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Contratar Gerrard é bom, mas MLS precisa aumentar a média salarial se quiser crescer

O Los Angeles Galaxy anunciou a contratação de Steven Gerrard nesta quarta-feira, que é mais um passo importante para a MLS. A cada contratação de uma estrela do futebol internacional, as expectativas sobre a liga aumentam. Só que o grande gargalo para que a liga cresça mais ainda está emperrado: a média salarial. Gerrard chega com salário de US$ 6 milhões por ano, mas a média da liga em 2014 foi de pouco mais de US$ 214 mil. Uma disparidade que se reflete em campo torna a MLS tecnicamente ainda muito pobre.

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A disparidade dos salários entre as estrelas e a maioria dos jogadores da liga é um dos grandes problemas para a MLS lidar. Do ponto de vista empresarial, como os americanos gostam de tratar os esportes, é um desafio grande. Com uma média salarial tão baixa, é difícil atrair – e segurar – jogadores de alto nível técnico. Todos os grandes jogadores da MLS são designados porque o teto salarial é baixo. Na MLS, cada time pode gastar até US$ 3,1 milhões com salários por ano e os jogadores têm teto salarial de US$ 387,5 mil, ou seja pouco mais de US$ 32 mil por mês.

No Los Angeles Galaxy, time de Gerrard, Robbie Keane e Landon Donovan são dois jogadores designados. O outro é o zagueiro Omar Gonzalez. Só é atraente chegar à MLS como jogador designado. Isso torna os times bastante desequilibrados, porque há jogadores de bom nível cercados de jogadores de nível bastante baixo – usando todo o eufemismo possível. Com isso, o nível técnico dos jogos está longe de ser atraente, especialmente para o público que se acostumou a assistir à Premier League (que tem maior audiência que a MLS).

Há uma chance de fazer isso já antes do início da temporada 2015. O contrato coletivo da liga com a MLSPU (Major League Soccer Player Union, equivalente ao sindicato dos jogadores) se encerra no dia 31 de janeiro. Tanto a liga quanto os representantes dos jogadores têm dito que as negociações, que começaram em dezembro, estão indo bem. O principal objetivo da MLSPU é aumentar os salários para a base da pirâmide, ou seja, para os jogadores da parte intermediária e da base da pirâmide.

Em abril de 2014, a entidade divulgou que a média salarial da MLS é de US$ 207.831, algo em torno de US$ 17,3 mil por mês (algo em torno de R$ 46 mil por mês).  Uma média de time pequeno no Brasil. Basta lembrarmos que alguns jogadores das categorias de base em grandes clubes ganham R$ 15 mil ou até R$ 30 mil em alguns casos. Para uma liga que quer estar entre as mais importantes do mundo até 2022, é preciso uma média maior. E é exatamente isso que a MLSPU está argumentando.

De acordo com a edição mexicana da Forbes, a média salarial da Liga MX, o Campeonato Mexicano, é quase o dobro da MLS (US$ 418.439 contra US$ 214.154). O vizinho, embora seja um país dos chamados em desenvolvimento, tem uma liga mais rica. “Você olha para os salários [da Liga MX] em comparação ao nosso e não está nem perto, mas a expectativa é que a nós sejamos competitivos contra esses caras e que ganhemos a Liga dos Campeões da Concacaf”, disse Todd Dunivant, um dos executivos da MLSPU. “Nossa seleção mostrou que nós estamos no nível, se não melhor, que o México. Agora é hora dos nossos clubes fazerem isso. Para conseguir, é preciso ser realista e saber que estamos competindo em campos completamente diferentes quando o teto salarial é duas ou três vezes maior que o nosso”, argumentou o dirigente. E ele tem razão.

O problema é que segundo o comissionário da MLS, Don Garber, a liga está perdendo cerca de US$ 100 milhões por ano. Por isso, o dirigente diz que a MLSPU precisa ser responsável em relação ao que vai pedir, porque qualquer aumento do gasto tem que ser atrelado a um aumento de receita.

O comissário acredita que o gasto responsável é o caminho, o que faz todo sentido. O problema é que se o teto salarial e principalmente a média de salários da liga não aumentar significativamente, será difícil para a MLS competir com os mercados externos, mesmo com os investimentos que faz em infraestrutura e formação de jogadores no plano interno.

Contratar jogadores como Gerrard certamente é um ponto positivo, gera interesse do público e aumenta a visibilidade da MLS. Por outro lado, com uma média salarial tão baixa, continuaremos tendo jogadores designados com salários de nível de grandes times europeus, mas companheiros de que não teriam nível para jogar nem nas divisões inferiores desses mesmos países. Parafraseando o dito popular, um só Gerrard não faz verão, mesmo na Califórnia.

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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