Estados Unidos

Futebol também é coisa de mulher

Finalmente as mulheres voltarão a ter vez no futebol profissional dos Estados Unidos. Como já discutimos por aqui antes, o futebol, até bem pouco tempo, era considerado um esporte feminino ou de crianças nos EUA (em alguns lugares do país ainda é). Mesmo assim, apesar de algumas tentativas, nunca houve uma liga profissional feminina duradoura, diferentemente dos homens, que têm a MLS e a USL como alternativas de jogar profissionalmente o futebol nas terras de Obama.

Para este ano, no entanto, uma nova liga de futebol profissional feminino foi criada, na tentativa de desenvolver ainda mais o melhor futebol feminino do mundo. Chamada de Women’s Professional Soccer, ou WPS, foi criada para substituir a Women’s United Soccer Association (WUSA) que foi encerrada em 2003, após apenas 3 anos de atividades. A WPS nasce ainda com poucos clubes, mas com uma estrutura semelhante à da MLS, e com planos de crescimento para tornar-se a principal liga profissional de futebol feminino do mundo. E seus jogos serão transmitidos semanalmente (pelo menos para os EUA) nas noites de domingo.

Para o primeiro campeonato deste ano serão apenas 7 equipes: Boston Breakers, Chicago Red Stars, FC Gold Pride (norte da Califórnia), Los Angeles Sol, St. Louis Athletica, Sky Blue FC (Nova York) e Washington Freedom. O Dallas Sting também deveria começar a jogar este ano, mas fará parte da liga apenas no ano que vem. Além disso, mais dois outros times se juntarão à liga em 2010: um de Atlanta e outro de Filadélfia, completando 10 equipes para o campeonato. Ainda, algumas das equipes, como Chicago e Los Angeles, jogarão nos mesmos estádios utilizados pelas equipes da MLS de suas respectivas cidades.

O jogo inaugural da nova liga será no dia 29 de março, entre Los Angeles Sol e Washington Freedom, no Home Depot Center, em Los Angeles (mesmo estádio onde jogam LA Galaxy e Chivas USA, além de ter sido palco na última MLS Cup). A tabela completa do campeonato ainda não foi divulgada, mas seu formato será simples, seguindo a estratégia de playoffs para definir o campeão, que tanto agrada o público norte-americano. Assim, as quatro melhores equipes durante a temporada regular se classificarão para as semifinais, de onde sairão as duas vencedoras que disputarão o título. Também planeja-se fazer um All Star Game (ou jogo das estrelas), como já é feito na MLS e nos outros esportes norte-americanos.

O principal atrativo da WPS, e a aposta dos organizadores da liga para que esta se torne o principal campeonato feminino do mundo, serão as jogadoras que integrarão as equipes. Desde setembro do ano passado estão sendo escolhidas as principais jogadoras do mundo para compor as equipes e deixar a competição com o alto nível pretendido. Assim, muitas jogadoras da seleção dos EUA, além de jogadoras das outras principais seleções do mundo de futebol feminino estão sendo contratadas e distribuídas entre os clubes.

E como não poderia deixar de ser, muitas brasileiras já foram ou estão em vias de serem contratadas também. A grande estrela Marta, escolhida por três vezes consecutivas como a melhora jogadora do mundo pela FIFA, já foi contratada pelo Los Angeles Sol. Cristiane, atacante da seleção brasileira, vai jogar no Chicago Red Stars. Além delas, outras 10 brasileiras estão de mudança para seguir carreira nos EUA (veja no Curtas ao lado).

Nós por aqui ficaremos na torcida de que este empreendimento tenha muito sucesso para ajudar no desenvolvimento do futebol feminino. E, como pretendemos tratar de tudo o que envolve o futebol nos Estados Unidos, acompanharemos os jogos da WPS também, até por estarem nossas melhores jogadoras atuando pelas equipes de lá.

Draft feminino

Também seguindo a receita dos esportes profissionais dos EUA, incluindo a MLS (vide coluna da semana passada), a WPS realizou o seu draft para a escolha de novas jogadoras pelos seus clubes.

No mesmo local onde foi realizado o Super Draft da MLS no dia anterior, em Saint Louis, o primeiro draft da WPS foi presidido pela Comissária da liga Tonya Antonucci, e teve a participação das 7 equipes que jogarão a primeira edição do campeonato, com 70 jogadoras escolhidas no total.

A primeira equipe a escolher foi o Boston Breakers, que selecionou Amy Rodriguez, da Universidade do Sul da Califórnia, que fez parte da seleção feminina dos EUA medalhista de ouro em Pequim/20008. A segunda opção foi feita pelo Chicago Red Stars, que escolheu Megan Rapinoe, da Universidade de Portland. Completando o pódio das 3 primeiras jogadoras escolhidas, a meio-campista Christina DiMartino, da UCLA, foi escolhida pelo FC Gold Pride.

O draft foi acompanhado pela técnica da seleção feminina principal dos Estados Unidos, Pia Sundhage, pelas ex-jogadoras Joy Fawcett e Julie Foudy, pelo presidente da Federação de futebol dos EUA (U.S. Soccer), Sunil Gulati, e pelo presidente da NSCAA, Al Albert.

Verdades & Boatos da MLS

Falando agora do futebol profissional masculino nos Estados Unidos, enquanto as equipes ainda se preparam para iniciar a pré-temporada visando o campeonato de 2009, a temporada de especulações (e confirmações) continua a todo vapor.

Primeiro em relação às confirmações, como já havíamos revelado por aqui, o craque canadense Dwayne De Rosario assinou nesta última quinta-feira (22/01) com o Toronto FC, finalmente retornando ao seu país depois de muitos anos defendendo, com muito sucesso, o San Jose Earthquakes e o Houston Dynamo.

O NY Red Bull também “repatriou” um jogador para a temporada 2009. Mike Petke, que começou a carreira profissional no extinto NY MetroStars, retorna a Nova York, após passagens por D.C. United e Colorado Rapids. Petke vem para preencher a lacuna deixada pela saída de Jeff Parke, que se transferiu para o Seattle Sounders.

Outra contratação anunciada esta semana foi a transferência do atacante ucraniano Dema Kovalenko do Real Salt Lake para o LA Galaxy, em troca de uma parte em dinheiro e uma escolha condicionada no Super Draft de 2011. Kovalenko foi campeão da MLS Cup em 2004, pelo D.C. United.

Já pela parte dos boatos de transferências de jogadores, foi ventilado semana passada que o zagueiro (ex-lateral) Roger, que jogou no Grêmio e no Fluminense, pudesse se transferir para o D.C. United.

Outro boato desta semana é a possível transferência do argentino Pablo Vitti, de 23 anos, para o Toronto FC. Vitti, que defendeu o Independiente, entre outros times argentinos, além da seleção sub-20 daquele país, e que atualmente está na Ucrânia, viria por empréstimo e cairia bem na equipe canadense.

Hall of Fame

Jeff Agoos é o mais novo ex-jogador a fazer parte do Hall da Fama do futebol dos Estados Unidos. Goose (como Aggos foi apelidado), que na verdade nasceu na Suíça, pois seu pai diplomata estava a serviço naquele país, e cresceu no Texas, defendeu a seleção estadunidense durante 15 anos, tendo participado de 2 Copas do Mundo (98 e 2002) e uma Olimpíada (2000). Além disso, Agoos defendeu também a seleção norte-americana de futsal, em 1992.

Em relação à sua carreira profissional de jogador, além de ter jogado na Alemanha e em ligas anteriores à existência da MLS, Goose defendeu o D.C. United, San Jose Earthquakes e NY MetroStars. Venceu no total 5 MLS Cups pelo United (3) e Quakes (2), além de ter sido eleito o melhor defensor da liga em 2001 e de fazer parte do time dos 11 melhores jogadores dos 10 primeiros anos da MLS.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]

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