Xavi evita criticar Vinícius Júnior e fala sobre liberdade na comemoração de gols: “É um ato de euforia”
Técnico do Barça preferiu adotar uma linha diferente sobre a irreverência do craque brasileiro
O ser humano não precisa ser muito brilhante para concluir que, dentro do futebol, as comemorações são parte do espetáculo e da alegria do atleta que marca um gol. Na última semana, a Espanha voltou sua atenção para o comentário racista feito por um jornalista sobre Vinícius Júnior, a quem acusou de “fazer macaquices” em suas celebrações. Felizmente, o esporte se mobilizou para que o brasileiro não fosse execrado por fazer algo que é e sempre foi corriqueiro.
Às vésperas do jogo entre Real Madrid e Atlético, o dérbi já está salpicado de polêmica depois que o capitão colchonero, Koke, afirmou que as dancinhas de Vini não serão aceitas pela torcida no Metropolitano. Embora o próprio Koke tenha um colega que é famoso por fazer literalmente a mesma coisa que Vini, o discurso muda um pouco quando é o seu rival sendo feliz. Fora desse contexto e com problemas maiores para lidar, Xavi, comandante do Barcelona, se manifestou de forma a defender o brasileiro e seu caráter desinibido. Para o treinador, a discussão parece um tanto exagerada.
“Cada um comemora como quiser, [o gol] é um ato de euforia. Eu sempre preferi comemorar com meus companheiros, porque vejo o futebol como um jogo coletivo. Então, se marcava, era graças aos companheiros. O primeiro que vinha me abraçar era o que estava mais perto, seja por timidez ou por prudência. Desde que não falte ao respeito, cada um faz o que quer”, comentou Xavi em entrevista coletiva antes da partida contra o Elche, por La Liga.
Danças após gols nunca foram um problema tão grande para o mundo do futebol quando os protagonistas eram jogadores brancos ou europeus como Antoine Griezmann, do Atleti, que tem o hábito de incorporar comemorações vindas do jogo Fortnite. A eles, está reservada uma aura de irreverência e inocência.
Atletas como Vini, ou mesmo Ronaldo Fenômeno (que teve de se desculpar por imitar uma barata contra o Alavés em 2005), por outro lado, são vistos por certas pessoas como palhaços, provocadores, desrespeitosos. A diferença na avaliação costuma ser a etnia. Existe um padrão bem claro na atitude de quem se ofende com Vini e Ronaldo, mas aplaude Griezmann. Sabemos bem o nome disso.



