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Veja quais clubes são opção para Kaká deixar o Real Madrid

Kaká decidiu sair do Real Madrid. Depois de três temporadas consecutivas amargando a reserva, o brasileiro declarou sua vontade de sair do clube depois da vitória por 4 a 0 contra o Deportivo La Coruña, pelo torneio amistoso Teresa Herrera, em jogo que marcou dois gols. O seu pedido de sair vem muito tarde, já que a janela de transferências fecha na segunda-feira, mas ainda a tempo de conseguir um clube para jogar. Só tendo garantia de jogar com frequência Kaká terá chance de voltar à Seleção Brasileira e vir à Copa do Mundo de 2014. Com pouco tempo para que tudo seja acertado, Kaká e Real Madrid precisarão tomar decisões importantes rapidamente.

“Quero ir. Acredito que agora é o momento adequado para mim e para o clube sair de forma amigável. Falei com Ancelotti e com o clube, todos sabem. Meu pai está conversando com o clube para tentar resolver essa situação. As coisas agora estão difíceis para mim na equipe e o clube sabe o que eu desejo. É minha obrigação trabalhar e seguir treinando, mas meu pai está trabalhando para ver se sair alguma coisa. Acredito que é o melhor para mim e para o clube”, disse Kaká depois do jogo na Galícia, onde marcou dois gols.

Kaká não é, há muito tempo, o jogador que ganhou o prêmio de melhor do mundo em 2007. Aliás, é difícil saber que jogador é Kaká hoje. Os jogos pela Seleção Brasileira com Mano Menezes, foram animadores, mas ele nunca conseguiu ter uma sequência assim no Real Madrid. Chegou a aparecer na convocação de Felipão, fez um jogo razoável e não voltou mais. Porque ninguém espera nada razoável de Kaká. Até porque isso outros jogadores podem oferecer.

Com Kaká declaradamente no mercado, surgem então algumas perguntas: quanto o Real Madrid irá pedir pelo brasileiro, que clubes se interessam, quais clubes Kaká se interessa em jogar e quanto ele aceita diminuir o salário, atualmente € 9 milhões anuais. A Inter, por exemplo, ofereceu € 4,5 milhões por ano para contratar Eto’o, que preferiu ir para o Chelsea. Na Itália, o maior salário é de € 6 milhões. Segundo a Gazzetta dello Sport, o jogador está disposto a diminuir o seu salário para € 5 milhões por ano.

Esse é o ponto fundamental que complica a possibilidade de volta ao Brasil, a não ser que Kaká abrisse mão de parte considerável do salário. Um salário de R$ 700 mil mensais, por exemplo, é alto para os padrões brasileiros, mas é possível. Só que isso significaria menos de € 3 milhões anuais – menos de um terço do que o brasileiro ganha atualmente.

Com Kaká em baixa, o Real Madrid não terá condição de pedir os € 20 milhões que pediram nas últimas janelas de transferências pelo meia. Talvez um valor pouco acima de € 10 milhões já seria o limite e, ainda assim, uma aposta. Uma boa aposta válida, mas uma aposta. E por um preço como € 12 milhões, o número de clubes capazes de contratá-lo é razoavelmente grande. O que leva à outra questão.

Com o tempo escasso para o fechamento da janela de transferências, é possível, e até provável, que surjam propostas de times periféricos, como um Valencia, Monaco ou até um time médio inglês. Kaká não parece inclinado a aceitar uma proposta desse tipo. Então, as opções devem ser mais restritas. E há possibilidades razoáveis de ter propostas de times maiores – mas dificilmente um time de topo da Europa. Tanto Kaká quanto o Real Madrid.

Com base no que já aconteceu no mercado atual, elaboramos onde Kaká poderia se encaixar, claro, guardando alguma relação com a realidade. Como é razoável pensar que Kaká quer jogar em bom nível e tentar ir para a Copa do Mundo, excluímos a possibilidade de mercados periféricos, como a Ásia ou os Estados Unidos e também não colocamos times brasileiros, porque a janela para clubes daqui contratarem um jogador do exterior já fechou. Vamos às opções:

Milan

O clube onde viveu a sua melhor fase na carreira, ganhou títulos, foi eleito o melhor do mundo e se tornou mundialmente famoso. Como é ídolo por lá e o clube está em baixa, trazer Kaká pode ser uma contratação de impacto, que anime o time. Sem falar que é uma posição carente, tanto que o time está tentando a contratação de Keisuke Honda, do CSKA Moscou. Como a negociação está travada, colocar o foco em trazer Kaká de volta pode ser uma boa opção. Para Kaká, seria o cenário ideal: torcida que terá paciência com ele, um time que precisa de alguém na sua posição e um clube que ele conhece bem como funciona.

Arsenal

Em uma situação normal, o Arsenal precisaria de um jogador mais reconhecidamente em boa fase que Kaká, que vem em baixa. Mas como até agora os Gunners não conseguiram contratar ninguém, Kaká pode ser uma boa opção, mais barata que os alvos de Wenger como Higuaín, Suárez e Rooney, e com algum potencial de dar certo. Pela situação, o Real Madrid não terá como pedir alto e Kaká passa a ser uma esperança. Pode ser uma dupla chance: para o Arsenal, de ter um jogador capaz de ir além do que Rosicky faz (que, convenhamos, é só razoável) e para Kaká, que terá que provar que é capaz de ser importante e decisivo.

Liverpool

Os Reds procuram um meia ofensivo, tanto que foram atrás de Willian, mas não conseguiram sucesso. Se especulou Eriksen, que deve fechar com o Tottenham. A posição é a mesma de Kaká, que até em características pode ser comparado com esses dois outros jogadores, embora, evidentemente, em uma fase pior e menos confiável a essa altura da carreira. Além disso, a política de contratação de Brenda Rodgers é levar jovens. Mas, ao mesmo tempo, contratou Iago Aspas, um jogador de 27 anos que, até aqui na carreira, não teve grandes momentos. Kaká poderia ser na mesma linha, aos 31 anos.

Seja qual for sua opção, Kaká deve pensar em jogar. É o que ele precisa para mostrar qual é o seu nível atualmente. Sem se machucar há dois anos, o problema do meia não são mais as lesões, embora o físico possa até não ser o mesmo de antes. Em qualquer uma dessas opções acima, é provável que ele tenha sequência para esquecer os três anos no banco do Real Madrid. Se ele se recuperar, a Seleção Brasileira pode ganhar uma boa opção.

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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