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O time mais brasileiro dos EUA tem tudo para vingar na MLS

Somente duas franquias na história da Major League Soccer fecharam as portas: Tampa Bay Mutiny e Miami Fusion. Ambas foram dissolvidas em 2001, em uma combinação de fatores que uniu má administração e redução nos investimentos. Por mais de uma década, a Flórida ficou sem representantes na MLS. Até o anuncio oficial sair nesta quarta-feira: Orlando recolocará o sudeste dos Estados Unidos no mapa da liga. A partir de 2015, o Orlando City Soccer será o 21º time na competição, entrando ao lado do New York FC.

As experiências infelizes na Flórida podem ter deixado a MLS um pouco mais reticente, mas não implicaram em nenhuma exigência a mais sobre o Orlando City. Ex-presidente de um conglomerado de empresas e principal acionista do clube, o brasileiro Flávio Augusto da Silva foi um dos responsáveis pelas garantias que permitiram a adesão. A estimativa é de que o clube pague US$ 70 milhões pela expansão. Além disso, completará o investimento feito pela prefeitura e pelo condado para construir um estádio avaliado em US$ 84 milhões, para 18 mil espectadores.

“É preciso agradecer todos que se dedicaram a tornar esse sonho possível. Foram meses de negociações e trabalho duro para chegarmos até aqui”, declarou Flávio Augusto, após o anúncio da MLS, comentando também o carnaval que se seguiu nas ruas da cidade. “A alegria dos torcedores por verem seu clube na elite do futebol é gratificante. A mobilização que vimos hoje pela cidade é sem dúvidas nosso maior prêmio”.

Tanto quanto as garantias financeiras, o projeto montado em torno do Orlando City neste início indica a criação de uma franquia consistente. O clube já possui raízes na região, fundado em 2010 e com curta história na USL, campeonato secundário do futebol nos EUA do qual é duas vezes campeão. Mais do que isso, a presença massiva de latinos na Flórida garante um mercado em potencial ao clube com a visibilidade maior na MLS.

Para ajudar, a administração do Orlando City planeja explorar o turismo na região. Se os parques temáticos e as praias são atrativos, o futebol também pode entrar no roteiro. Neste caminho, um jogador de renome deve ser levado à franquia, como o próprio Flávio Augusto promete: “Quero um grande craque. Penso em alguns nomes, brasileiros, mas a confirmação, só em 2015”. Por sua proximidade com o empresário, Kaká é um candidato forte. Segundo Phil Rawlins, presidente do clube, a estrela contratada será o “Beckham brasileiro”.

“O Orlando está pronto. Eles foram bastante agressivos na maneira como queriam entrar para a liga rapidamente. Eles estavam engajados nas negociações detalhadas com a cidade, com o condado e com o estado. Todas essas peças vieram juntas. Nós quisemos entrar nessa onda e capturar o momento”, avaliou Don Garber, comissário da MLS.

E ainda há a perspectiva de que o Orlando City ganhe um rival em breve. David Beckham é cotado como o provável dono da 22ª franquia da MLS, destinada a Miami. Até mesmo LeBron James, craque da NBA, estaria interessado a entrar na jogada. Mais do que movimentar o futebol na Flórida, a criação de dois clubes em um curto espaço de tempo ajudaria a alimentar uma rivalidade local. Uma razão a mais para motivar o sucesso do clube “mais brasileiro” da MLS logo em seus primeiros passos.

No vídeo abaixo, a comemoração dos torcedores após o anúncio da nova franquia:

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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