Carregando a bandeira

O ano de 2011 é o 16º ano da história da Major League Soccer. A liga já viu vários jogos importantes, como quinze finais, estréias de novos clubes e jogadores famosos. Mas, curiosamente, o jogo mais importante da história da MLS não acontecerá na própria competição. Nessa quarta, o Real Salt Lake enfrentará o Monterrey, valendo o título da Concacaf Champions League e uma vaga no Mundial de Clubes. E não faltam razões para achar que o Real pode conseguir isso.
No primeiro jogo da final, o Monterrey dominou o jogo, criou mais chances e esteve à frente no placar por duas vezes. Mas o Real soube aproveitar muito bem suas chances e conquistou um empate por 2 a 2, devido ao golaço de Javier Morales, que deixou o placar igual perto do fim do jogo. O argentino e o goleiro Nick Rimando foram as peças principais na busca pelo empate. Com isso, o Real Salt Lake pode ser campeão mesmo sem empatar por 0 a 0 ou 1 a 1.
Aí nós vamos a outro ponto. E ele se chama Rio Tio Stadium. O estádio, conhecido como “The Fortress” (A Fortaleza, em português), é uma das maiores forças do Real. Normalmente, 20000 pessoas enchem o RioT, fazendo com que a atmosfera seja bastante desafiadora para os adversários. Os números mostram o quão difícil é vencer em SLC. A última derrota do Real em casa foi em 2009, fazendo com que o time chegue a essa final invicto em casa há 34 jogos oficiais. E durante essa invencibilidade, o Real não tomou mais que dois gols nenhuma vez (um empate por 3 gols poderia dar o título ao Monterrey).
Nenhum time da MLS é tão talentoso e eficiente quanto o Real. Jason Kreis, um dos melhores jogadores da história da liga, provou que também pode ter um lugar na história como um dos melhores técnicos da MLS, mesmo saindo praticamente direto do campo para o banco. Tudo o que o time faz é na base do trabalho duro e da coletividade. É como dizem as letras garrafais no vestiário do RSL, “The team is the star” (O time é a estrela, em português). A qualidade do time e o cansaço da viagem de volta após a semifinal contra o Saprissa fez com Kreis escalasse um time com vários reservas para um jogo contra o New England, pela MLS. Durante a vitória por 2 a 0, fora de casa, não parecia que a maioria daqueles jogadores não tinha tanta experiência na liga.
O grande problema para o Real é que Kyle Beckerman, capitão e alma do time, como descreve o dono do clube, ficará fora da final por ter recebido o 2º cartão amarelo em um possível erro da arbitragem. O substituto natural de Beckerman seria o volante haitiano Jean Alexandre, mas pela pouca experiência que Alexandre tem, Kreis deve escalar Ned Grabavoy na posição e voltar com Andy Williams para um dos lados do famoso losango formado pelos meias do Real.
DC United e Los Angeles Galaxy já ganharam a antiga Concacaf Champions League, mas nada que seja realmente comparável com a chance que o Real tem. Na época, apenas 8 times jogavam a competição. Agora são 24 e em um formato bastante parecido com o da Liga dos Campeões da Europa, o que deixa a competição muito mais difícil. Além disso, a vaga no Mundial de Clubes era algo que não era oferecido na época em que os outros dois conquistaram a competição continental.
Quando o Real Salt Lake entrar no campo do Rio Tinto Stadium amanhã à noite, o time não carregará apenas a bandeira do clube, ou a da cidade, ou a do estado. Mas levará a bandeira da MLS inteira e dos Estados Unidos. Parafraseando uma das frases mais famosas de Galvão Bueno, o Real Salt Lake é os Estados Unidos na Concachampions.
Confira os resultados da 6ª semana da MLS
DC United 0x4 New York Red Bulls
NY: Thierry Henry (12’, 38’), Joel Lindpere (76’), Juan Agudelo (90’)
Colorado Rapids 0x1 Seattle Sounders
SEA: Fredy Montero (19’)
San Jose Earthquakes 1×2 Chivas USA
SJ: Chris Wondolowski (16’) / CHV: Alejandro Moreno (45’), Mariano Trujillo (85’)
Toronto 1×1 Columbus Crew
TFC: Tony Tchani (41’) / CLB: Edgar Rentería (49’)
Vancouver Whitecaps 1×2 Dallas
VAN: Alain Rochat (25’) / DAL: George John (53’), Eric Avila (83’)
New England Revolution 3×2 Sporting Kansas City
NE: Marko Perovic (12’), Sharlie Joseph (72’), Rajko Lekic (83’) / SKC: Kei Kamara (14’, 69’)
Chicago Fire 1×1 Houston Dynamo
CHI: Diego Chaves (18’) / HOU: Bobby Boswell (83’)
Los Angeles Galaxy 3×0 Portland Timbers
LA: Chad Barrett (4’), Landon Donovan (8’, 67’)



