Elevando o nível
Assim como na maioria das outras ligas de esportes disputadas nos Estados Unidos, a grande fonte de jogadores para a Major League Soccer é o draft de atletas que saem do nível universitário. E tal como nos outros esportes, os ex-alunos estão chegando à MLS cada vez mais prontos para jogar e exercer papeis importantes logo em seu primeiro ano na liga.
O futebol universitário ainda não é um primor de esporte, mas sua qualidade e sua visibilidade estão aumentando visivelmente nas últimas temporadas. O nível de futebol jogado parece um pouco mais com o profissional, com pensamento de jogo mais semelhante ao que acontece no nível de cima. Não dá para não pensar em vencer, mas os programas das faculdades estão achando maneiras de também moldar os jogadores para um pulo para a profissionalização.
Em questão de visibilidade, o esporte também tem ganhado mais moral dentro dos Estados Unidos. “Em jogos bons, temos entre três e quatro mil pessoas no estádio. Em jogos ‘normais’, pouco mais de mil espectadores”, diz o brasileiro Lucas Baldin, que joga na University of South Florida, ranqueada a 4ª melhor do país no momento.
Além da questão de público, os jogadores também estão ficando mais acostumados com jogos transmitidos nacionalmente pela televisão. A ESPN americana sempre transmite o torneio final, mas outras redes estão se interessando mais pelo esporte e escolhendo boas partidas para levar aos seus assinantes.
O reflexo de tudo isso é que os jogadores estão chegando ao nível profissional mais preparados para lidar com a pressão, prontos para serem titulares e até chamar a atenção de clubes europeus logo após saírem das faculdades.
Um grande exemplo disso é Tim Ream. O New York Red Bulls selecionou o zagueiro com uma escolha de segunda rodada no draft de 2010 e impressionou bastante quem o viu na pré-temporada. Ream foi titular durante toda a temporada e foi um dos candidatos ao prêmio de novato do ano.
As boas atuações em seu primeiro ano renderam convocações para integrar a seleção americana e após manter o nível em uma boa segunda temporada, Ream foi contratado pelo Bolton Wanderers para ocupar o lugar de Gary Cahill, que havia se transferido para o Chelsea.
Na atual temporada, vários novatos têm se destacado bastante. Kelyn Rowe, do New England Revolution, conseguiu mostrar bom futebol, principalmente no início da temporada, mesmo com seu time em crise. Nick DeLeon, do D.C. United, é um meia que seguiu os passos de Ream e começou a ser importante para sua equipe, mesmo sendo escolhido na segunda rodada do draft.
Em Nova York, a situação da meta dos Red Bulls estava ameaçada. Mas Ryan Meara, escolhido também na segunda rodada, apareceu bem durante os treinamentos pré-temporada e fez um bom papel até ser tirado da temporada por uma lesão grave.
Kirk Urso era um volante que começou a se destacar pelo Columbus Crew, após liderar North Carolina ao título universitário no último. Mas o novato se machucou no início da campanha e morreu ao ficar inconsciente depois de beber, segundo testemunhas do acontecimento.
O destaque deste que escreve vai para o zagueiro Matt Hedges, que achou seu espaço na defesa do FC Dallas competindo com boas peças, incluindo George John, que estava cotado para ir para algum clube europeu na janela de janeiro. Hedges tem bom tempo de bola, posicionamento e aparece bem na área adversária em situações de bola parada.
A tendência é que os novatos fiquem cada vez mais prontos para entrar na liga depois de jogar por alguns anos em um sistema universitário que traga novos desafios. E parece que as faculdades, a mídia e os torcedores estão entendendo isso melhor e ajudando mais. Bom para o crescimento do futebol nos Estados Unidos e da MLS como uma liga respeitada no mundo.