Estados Unidos

Oh, Canadá!

O que acontece com o futebol canadense? Várias seleções da Concacaf conseguiram elevar seu nível nos últimos anos, mas a seleção da maple leaf decaiu e parece não conseguir voltar a um bom patamar, por mais que tenha boas peças para trabalhar.

A última e única vez que os canadenses conseguiram classificação para a Copa do Mundo foi em 1986. Após isso, a equipe chegou perto da Copa do Mundo apenas uma vez, em 1994, quando ficaram atrás do México. O melhor desempenho canadense desde lá é o último lugar no hexagonal final para a Copa de 1998.

Na Copa Ouro de 2007, os canadenses fizeram semifinal contra os Estados Unidos e perderam por 2 a 1, talvez apenas por um lance polêmico, em que um auxiliar deu impedimento de Atiba Hutchinson em uma jogada que gera dúvidas até hoje.

Para muitos, o Canadá poderia aproveitar esse sucesso para ir melhor nas Eliminatórias da Copa de 2010 e pelo menos dar trabalho às potências do continente. Mas a equipe desapontou todos que tinham esse pensamento e não chegaram nem ao hexagonal final.

Os canadenses contam com ótimas peças para o trabalho. Hutchinson é titular do PSV, Dwayne De Rosario é um dos melhores jogadores da história e da atualidade da MLS e Simeon Jackson conseguiu mais experiência jogando pelo Norwich na última Premier League. Além disso, vários canadenses são jogadores importantes para seus times na MLS e em outras ligas no resto do mundo.

As táticas utilizadas pelo técnico Stephen Hart parecem impedir seus jogadores de desempenhar boas funções. Com conservadorismo, Hart tenta usar formas de jogo que não deram certo e vão continuar assim até que ele mude o conceito de ficar atrás a maioria do tempo.

De Rosario tem talento para criar jogadas e ajudar nos gols, seu trabalho na MLS mostra isso. Oliver Occean foi artilheiro da segunda divisão da Bundesliga na última temporada, mas precisa que a bola chegue para fazer alguma diferença. Não é questão de jogar o time todo para o ataque, mas sim de ajudar a equipe a criar algumas jogadas e tentar aproveitar. 

Um ponto deficiente é o de conseguir manter alguns talentos com dupla nacionalidade, que foram criados nas divisões de base canadenses, com é o caso do goleiro Asmir Begovic, que atua pelo Stoke City e pela Bósnia.

Em 2009, Begovic ainda não havia sido colocado em uma partida da seleção principal do Canadá, o que permitiu que a Bósnia o convocasse e acabasse com sua elegibilidade canadense. Há alguns desencontros na história entre a federação e o goleiro, mas não dá para deixar um jogador em que você gastou 60 mil dólares ir embora assim.

Como Jason de Vos, colunista da CBC, disse na época, Begovic esteve no banco em uma partida da seleção nas Eliminatórias da Copa de 2010, em que os canadenses perdiam por 3 a 0 para a Jamaica. Se o técnico Dale Mitchell tivesse usado sua última substituição para colocar Begovic em campo, ele ainda estaria ligado ao Canadá. Isso seria importante porque os canadenses não conseguem achar um bom goleiro desde 2002.

Se o leitor não acha essa prática certa, foi exatamente o que a Bósnia fez meses depois. Vencendo a Estônia por 2 a 0 em jogo de Eliminatórias da Copa, Begovic foi colocado na partida aos 92 minutos e agora está ligado à Bósnia até que se aposente do futebol de seleções.

Peças e talento o Canadá tem, mas falta uma maior percepção de como usar isso, tanto em campo quanto fora dele, para que o futebol do país volte a um nível aceitável e não saia das eliminatórias antes do hexagonal, que é onde o país deveria aparecer regularmente.

Mostrar mais

Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo