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Americanos têm motivos para se empolgar com Beckham sendo dono de time da MLS

Os americanos que gostam de futebol e, especificamente, que gostam da MLS (acredite, nem todos que gostam de futebol por lá acompanham a liga), têm motivos para ficarem empolgados. A entrada de David Beckham como dono de um time em Miami é um bom sinal para a liga e tem tudo para ser mais um passo na direção do seu fortalecimento. E não é só pela imagem e fama mundial do ex-capitão da seleção inglesa. Já falamos sobre como a MLS tem pensado em um crescimento sustentável e planeja estar entre as melhores ligas do mundo em 2022. A entrada de Beckham é só o mais recente desses sinais.

O anúncio de um time em Miami com Beckham ao lado do comissionário da MLS, Don Garber, e o prefeito de Miami, Carlos Gimenez, que fez questão de dar todo apoio político à chegada do astro e do futebol à cidade. A escolha de Miami não seguiu os protocolos normais da MLS. Com o Orlando City, por exemplo, foi preciso que o time tivesse todas as garantias que o estádio seria construído. Foi uma articulação que levou meses e muita burocracia. No caso de Beckham, o anúncio antes de tudo isso faz sentido porque só a presença do seu nome já levanta muito interesse de empresas que facilitam a viabilização do estádio, com garantias financeiras. Doze empresas já mostraram interesse em serem parceiras comerciais do novo time.

Apesar da empolgação, a questão burocrática precisará ser resolvida e, mesmo com a boa vontade dos dirigentes, não será simples. Abaixo, falamos sobre como está articulado o time e como o grupo de investimento Beckham Miami United pretende transformar Miami em mais uma cidade com futebol.

O pensamento a longo prazo

Beckham, como jogador que foi da MLS, exerceu a opção de comprar uma franquia na liga com desconto de US$ 25 milhões. Considerando que o preço para entrar na MLS é algo em torno de US$ 70 milhões, valor pago pelo Orlando City para entrar na liga, é um bom desconto.

O mais interessante é que Beckham tinha a opção se tornar um dono de time da MLS quando parasse de jogar desde que assinou contrato com o Los Angeles Galaxy, em 2007. O fato de ele ter pensado nisso há tanto tempo e ter feito essa opção é um sinal que a MLS é um negócio atraente. E ser um negócio atraente em um esporte nos Estados Unidos significa potencial de crescimento e fortalecimento.

Um dos sócios do ex-jogador é Simon Fuller, criador do programa “American Idol” e outro é Marcelo Claure, um empresário de Miami, dono de uma empresa de distribuição de tecnologia wi-fi. Fuller inclusive deu declarações sobre os planos de Beckham em 2007.

“Eu lembro das minhas conversas com David em 2007. A visão era David jogar nos Estados Unidos para ajudar o esporte que ele ama a crescer em popularidade. Era central para os nossos planos um dia David ter o seu próprio time. Aqui estamos nós, em fevereiro de 2014 em Miami, o sonho é agora uma realidade e o comprometimento para crescer o esporte que ele ama continua”, disse Filler, em comunicado à imprensa.

Estádio e dinheiro publico

Há dois problemas em relação ao estabelecimento do time de Miami. Uma delas é a falta de interesse do público da Flórida em ir aos estádios. O Miami Dolphins, da NFL, sofre com a falta de público. Algo que também afeta o Orlando Magic, o Miami Heat, ambos da NBA, e o Miami Marlin, da MLB. E em esportes americanos, mais do que no resto do mundo, bilheteria é força financeira. Por isso, o envolvimento do poder público na construção ou ampliação dos ginásios e estádios causou muita controvérsia nos últimos anos. Em matéria do Extratime de junho de 2013, o Extratime falou de como a Flórida deve demorar a chegar a um Super Bowl novamente.

A Flórida gastou uma boa grana para reforçar o ginásio do Orlando Magic para manter Dwight Howard no time. Foi um fracasso. Na MLB, o Florida Marlin, que virou Miami Marlin, também quis dinheiro para reformar o seu estádio, e a aprovação e construção de um estádio causou uma grande crise para os políticos na cidade.

O técnico deu uma declaração polêmica apoiando Fidel justamente em Little Havana, um lugar onde os cubanos erradicados em Miami o odeiam. Mesmo contratando algumas estrelas, o time foi mal e se desfez no ano seguinte, além de ter criado uma grande antipatia com o público. O time tem a segunda pior média de pública da MLB, com 19.584 pessoas por jogo. O Extratime fez uma matéria sobre esse caso do Miami Marlins.

Por isso, Beckham fez questão de dizer na apresentação que não quer dinheiro público e o estádio será construído com recursos dos sócios. Como o estádio é uma questão crucial para a MLS, será preciso agilizar a burocracia e fazer o dinheiro – que não é pouco. Segundo o Miami Herald, o astro inglês quer construir o estádio na costa na baía Biscayne. Só que o plano não é simples e a confirmação de Miami na MLS só virá quando o plano do estádio for efetivamente assinado. Com isso, o time só deve entrar na MLS em 2017. Não haverá mesmo dinheiro público, mas só na construção. O terreno onde se estuda a construção é do governo e o grupo de Beckham pretende entrar em um acordo com a prefeitura.

Mais do que isso, quer também contrapartida fiscal, como os times de outras ligas conseguem para construção do estádio. Algo parecido com o que o Corinthians, o Grêmio, o Inter e o Atlético Paranaense conseguiram para construir seus estádios no Brasil. “Haverá uma certa parcela de fundos disso [abatimento fiscal], sim, mas a construção do estádio será financiada por dinheiro privado”, afirmou Beckham na entrevista desta quarta-feira.

Internacionalização

Beckahm tem planos bastante audaciosos. “Haverá algumas dificuldades no caminho, mas nós faremos o time em Miami não só o melhor time dos Estados Unidos, faremos o time ser global”, disse o ex-jogador. Com Beckham no comando de um time, fica mais fácil atrair jogadores de melhor nível para o time. E uma estrela internacional será importante para que o time de Miami comece chamando a atenção quando entrar na liga, seja em 2016, seja em 2017.

O projeto é ambicioso e não parece que Beckham entraria nessa para perder. Então, é muito provável que tenhamos um plano de estádio em breve para Miami e, cada vez mais, a MLS deve ganhar as manchetes pelo mundo. Tecnicamente, a liga está longe do que precisa. A formação de jogadores é fraca, a transição para o profissional também, pelas diferenças com outros esportes americanos. Há muito o que fazer se a MLS quiser chegar ao alto nível que sonha. Mas os sinais que passa é que está no caminho certo.

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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