MLS

Golaço, estreias e fracasso: o que Arsenal e MLS podem tirar do All Star Game

Em pré-temporada nos Estados Unidos, Arsenal começa a desenhar o time e jogo contra as estrelas da MLS deixa alguns bons sinais para Mikel Arteta; para a MLS, o que fica é que o formato do evento precisa mudar

O Arsenal mostrou força e goleou o time de estrelas da MLS por 5 a 0 no All Star Game realizado na noite desta quarta-feira, no Audi Field, em Washington. O que mais chamou a atenção foi o golaço marcado por Gabriel Jesus, o primeiro do jogo, além de ter o primeiro gol de Kai Havertz com a camisa dos Gunners. O jogo também deixa impressões importantes para o Arsenal e um gosto de fracasso da MLS nesse evento.

Wayne Rooney, ex-jogador do Manchester United e Everton, e que também jogou no DC United, hoje é o técnico do mesmo clube da MLS. Ele foi o treinador do time de estrelas da MLS. A equipe é montada metade por convocação do treinador, metade por votação que envolve torcedores, imprensa e os próprios jogadores. Infelizmente para a MLS, Lionel Messi sequer estreou ainda e não era parte do time. Em 2024 ele certamente estará no time.

Mikel Arteta, o comandante do Arsenal, manteve a base do time da última temporada, inclusive no esquema tático. Manteve o 4-3-3, como já tinha feito contra o Nürnberg. Gabriel Jesus foi titular, mas outros ficaram no banco. Kai Havertz, por exemplo, assim como Declan Rice, que fez a sua estreia no segundo tempo, assim como Jurrien Timber, outro contratado.

Golaço de Gabriel Jesus é destaque do jogo

Com Gabriel Jesus muito ativo no jogo, o placar foi aberto rapidamente. Jorginho, que começou como titular, fez um lançamento longo para o lado direito para Bukayo Saka. O atacante tocou para Gabriel Jesus, que tocou com uma cavadinha, de primeira e de fora da área, e surpreendeu o goleiro Roman Bürki. Golaço do brasileiro e placar aberto: 1 a 0.

A dominância do Arsenal era grande no jogo e Leandro Trossard aumentou o placar aos 22 minutos, em um chute de fora da área. No início do segundo tempo, Jorginho ampliou o placar cobrando pênalti de maneira precisa e bastante característica, com um passo ritmado esperando o goleiro se mexer para deslocar a bola para o outro lado.

Martinelli marca e Kai Havertz faz o primeiro pelo Arsenal

Kai Havertz faz seu primeiro pelo Arsenal (Icon Sport)

Como sempre acontece nesse tipo de jogo, os dois times fizeram muitas mudanças no segundo tempo, o que deixa o jogo um pouco descaracterizado. Entraram Jurrien Timber e Declan Rice, que fizeram suas estreias.

Também entraram Kai Havertz, que já tinha estreado contra o Nürnberg. Outros nomes importantes da temporada passada também entraram, como Gabriel Martinelli e Martin Odegaard. Folarin Balogun, que interessa à Inter de Milão, também entrou em campo. Aconteceu o mesmo no time da MLS, que já teve até seis mudanças ainda no primeiro tempo, e outras cinco antes do início do segundo.

O jogo só teria outros gols nos minutos finais. Aos 37 minutos, Odegaard fez um lançamento longo para Martinelli na ponta esquerda. Ele avançou e tocou rasteiro e cruzado para marcar 4 a 0. O que era uma vitória fácil e categórica virou uma goleada.

Já nos últimos minutos, Kai Havertz conseguiu marcar o seu primeiro gol pelo Arsenal. O brasileiro Marquinhos, ex-São Paulo, fez jogada na ponta direita, cruzou alto para Havertz, que dominou no peito, com categoria, e encheu o pé para marcar um belo gol: 5 a 0. O torcedor do Arsenal espera que o ex-jogador do Arsenal consiga fazer isso muitas vezes ao longo da temporada.

O que o Arsenal pode aproveitar do jogo?

Esse tipo de jogo não permite conclusões definitivas, mas há muitas observações importantes que foram vistas. Jorginho mostrou muita classe, como demonstrava nos seus melhores momentos. Pode ser um jogador importante atuando por ali, como um jogador mais recuado que dá fluidez à saída de bola.

Jakub Kiwior, jogador polonês que chegou ao Arsenal ainda em janeiro e foi pouco aproveitado, foi titular na lateral esquerda e foi bem. Não deve ser o titular habitual por ali, mas ele é um jogador versátil: sua posição original é de zagueiro, mas ele dá boa saída e pode atuar até como volante em caso de necessidade.

Arsenal precisará de mais marcação no meio-campo

Leandro Trossard atuou no meio-campo, o que mostrou que pode ser uma opção bastante ofensiva e bastante interessante. Ao mesmo tempo, ficou claro que essa formação deixa o time muito vulnerável, ao menos quando a composição é com Jorginho e Fábio Vieira junto a Trossard.

Possivelmente o time precisará de um jogador de mais marcação no meio, que deve ser Declan Rice e isso equilibraria a equipe. Mas a opção Trossard é interessante porque ele pode funcionar como um potencial substituto de Odegaard, quando for necessário.

Ataque do Arsenal mostra ter cada vez mais e melhores opções

Marquinhos foi outro a mostrar que pode ser um bom substituto para Bukayo Saka como um atacante veloz pela direita e que é canhoto. O caso de Folarin Balogun ainda é incerto e parece provável que ele deixe o clube, mas caso as negociações não avancem, ele seria uma opção excelente para substituir Gabriel Jesus, que segue muito bem. Uma opção melhor que Edward Nketiah, por exemplo, que até entrou bem na temporada passada, mas acabou não conseguindo manter a regularidade.

Gabriel Martinelli começou no banco, mas tem tudo para ser novamente o titular da ponta esquerda. Entrou bem e fez um gol bem à sua característica. Por fim, Kai Havertz é uma opção que mostrou muita qualidade para atuar no ataque. Pode, inclusive, atuar como um jogador atrás de Gabriel Jesus, posição que o consagrou no Bayer Leverkusen.

O mais importante que fica para Mikel Arteta desses primeiros dois amistosos é que o time ganhou muitas opções, seja em nomes, seja em variação tática. O time não teve muito como testar formações táticas diferentes nesse jogo, mas isso ainda deve ser mais visto nos próximos jogos da pré-temporada.

O que fica para a MLS?

O estádio Audi Field, em Washington, recebeu o All Star Game da MLS (Icon Sport)

O jogo não soou bem para a liga. O time da MLS foi surrado por um Arsenal jogando sem dar tudo de si, em ritmo de pré-temporada. Isso acontece não exatamente porque o time da MLS peca por falta de qualidade, embora evidentemente o time do Arsenal seja melhor, mas porque é um catado de jogadores que nem treina junto, basicamente. É um jogo festivo de um catadão contra um time de verdade. E o resultado acaba sendo o que vimos. Por isso, é preciso mudar.

MLS vive dificuldade em achar formato atraente para seu All Star Game

O All Star Game da MLS já passou por diversos formatos. O jogo existe desde que a MLS começou, em 1996. Desde então, a liga tenta diversos formatos e a verdade é que nenhum deles pareceu funcionar como se queria. Se esse jogo já tem perdido força em outros esportes onde ele é tradicional, como na NBA e na MLB, na MLS tem sido difícil achar um formato atraente.

Houve várias tentativas. A primeira foi o tradicional formado de confronto de conferência, Leste x Oeste. Foi assim em duas temporadas, 1996 e 1997. Em 1998, a liga tentou um formato até curioso: time Estados Unidos x time mundo. Reunia todos os americanos de um lado, todos os estrangeiros de outro.

O formato de duelo de Conferências Leste x Oeste voltou de 1999 a 2001. Em 2002, começou aquele que seria o mais usado: um time de estrelas da MLS contra um convidado. No primeiro ano, em 2022, o jogo foi até contra a seleção americana, o que foi curioso.

Depois de uma breve volta do Leste x Oeste, em 2004, o formato de All Stars da MLS contra a Europa, sempre contra um clube europeu. Foi assim até 2019. Em 2020 o evento não aconteceu pela pandemia da Covid-19.

Pós-pandemia teve os dois melhores formatos de All Star Game

Em 2021 e 2022, o formato que mais funcionou até aqui: um duelo entre estrelas da MLS e estrelas da Liga MX, o Campeonato Mexicano. Aproveitando aa rivalidade dos dois países, e duas ligas que são fortes e relativamente equivalentes atualmente. Funcionou tanto que haverá um duelo fixo entre México e Estados Unidos com os campeões dos dois países se enfrentando, Campeones Cup.

Ainda há a Leagues Cup, um duelo entre os times da MLs e Liga MX em formato Copa do Mundo, disputa em cerca de um mês, e que já é um sucesso de expectativa e de direitos de transmissão. Será, inclusive, nessa competição que Lionel Messi estreará, na próxima sexta.

Então, depois de dois ótimos duelos em 2021 e 2022, a MLS pensava em mudar. O comissionário Don Garber afirmou que pensava em mudanças e admitiu que não sabia o que a liga queria, exatamente. Diante da falta de opções, decidiu-se pelo retorno de uma edição contra uma equipe europeia, como foi o Arsenal.

Só que isso fica claro que não é um formato benéfico para a Liga. Acaba sendo um catado contra times forte da Europa, que mesmo em pré-temporada tendem a sobrar. A liga precisa urgentemente pensar em uma alternativa. O formato de time Estados Unidos contra time mundo pode ter apelo, ainda mais nesse momento. Como produto de TV, tende a ser interessante, mais do que esse jogo com uma cara de amistoso com alto risco de tomar uma sova.

Foto de Felipe Lobo

Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!). Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009, onde ficou até 2023.
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