco na história do clube e, para os jogadores e a torcida, é mais do que a realidade que eles esperavam.

Rodada curta

Devido aos jogos da Superliga (veja abaixo), tivemos menos jogos nesta última semana. Além do Real x Crew falado acima, apenas mais 4 partidas foram jogadas.

A rodada começou com o ‘Superclasico’ de Los Angeles, entre LA Galaxy e Chivas USA. O jogo foi parelho, como todo clássico, e terminou empatado em 1×1, deixando o espaço aberto para que o Real ultrapassasse os dois e assumisse a liderança.

O outro jogo da Conferência Oeste foi mais um empate em 1×1 entre San Jose Earthquakes e Colorado Rapids. Assim, com os resultados desta 16ª semana, o Oeste tem como líder o Real Salt Lake com 23 pontos, seguido de perto por Galaxy e Chivas com 22. O Colorado subiu para a terceira posição junto com o Houston Dynamo, ambos com 20 pontos. Em penúltimo está o FC Dallas com 18, e a lanterna continua com os Quakes, que têm apenas 13 pontos.

Pela Conferência Leste apenas 2 jogos. O Chicago Fire finalmente voltou a vencer após 5 jogos, fazendo 2×1 no Toronto FC. E 2×1 também foi o resultado da vitória do KC Wizards sobre o NY Red Bull.

Com estes resultados, pouca alteração na tabela do Leste. O líder disparado continua a ser o NE Revolution, com 33 pontos, seguido pelo Columbus Crew, que tem 27. O Chicago, que estava empatado com o Toronto, agora subiu para a terceira posição com 24 pontos, deixando para trás o D.C. United, que tem 22. O Toronto vem em seguida com 21 pontos e, empatados na última posição, estão Red Bull e Wizards, ambos com 20 pontos.

A próxima rodada ainda não contará com todos os times, pois haverá jogos da Superliga envolvendo 4 equipes da MLS.

Superliga

Começou a Superliga 2008, torneio que reúne 4 equipes da MLS e 4 do México. Duas rodadas já foram jogadas, e o que pudemos ver foi um grande equilíbrio entre as equipes dos países vizinhos.

Pelo Grupo A, o líder é o CD Guadalajara, que venceu suas duas partidas: 2×1 contra o D.C. United e 1×0 contra o Houston Dynamo. Em segundo estão empatados o Houston Dynamo, que no primeiro jogo goleou o Atlante por 4×0, e o Atlante, que venceu seu segundo jogo contra o D.C. United por 3×2. O United é a única equipe que não somou pontos.

No Grupo B, quem lidera é o New England Revolution, que também venceu suas duas partidas pelo placar mínimo contra Santos Laguna e Pachuca (sendo que o gol contra o Pachuca foi marcado de pênalti aos 52 minutos do segundo tempo). Em seguida, assim como no Grupo A, duas equipes dividem a vice-liderança: Pachuca, que no seu primeiro jogou ganhou do Chivas USA por 2×1, e o Chivas USA, que em seu segundo jogo bateu o Santos Laguna por 1×0. O lanterna é o Santos Laguna, com zero pontos.

A última rodada da primeira fase da Superliga será jogada neste fim-de-semana, com jogos entre os times dos mesmos países, e os quatro melhores colocados (dois de cada grupo) jogarão as semifinais nos dias 29 e 30 deste mês.

O adeus do Capitão América

Com lágrimas nos olhos, Claudio Reyna, que estava no NY Red Bull, oficialmente anunciou sua aposentadoria do futebol na última quarta-feira (16/07), pondo fim a uma carreira de 14 anos de um dos maiores jogadores da história dos Estados Unidos. O anúncio foi feito na St. Benedict’s Prep, escola de segundo grau onde Reyna estudou e foi eleito por duas vezes o atleta do ano.

Reyna, que é descendente de argentinos, disse que começou a pensar na aposentadoria há 6 semanas, quando mais uma vez foi afastado por contusão, desta vez uma hérnia de disco. Esta foi mais uma na longa lista de contusões do jogador, e Reyna preferiu tomar logo uma atitude para não se tornar um ex-jogador em atividade.

Reyna, que completará 35 anos no próximo domingo (20/07), foi um desbravador da Europa entre os americanos, abrindo caminho para que dezenas de compatriotas fossem jogar no exterior. Além disso, Reyna foi o primeiro jogador americano a ser capitão de uma equipe européia, em 1998 no Wolfsburg (ALE), fato que se repetiu no Sunderland (ING). Por isso, passou a ser conhecido como ‘Capitão América’.

Seu último clube na Europa foi o Manchester City, de onde se transferiu para o Red Bull como ‘jogador designado’. No Red Bull, Reyna jogo apenas 27 partidas nas duas temporadas que esteve no clube, já sofrendo com as contusões.

Claudio Reyna foi também o capitão da seleção dos EUA em duas Copas do Mundo, ajudando os ianques a chegarem às quartas-de-final em 2002. Pela seleção, jogou 112 vezes (quarto que mais jogou pelos EUA na história) e marcou 8 gols.

Apesar de se aposentar dos campos, Reyna continuará no NY Red Bull, agora no cargo de embaixador do clube. E o ex-jogador também tem pretensões de tornar-se técnico um dia, mas somente depois de se preparar adequadamente, sem atropelos.

Assim, mais uma história vencedora do futebol é encerrada. Mas a coragem e os ensinamentos de Reyna, tanto dentro como fora do campo, ficarão para guiar as gerações mais jovens, que continuarão a evolução do futebol nos Estados Unidos.

(Este texto foi baseado no artigo escrito por Dylan Butler no site da MLS).
 

Mostrar mais

Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo