Futebol espanhol

Rooney: ‘Eu teria adorado jogar no Barcelona. Havia uma pequena possibilidade’

Ídolo do Manchester United conta que chegou a considerar uma mudança para a Espanha durante momento turbulento em Old Trafford

Wayne Rooney deixou o Manchester United em 2017 como maior artilheiro da história do clube, mas sua trajetória em Old Trafford poderia ter seguido outro caminho. Aos 40 anos, o ex-atacante revelou que gostaria de ter defendido o Barcelona e afirmou que chegou a existir uma possibilidade de transferência durante seu período na Inglaterra.

Em entrevista ao canal “The United Stand”, Rooney voltou a um dos grandes “e se?” de sua carreira. O inglês, que marcou 253 gols pelo United e 53 pela seleção da Inglaterra ao longo da carreira, contou que teve interesse em vestir a camisa do Barcelona, especialmente pela possibilidade de fazer parte de uma equipe que, sob o comando de Pep Guardiola, marcou uma era no futebol europeu.

— Eu teria adorado jogar pelo Barcelona. Havia uma pequena possibilidade, mas acho que financeiramente foi difícil para eles.

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A declaração ganha peso quando colocada no contexto da carreira de Rooney. Ele chegou ao Manchester United em 2004, aos 18 anos, e permaneceu no clube até 2017. Nesse intervalo, tornou-se uma das principais referências ofensivas dos Red Devils, conquistou cinco títulos da Premier League e levantou a Champions League em 2008. Também esteve em campo nas duas finais europeias perdidas justamente para o Barcelona, em 2009 e 2011.

Foi diante daquele Barça dominante que Rooney passou a imaginar como seria atuar do outro lado. O time de Guardiola venceu o United nas duas decisões e apresentava um modelo de jogo no qual a movimentação dos atacantes era parte central da estrutura. Para Rooney, seu perfil poderia ter se encaixado naquele futebol.

— O Barcelona nos venceu na final da Champions e eles não tinham um camisa 9 de referência. Acho que teria sido fácil jogar naquele time, e eu teria me encaixado perfeitamente.

Crise no United abriu espaço para uma possível saída de Rooney

Rooney quase deixou o Manchester United em 2010
Rooney quase deixou o Manchester United em 2010 (Foto: Phillip Oldham / Newscom World / IMAGO)

A possibilidade mencionada por Rooney precisa ser relacionada a um dos momentos mais turbulentos de sua passagem por Manchester. Em outubro de 2010, quando tinha 24 anos, o atacante tornou pública a intenção de não renovar seu contrato e colocou em dúvida o futuro do clube. O problema não era apenas esportivo: Rooney queria garantias de que o United continuaria capaz de contratar jogadores de alto nível e disputar os principais troféus.

Naquele período, o clube ainda lidava com as consequências da saída de Cristiano Ronaldo para o Real Madrid, em 2009, além da transferência de Carlos Tévez para o Manchester City. A equipe havia perdido duas peças importantes e não conseguira substituí-las imediatamente por nomes de impacto semelhante. Rooney, então, questionava se o projeto comandado pelos Glazers teria força financeira para manter o United entre os candidatos aos maiores títulos.

Em agosto de 2010, Rooney e seu empresário, Paul Stretford, já haviam iniciado conversas com os Red Devils sobre um novo contrato. O atacante buscava garantias de que o clube continuaria sendo protagonista na brigas pelos campeonatos. Dois meses depois, após não receber as respostas que esperava, comunicou que não pretendia renovar e colocou em dúvida o futuro esportivo da equipe.

O episódio mergulhou o United em uma das maiores turbulências da era Ferguson. O treinador ficou decepcionado com a decisão e contestou a situação, enquanto Rooney sustentava que suas dúvidas estavam ligadas às perspectivas esportivas do clube.

Com a decisão de deixar Old Trafford, o atacante passou a ser associado a gigantes europeus como Real Madrid e Barcelona, embora esses destinos fossem tratados naquele momento mais como possibilidades do que como negociações concretas.

A crise, porém, terminou rapidamente. Dois dias depois de anunciar que não pretendia renovar, Rooney mudou de posição, pediu desculpas a Ferguson, aos companheiros e aos torcedores e assinou um novo contrato de cinco anos com o United. A reviravolta encerrou a possibilidade de uma saída imediata e manteve o atacante em Old Trafford, onde ele continuaria a construir a trajetória que o transformaria no maior artilheiro da história do clube.

Barcelona escolheu David Villa, e Rooney ficou em Manchester

Rooney e David Villa em ação durante final da Champions League
Rooney e David Villa em ação durante final da Champions League (Foto: Pro Shots / IMAGO)

A lembrança feita agora pelo inglês também ajuda a dimensionar o caminho que não aconteceu. O Barcelona buscava soluções para seu ataque durante aquele período e acabou contratando David Villa, que deixou o Valencia em 2010. O espanhol se juntou a um time que já contava com Lionel Messi, Pedro, Andrés Iniesta e Xavi, sob o comando de Guardiola.

Rooney, por sua vez, permaneceu no Manchester United e viveu alguns dos melhores anos de sua carreira. Em 2010/11, terminou a temporada como campeão inglês e levou o clube novamente à final da Champions League. A decisão, contudo, terminou com outra vitória do Barça, desta vez por 3 a 1 em Wembley. Villa marcou um dos gols da equipe catalã, e Rooney anotou o tento solitário dos Red Devils.

Foto de Guilherme Calvano

Guilherme CalvanoRedator

Jornalista pela UNESA, nascido e criado no Rio de Janeiro. Cobriu o Flamengo no Coluna do Fla e o Chelsea no Blues of Stamford. Na Trivela, é redator e escreve sobre futebol brasileiro e internacional.

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