Espanha

Xiii, ferrou para a Espanha!

Sempre que há uma competição importante de seleções, recai sobre a Espanha o peso da fama, nada abonadora, de sempre chegar com a expectativa de fazer uma boa campanha e acabar decepcionando. O time de 2008 realmente dá esperança de que tal sina pode acabar. Mas já surgem evidências de que isso pode, mais uma vez, ocorrer.

O problema aí não é a Espanha. A Fúria, até agora, fez tudo direitinho. Ainda que tenha sofrido mais que o necessário contra a Suécia, o futebol apresentado convence e é competitivo. Sobretudo pela dupla de ataque Villa-Fernando Torres, que conseguiu tirar do forte meio-campo a condição de protagonista. O duro é ter pela frente a Itália.

Por mais que esteja titubeante, tenha perdido de maneira contundente para a Holanda e tenha empatado sem convencer com a Romênia, a Azzurra é o pior adversário que os espanhóis poderiam ter pela frente. Projetando o estilo de jogo dos dois times, as características dos jogadores e o momento pelo qual as equipes passam, o “encaixe” favorece a Itália.

A grande arma dos italianos é unir marcação forte, talentos capazes de decidir uma partida e a convicção de que, nos momentos decisivos, o time cresce. Desse modo, a Azzurra não deve se sentir inferiorizada diante do bom futebol da Espanha. Primeiro passo para tirar a autoconfiança dos ibéricos e construir a vitória.

Outro obstáculo é a filosofia de jogo dos italianos. A Azzurra se sente particularmente confortável quando enfrenta equipes que tomam a iniciativa, mas que não têm uma defesa das mais seguras. Em contra-ataques ou mesmo no avanço da linha de meio-campo, os italianos tiram proveito de adversários com menos volume de jogo e com ataque pouco incisivo.

Romênia, França e até a Holanda seriam mais adequadas à Espanha. Essas três equipes jogam de modo mais aberto, o que permitiria à Fúria empregar melhor seus talentos do meio para a frente. Seriam jogos abertos e de várias alternâncias. Contra a Itália, a perspectiva é de os espanhóis se sentirem desconfortáveis com a dificuldade de impor seu jogo.

Claro que a Espanha não está eliminada por antecipação. Apenas será mais difícil. Se Villa, Fernando Torres, Xavi, David Silva e Iniesta estiverem em uma noite inspirada, os ibéricos podem – como a Holanda fez – impor um jogo muito intenso e desnortear a defesa italiana. Outra possibilidade é levar a uma situação em que o jogo se arraste e uma jogada fortuita define o vencedor. Essa dinâmica costuma favorecer os italianos, mas abre a possibilidade de a Espanha vencer em um momento de sorte.

Seria uma pena se a Espanha caísse cedo. Desta vez, a equipe realmente é boa e tem talento para passar das quartas-de-final. Ainda que essa geração esteja realmente no auge na Copa de 2010, a possibilidade de quebrar um pouco o histórico negativo da Fúria é considerável.

Numancia, Málaga e Sporting Gijón

No último fim-de-semana foram conhecidos os dois últimos promovidos à elite espanhola. E ocorreu o que se esperava: Málaga e Sporting Gijón subiram, Real Sociedad ficará mais um ano na segundona.

A rodada decisiva não teve grandes sustos. O Sporting venceu em casa o Eibar (2×0) e o Málaga fez 2 a 1 no Tenerife, também em casa. Com duas vitórias tranqüilas dos times que dependiam apenas de si, à Real Sociedad coube levar o jogo até o final. Os donostiarras até fizeram 1 a 0 no Córdoba, mas cederam o empate diante do desânimo que tomou conta do time no intervalo.

O Numancia subiu com folga. Os sorianos nem tinham expectativa de fazer uma grande campanha. Sem dinheiro, os numantinos apostaram no reaproveitamento dos jogadores que já estavam no clube e a chegada de alguns reforços pouco extravagantes. Por isso, muito do mérito do título recai sobre o técnico Gonzalo Arconada (irmão de Luis Miguel, ex-goleiro da seleção espanhola). Dando ênfase à defesa (foi a segunda melhor da segunda divisão, atrás apenas da do Castellón), o treinador deu estabilidade e confiança ao elenco, que se soltou ofensivamente epasosu a dominar a classificação.

Pela regularidade na campanha, andaluzes e asturianos mereceram a promoção. Até porque mostraram um bom trabalho em condições adversas, sobretudo a falta de dinheiro. O Málaga apostou em jogadores desconhecidos e teve uma base bastante sólida, com o goleiro Goitia, a dupla de zaga Hélder e Weligton, o meia Carpintero e o atacante Hidalgo. Os veteranos Sandro e Valcarce deram unidade e experiência à equipe, que pôde deixar de lado os mais conhecidos Arnau e Salva, ambos reservas.

O Sporting teve destaques mais discretos. Canella, Diego Castro, Roberto e Barral eram os pilares da equipe. No entanto, o time só passou a empolgar no segundo turno, com a chegada do atacante croata Bilic. A partir daí, os asturianos tiveram um homem de confiança na frente, alguém para resolver os jogos decisivos. E isso até ocorreu, com o balcânico marcando o golq eu assegurou a promoção.

Apesar da alegria e empolgação com a promoção, o trio de caçulas precisará reforçar bastante o time para disputar a primeira divisão. Ao contrário de Valladolid e Almería na temporada passada, em que se via que havia um grupo em condições de fazer uma campanha mediana entre os grandes, Numancia, Sporting Gijón e Málaga têm equipes com perfil muito claro de segunda divisão. Se arriscarem com os grupos atuais na elite, a chance de sucesso é bem pequena.

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Equipe Trivela

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