Estados Unidos

Estados Unidos acharam solução para as concussões nas categorias de base: proibir cabeçadas

Mesmo sendo colocadas em segundo plano, as discussões sobre concussões no futebol são recorrentes, especialmente em um país como os Estados Unidos, que debate a questão também em outros esportes em que esse tipo de incidente ocorre mais frequentemente. Desta vez, a conversa sobre concussões levou a algumas medidas um tanto quanto controversas, visando diminuir o número de concussões em partidas de categorias de base do futebol americano. A ordem é: está proibido cabecear.

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Segundo o New York Times, a Federação Americana anunciou nesta segunda-feira uma série de medidas de segurança para reduzir as concussões no futebol, com destaque para uma bem restritiva, que proíbe cabeçadas na bola em partidas de categorias de base com crianças de até dez anos. As novas diretrizes também determinam a diminuição de treinamentos de cabeça entre times com atletas de 11 a 13 anos.

Segundo um estudo publicado pela JAMA Pediatrics, o futebol é um dos esportes que mais têm incidentes de concussão em times colegiais, por causa dos lances que envolvem a cabeça, como divididas pelo alto e quedas no gramado sem alguma proteção. A própria pesquisa, no entanto, mostra que apenas 8,2% dos casos de concussão entre garotas acontece por causa de cabeçadas diretas na bola. Entre os meninos, o número cai para 4,7%. Ainda assim, as novas medidas foram a maneira encontrada pela Federação Americana de prover algum tipo de resposta à ação judicial coletiva levantada no ano passado por grupos de pais de pequenos atletas, preocupados com a saúde de seus filhos.

Essas novas regras não serão obrigatórias para todos os times juvenis dos Estados Unidos, apenas para aqueles sob a jurisdição da Federação Americana, a U.S. Soccer. Dentre esses, as seleções de base, as equipes que utilizam os centros de treinamento de desenvolvimento de jogadores e as equipes das categorias de base das franquias da Major League Soccer. Existe, no entanto, uma recomendação para que mesmo os times não subordinados à federação adotem as especificações, e é de se imaginar que o façam, diante do medo de sofrer ações judiciais como a que a Federação Americana teve que enfrentar.

As concussões precisam ser discutidas, mas a medida de se proibir cabeçadas parece exagerada, além de prejudicial para a formação dos pequenos atletas americanos, já que inibe o desenvolvimento de uma habilidade necessária para a disputa do jogo em alto nível. Passando um período considerável de sua formação com a proibição de cabecear pode acabar condicionando os garotos e garotas e mudando a maneira como atuariam mesmo em fases mais avançadas das categorias de base. Deve haver algum meio-termo mais sensato.

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Leo Escudeiro

Apaixonado pela estética em torno do futebol tanto quanto pelo esporte em si. Formado em jornalismo pela Cásper Líbero, com pós-graduação em futebol pela Universidade Trivela (alerta de piada, não temos curso). Respeita o passado do esporte, mas quer é saber do futuro (“interesse eterno pelo futebol moderno!”).

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