Chivas USA quer ser 100% hispânico – e isso será um problema
O Chivas USA é o time que menos leva torcedores aos estádios da MLS. Mas mesmo assim, a equipe é o principal assunto da nova temporada da liga. Tudo por causa de uma decisão ligada ao seu clube “matriz”, o mexicano Chivas Guadalajara.
Na reconstrução da equipe para a atual temporada, os Rojiblancos receberam uma orientação de que a franquia deveria voltar a ser mais ligada com os traços hispânicos, assim como era no início de sua participação na MLS. Para quem não lembra, o Guadalajara só aceita atletas mexicanos, por isso a relação.
Para isso, o Chivas USA foi ao mercado e contratou 14 jogadores, todos com alguma relação a algum país hispânico. Como a liga tem um limite de estrangeiros no elenco, foram privilegiados atletas que tivessem cidadania americana junto com o traço hispânico.
Com isso, vários jogadores americanos ou sem relação qualquer com a nova filosofia hispânica serviram de moeda de troca para conseguir atletas que entrassem nesse requisito ou simplesmente foram dispensados da equipe.
Ficaram apenas seis atletas sem nenhuma relação hispânica: os goleiros americanos Dan Kennedy, Tim Melia e Patrick McLain; o meia francês Laurent Courtois, o zagueiro americano Bobby Burling e o atacante americano Tristan Bowen. Além deles, o canadense Ante Jazic tem contrato com a franquia, mas não está seno aproveitado.
Para fazer todo esse processo, a equipe californiana deixou de lado o bom trabalho do americano Robin Fraser, que tinha alterado bem o time nos últimos dois anos. Não conquistou vaga nos playoffs, mas pelo menos era um trabalho que parecia em uma boa direção.
José Luis Sanchéz Solá, ex-Puebla e Tecos, foi contratado para trazer de volta o jogo mexicano ao Chivas USA. Com Chelís, a equipe voltou para o esquema 3-5-2, pouco visto na MLS, e tenta realmente parecer com algumas do país logo abaixo com um ritmo de jogo diferente do que é visto nos Estados Unidos.
Além disso, alguns veículos da imprensa americana apuraram que é necessário falar espanhol para trabalhar nos escritórios do Chivas USA. E a equipe parece não ter fechado direitos de transmissão com nenhuma rede fechada de televisão que tenha o inglês seu principal idioma.
Não consigo ver essa mudança dos Rojiblancos com bons olhos. O conceito geral da MLS é tentar melhorar o futebol nos Estados Unidos e ajudar no desenvolvimento de atletas do país junto com os bons nomes buscados pelas equipes em outros lugares, como Thierry Henry, David Beckham e demais.
Tudo bem que você não precisa copiar o Los Angeles Galaxy para tentar ter sucesso, mas não precisa ser algo tão radical para que muitos jovens, que poderiam ser futuros jogadores, deixem de olhar com olhos justos para você. Não é bom para a marca e não é bom para a liga.
Já não gostava da ideia de ter o Chivas USA na liga, por não conseguir público e não sem um ponto de atração. O que piora a situação é estar na mesma cidade de uma franquia vencedora e você não conseguir nem estabelecer uma rivalidade decente.
O Chivas USA tomou uma decisão séria e agora terá que viver com isso. Não sei o quanto isso atrapalhará, mas sei que não deve ajudar o suficiente para valer todos os problemas que foram apontados por jornalistas e torcedores.