Estados Unidos

Fim da freguesia?

Depois de um longo período de derrotas em território estadunidense, o México voltou a vencer. E em grande estilo.

Na final da Copa Ouro da CONCACAF, realizada neste último domingo (26/07) no Giants Stadium, o México goleou a seleção dos EUA por 5×0, e ficou com o título da competição.

Esta foi a segunda vez consecutiva que as duas maiores forças do futebol da CONCACAF – confederação que abriga os países da América do Norte, América Central e Caribe – fizeram a final do principal torneio entre seleções da região.

O México não vencia a seleção dos EUA em seu território desde 1999. Antes da final de hoje, EUA e México jogaram 11 vezes em território americano, sendo 9 vitórias dos Estados Unidos e 2 empates. Os mexicanos não ganharam um único jogo e fizeram apenas 3 gols nesse período, enquanto os Estados Unidos marcaram 19 vezes. Além disso, os EUA estavam há 58 jogos invictos em casa contra rivais da CONCACAF.

Na final de hoje, no entanto, o México revidou tantos anos de freguesia. É importante levar em consideração que os EUA estavam com uma seleção reserva, pois Bob Bradley optou por não chamar seus principais jogadores para o torneio (pois estes haviam disputado a Copa das Confederações logo antes). Porém, o que vale para as estatísticas é o resultado, e o México levou sua quinta Copa, desempatando o duelo com os EUA, que tem quatro.

Apesar da acachapante derrota, a dor de cabeça dos Estados Unidos não deve ser longa, e não há porque se preocupar. Os recentes sucessos da seleção norte-americana em torneios internacionais neste século, principalmente desde as vitórias na Copa Ouro em 2005 e 2007, até o vice-campeonato na Copa das Confederações este ano, deixaram-na em posição de destaque na CONCACAF, rendendo acalorados debates sobre quem possui atualmente o melhor futebol no continente.

O México, historicamente, sempre foi a seleção principal do continente. Estados Unidos e Canadá por muito tempo ignoraram o esporte mais famoso do mundo, e os demais países da região são muito pequenos e pobres para manter a competição por um longo período. Assim, salvo alguns períodos, o México sempre dominou o futebol do continente, tanto em relação a clubes como com sua seleção.

No entanto, desde 1994, quando foi realizada a Copa do Mundo em seu território, os Estados Unidos começaram a prestar mais atenção nesse estranho esporte jogado com os pés que o resto do mundo tanto gosta, e o futebol não parou mais de crescer na terra do Tio Sam.

Como já dissemos por aqui outras vezes, depois da Copa do Mundo houve o surgimento da MLS, principal campeonato profissional de futebol do país que cresce a cada ano. Consequentemente, começou a surgir uma nova geração de jogadores bastante talentosa, que ganhou espaço na Europa e melhorou a competitividade da seleção nacional.

Assim, o nível do futebol norte-americano parecer estar em plena ascensão, principalmente sua seleção nacional. Por outro lado, o futebol mexicano parece estacionado no tempo. As diferenças entre México e Estados Unidos, que sempre foram grandes em todos os setores (com vantagens e desvantagens para ambos os lados), parecem diminuir (ou segundo alguns, a inverter de lado) no futebol.

A fragilidade demonstrada pela seleção mexicana dura algum tempo. Já o bom momento vivido pela seleção dos EUA parece ter raízes permanentes, devido a uma organização exemplar em matéria futebolística. Dessa maneira, as comparações entre as duas seleções são inevitáveis.

A começar pelos técnicos. Desde 1994, ou seja, há 15 anos, os Estados Unidos tiveram apenas 4 treinadores em sua seleção. Bora Milutinovic era o comandante da seleção na Copa de 1994 e foi eliminado pelo campeão Brasil nas oitavas-de-final.

Depois dele veio Steve Sampson, que deu um passo atrás e foi eliminado ainda na primeira fase da Copa do Mundo da França, em 1998.

Bruce Arena assumiu em seguida, e foi o único técnico a dirigir a seleção ianque em dois Mundiais, vivendo os dois lados da moeda. Na Copa do Mundo de 2002, na Coreia/Japão, chegou às quartas-de-final, mas no Mundial de 2006, na Alemanha, experimentou o fracasso de não passar da fase de grupos. Arena também ganhou duas Copas Ouros, em 2002 e 2005.

Finalmente Bob Bradley, que praticamente tem garantida a vaga para a Copa do Mundo de 2010 na África do Sul, e conseguiu o título da Copa Ouro da CONCACAF em 2007 e o vice-campeonato da Copa das Confederações em 2009, com direito a eliminar a campeã europeia, Espanha, nas semifinais.

Enquanto isso, nesse mesmo tempo, desde a Copa do Mundo de 1994, a seleção mexicana teve nada menos que 9 técnicos. E todos conseguiram o mesmo resultado nas Copas do Mundo durante esse período: eliminação nas oitavas-de-final (sendo uma delas para os Estados Unidos, em 2002).

Essa análise fica ainda mais dramática quando comparamos que, enquanto os Estados Unidos tiveram 4 técnicos em 15 anos, o México teve esse mesmo número de técnicos dirigindo sua seleção apenas na preparação para conseguir uma vaga à Copa do Mundo de 2010: Hugo Sánchez, Jesús Ramirez, Sven-Göran Eriksson e agora Javier Aguirre.

Para deixar a comparação mais objetiva, seguem os principais êxitos obtidos em campo pelos Estados Unidos desde 2000:

? 2000: A seleção sub-23 obtém o quarto lugar – o melhor de sua história – nos Jogos Olímpicos de Sidney. Eliminada nas quartas-de-final da Copa Ouro.
? 2001: Classifica-se pela quarta vez consecutiva à Copa do Mundo.
? 2002: Avança para as quartas-de-final da Copa do Mundo da Coreia/Japão. Vence a Copa Ouro.
? 2003: A seleção principal fica em terceiro lugar na Copa Ouro. A seleção sub-17 termina em quinto lugar no Mundial Sub-17 na Finlândia. A seleção sub-20 termina em quinto lugar no Mundial Sub-20 nos Emirados Árabes Unidos.
? 2004: Não classificou-se para os Jogos Olímpicos de Atenas.
? 2005: Classifica-se pela quinta vez consecutiva – recorde para a seleção – à Copa do Mundo da Alemanha de 2006. Vence a Copa Ouro. A seleção sub-17 termina em quinto lugar no Mundial Sub-17 no Peru.
? 2007: Vence a Copa Ouro (empata com o México no total de títulos dessa competição com quatro – a Copa Ouro foi criada em 1991).
? 2009: Vice-campeã da Copa das Confederações na África do Sul. Segundo lugar, até a quinta rodada do hexagonal final, nas eliminatórias da CONCACAF para a Copa do Mundo de 2010, dois pontos atrás do líder. Vice-campeã da Copa Ouro.

Seguem agora os feitos do México no mesmo período:

? 2000: Não classificou-se aos Jogos Olímpicos de Sidney. Eliminada nas quartas-de-final da Copa Ouro.
? 2001: Eliminada na primeira fase da Copa das Confederações. Vice-campeã da Copa América na Colômbia.
? 2002: Eliminada pelos Estados Unidos nas oitavas-de-final da Copa do Mundo na Coreia/Japão. Eliminada nas quartas-de-final da Copa Ouro.
? 2003: Campeã da Copa Ouro. A seleção sub-17 foi eliminada nas quartas-de-final do Mundial Sub-17 na Finlândia. A seleção sub-20 foi eliminada na primeira fase do Mundial Sub-20 nos Emirados Árabes Unidos.
? 2004: Eliminada nas quartas-de-final da Copa América no Peru. Eliminada na primeira fase nos Jogos Olímpicos de Atenas.
?: 2005: Quarto lugar na Copa das Confederações. Eliminada nas quartas-de-final da Copa Ouro. A seleção sub-17 é campeã do Mundial Sub-17 no Peru.
? 2007: Vice-campeã da Copa Ouro. Terceiro lugar na Copa América na Venezuela. A seleção sub-20 foi eliminada nas quartas-de-final no Mundial Sub-20 do Canadá.
? 2009: Quarto lugar, até a quinta jornada do hexagonal final, nas eliminatórias da CONCACAF para a Copa do Mundo de 2010, seis pontos atrás do líder. Campeã da Copa Ouro.

Olhando as conquistas das duas seleções nesta década, a princípio, parece que são equivalentes, e que o discurso acima sobre um início de superioridade dos Estados Unidos sobre o México pode parecer exagerado. No entanto, é importante lembrar que, como dissemos no começo, o México sempre foi a referência na CONCACAF, e até o início deste século os EUA tinham pouquíssimos resultados relevantes no futebol. Por isso a exaltação ao rápido crescimento do futebol dos Estados Unidos em relação ao do México.

E também por isso fica a pergunta depois da final da Copa Ouro de 2009: o México começará a reagir ou foi apenas um lapso, e a freguesia continuará? O próximo encontro será no dia 12/08, no Estádio Azteca, pelas eliminatórias para a Copa do Mundo de 2010.

Finalmente, também é importante ressaltar que a evolução dos Estados Unidos no futebol é principalmente na seleção. Em relação aos clubes, os mexicanos ainda são superiores e têm levado ampla vantagem nos confrontos diretos. Esse é ainda um setor (futebol dos clubes) que os ianques têm muito a crescer. No entanto, a evolução da MLS a cada ano é visível, e não demorará para vermos uma equipe desta liga disputando o Mundial Interclubes da FIFA no final do ano.

Relação abalada

Não foi nada agradável a volta de David Beckham para Los Angeles. Em seu primeiro jogo em casa, no Home Depot Center, o meia inglês enfrentou a ira dos torcedores do Galaxy, que não o perdoam por ter estendido seu contrato com o Milan. Beckham chegou a discutir com um deles durante o intervalo. Além disso, os torcedores trouxeram cartazes xingando Beckham.

O jogo, aliás, era um amistoso contra o Milan, seu ex-clube, como parte do pagamento do empréstimo do inglês para o clube italiano. Beckham foi vaiado e jogou até os 25 minutos do segundo tempo. Novamente não teve uma boa atuação, apesar de ter dado uma assistência. A partida terminou empatada em 2 a 2.

A discussão com o torcedor no amistoso contra o Milan rendeu, ainda, a aplicação pela MLS de uma multa a Beckham no valor de US$ 1.000 e um comunicado oficial do Galaxy se desculpando ao jogador pelo comportamento dos torcedores.

No jogo seguinte, o Galaxy empatou fora de casa com o KC Wizards por 1×1, e mais uma vez Beckham teve atuação apagada. O destaque ficou para o veterano atacante argentino Claudio Lopez, do Wizards, que marcou um golaço de trás da linha do meio-campo. Donovan fez o gol do Galaxy, que com o resultado se manteve na terceira colocação do Oeste, com 28 pontos, atrás de Seattle Sounders (29) e Houston Dynamo (32).

Superioridade mantida

A MLS continuará a reinar na Lamar Hunt U.S. Open Cup. O único clube de fora da MLS que fazia parte das semifinais não conseguiu vencer, e dois times da MLS disputarão a final.

O “forasteiro” que tentaria ameaçar a superioridade da MLS era o Rochester Rhinos, que desde 1996 (ano de criação da MLS) foi o único time que conseguiu ser campeão da Open Cup, em 1999, e quebrar a hegemonia da MLS. Porém, a equipe da USL-1 não conseguiu surpreender novamente e perdeu sua semifinal por 2×1 para o D.C. United.

Na outra semifinal, o Seattle Sounders venceu o Houston Dynamo também por 2×1, e enfrentará o United na finalíssima de 2009.

Assim, novamente teremos um campeão da MLS no torneio. A partida final será jogada somente no dia 02/09, e será no RFK Stadium, em Washington.

Alterações e complementações nas estrelas

O técnico Dominic Kinnear, do Houston Dynamo, que comandará a seleção de estrelas da MLS no All Star Game no próximo dia 29/07 contra o Everton FC (ING), no Rio Tinto Stadium, em Utah, escolheu os últimos 6 jogadores para completar o grupo estelar da MLS (na verdade 5 para completar o grupo e um em substituição por contusão).

Kinnear convocou três jogadores do “seu” Houston Dynamo, dois do caçula Seattle Sounders e um do KC Wizards. São estes os cinco convocados para completar o grupo: Pat Onstad (goleiro – Dynamo), Brad Davis (meio-campista – Dynamo), Brian Ching (atacante – Dynamo), John Kennedy Hurtado (defensor – Sounders) e Davy Arnaud (meio-campista – Wizards). Além destes, Kinnear chamou Freddy Montero (atacante – Sounders), para substituir Guillermo Barros Schelotto (Columbus Crew), que se contundiu e não poderá participar do jogo.

Além da convocação de Kinnear no dia 25/07, mais duas substituições foram feitas na equipe das estrelas. Brian Ching, que não durou nem uma semana entre os convocados, e Shalrie Joseph (defensor – NE Revolution). Ching foi retirado para poupá-lo, uma vez que a seleção dos EUA chegou à final da Copa Ouro e o jogador não teria muito tempo de descanso. Joseph sofreu uma contusão. Os substitutos serão o meio-campista Will Johnson, do Real Salt Lake, e o defensor Bakary Soumare, do Chicago Fire.

Com essas últimas inclusões, a lista final de 18 jogadores da equipe das estrelas de 2009 soma 4 jogadores do Houston Dynamo, 4 do Seattle Sounders, 3 do Real Salt Lake, 3 do Chicago Fire, 1 do Colorado Rapids, 1 do Columbus Crew, 1 do KC Wizards e 1 do LA Galaxy.

Amistosos internacionais

É verão no Hemisfério Norte, época de pré-temporada de clubes europeus, que aproveitam para fazer amistosos nos Estados Unidos e não apenas começar a entrosar seus novos jogadores, como também levantar um bom dinheiro. E não são apenas clubes europeus que aproveitam para treinar e ganhar dinheiro nos EUA, mas também alguns clubes da América Latina, como do México e da Argentina.

Assim, estão ou estarão nos EUA neste ano para participar de jogos ou torneios amistosos alguns dos principais clubes do Velho e do Novo Continente. O Milan, além do jogo amistoso com o Galaxy mencionado, está jogando um torneio de verão com jogos em várias cidades dos EUA contra seu arqui-rival Internazionale, Chelsea e América do México. Inter, Chelsea e América também fizeram ou farão outros amistosos contra clubes da MLS.

Os espanhóis não ficarão de fora da festa. Tanto Barcelona como Real Madrid chegarão em agosto para jogarem seus amistosos contra equipes da MLS ou estrangeiras. O Real Madrid enfrentará D.C. United e Toronto FC. Já o Barça enfrentará o Galaxy, o Seattle Sounders e o Chivas Guadalajara (MEX). Finalmente, o River Plate também passou pela América do norte e jogou um amistoso contra o Toronto FC, que ganhou nos pênaltis.

As primeiras campeãs

Não demorou muito para a confirmação do que todos já esperavam. O Los Angeles Sol conquistou antecipadamente o título da temporada regular na WPS, garantindo, consequentemente, uma vaga na final da competição.

O Sol nem precisou se esforçar muito para conseguir o primeiro título de temporada regular da WPS. O único rival que podia alcançá-lo, o St. Louis Athletica, perdeu para o Washington Freedom por 1×0 no dia 18/07, deixando o Sol a apenas 1 ponto do título.

E foi o que aconteceu na rodada seguinte. Mesmo com a vitória do Athletica sobre o Sky Blue FC por 1×0, o Sol apenas empatou com o lanterna FC Gold Pride em 0x0 na última quinta-feira (23/07) para garantir a melhor campanha na temporada regular.

A importância de ganhar o título da temporada regular na WPS é que o Sol também garante automaticamente sua presença na final da competição, em seu estádio. Assim, a Rainha Marta e suas companheiras apenas cumprirão tabela nos dois jogos que faltam e aguardarão as adversárias para disputar o primeiro título da história da WPS.

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Equipe Trivela

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