Espanha

‘Não sabia que ia treinar num jardim de infância’: O desabafo que expôs Xabi Alonso no Real Madrid

Treinador, que chegou com moral ao substituir Ancelotti, foi demitido do clube após seis meses

Xabi Alonso deixou o Real Madrid na última segunda-feira (12), mas o desgaste que levou à sua saída começou semanas antes. Já no início de novembro, o clima em Valdebebas indicava um afastamento progressivo entre o treinador e o elenco. Nos bastidores, a relação se mostrava cada vez mais fria, e a convivência diária apenas acentuava tensões que, com o tempo, se tornaram difíceis de administrar.

Esse clima ficou explícito em um episódio revelado pelo jornal “Marca”. Durante uma sessão de treino, Xabi perdeu o controle e disparou: “Eu não sabia que ia treinar num jardim de infância!”.

A frase não soou como uma cobrança pontual ou uma bronca calculada, mas como um desabafo carregado de frustração, esgotamento e impaciência diante da postura do grupo merengue.

A irritação do jovem treinador não era recente. Havia um incômodo constante com a falta de adesão dos jogadores às exigências que ele buscava implementar, sobretudo no aspecto tático. A resistência se manifestava em olhares atravessados, atitudes displicentes e comentários sussurrados durante as atividades.

Quando Xabi verbalizou o que vinha acumulando havia semanas, expôs uma ferida interna no elenco — uma fissura que jamais se fechou e que acabaria acelerando sua saída do clube.

Jogadores do Real Madrid não gostavam do treino de Xabi Alonso

Nos bastidores, a insatisfação do elenco também passava pela rotina de treinos. Os jogadores avaliavam as sessões táticas como excessivamente desgastantes e reclamavam do volume de informações repassadas a cada atividade. A sensação era de sobrecarga: muitas orientações, correções constantes e pouco espaço para assimilar tudo de forma natural.

E esse rigor não se limitava a Xabi Alonso. Segundo o “Marca”, o método era compartilhado com sua comissão técnica, que acabou entrando no alvo das críticas internas. Sebas Parrilla, um de seus principais auxiliares, simbolizava esse incômodo. Para parte do elenco, havia gente demais orientando, observando cada movimento e interferindo a todo momento, o que gerava desconforto e minava a fluidez do trabalho diário.

Com o passar do tempo, o ambiente em Valdebebas tornou-se pesado, e o desgaste acumulado começou a cobrar seu preço.

Do outro lado, Xabi enxergava o cenário de forma oposta. O calendário apertado — com a disputa do Mundial de Clubes e um retorno quase imediato às competições, praticamente sem pré-temporada — reduziu drasticamente o tempo disponível para implantar sua ideia de jogo. Na visão do treinador, havia muitas falhas a corrigir e mudanças urgentes a serem feitas, o que tornava cada minuto de treino precioso.

Consciente de que a equipe estava distante do nível que ele idealizava, Xabi tentou acelerar o processo ao máximo. No entanto, a intensidade do trabalho e a introdução rápida de novos conceitos entraram em choque com a capacidade de adaptação do plantel.

A desconexão cresceu dia após dia. “Alonso estava insatisfeito com os seus jogadores e os jogadores estavam insatisfeitos com ele”, destacou o jornal.

Xabi Alonso e Camavinga durante treino do Real Madrid
Xabi Alonso e Camavinga durante treino do Real Madrid (Foto: Imago)

- - Continua após o recado - -

Assine a newsletter da Trivela e junte-se à nossa comunidade. Receba conteúdo exclusivo toda semana e concorra a prêmios incríveis!

Já somos mais de 4.800 apaixonados por futebol!

Ao se inscrever, você concorda com a nossa Termos de Uso.

Nome de Arbeloa parece bem aceito no vestiário

Em meio ao desgaste interno, outro elemento passou a ganhar força nos corredores de Valdebebas. De forma ainda informal, o nome de Álvaro Arbeloa começou a circular entre os jogadores como uma alternativa possível para o comando da equipe. À época, a ideia surgia mais como comentário de bastidor do que como movimento concreto, mas revelava o grau de desconexão já instalado entre elenco e comissão técnica.

A presença frequente de Arbeloa no dia a dia do time principal ajudou a alimentar essa percepção. À frente do Castilla, ele acompanhava treinos, mantinha contato constante com o grupo profissional e, aos poucos, passou a ser visto pelos jogadores como alguém alinhado à cultura do clube e mais próximo do vestiário. Internamente, o próprio Real Madrid já observava esse ambiente, seja para medir reações, seja para avaliar cenários futuros.

Enquanto isso, o contexto esportivo se deteriorava. Os resultados deixaram de aparecer, a confiança foi abalada e a sensação de instabilidade tomou conta do clube. Em um primeiro momento, o elenco tentou se fechar em torno de Xabi Alonso, prometendo reação e comprometimento, mas a ruptura interna já estava consumada.

A Supercopa acabaria simbolizando o desfecho desse processo, mas o caminho até ali já estava traçado havia semanas. Em comum acordo, então, Alonso deixou o Madrid — e Arbeloa assumiu.

Foto de Guilherme Calvano

Guilherme CalvanoRedator

Jornalista pela UNESA, nascido e criado no Rio de Janeiro. Cobriu o Flamengo no Coluna do Fla e o Chelsea no Blues of Stamford. Na Trivela, é redator e escreve sobre futebol brasileiro e internacional.

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo