La masía. Até o final da década de 1990, o termo significava “casa da fazenda” em catalão. Mas isso mudou desde que o resolveu pegar uma das tantas casas de fazenda da Catalunha e transformar no edifício principal de seu centro de treinamento para as categorias de base. Desde então, falar em “La Masía” é falar de um lugar quase mítico, que produz ininterruptamente craques de nível internacional e fará o mundo do futebol se curvar ao modo catalão de jogar.

É um enorme elogio ao trabalho exemplar feito pelos blaugranas, um trabalho que virou referência mundial. Mas é ingênuo achar que da Casa da Fazenda sairão craques como Messi ou como a linha de produção de uma indústria. Seria até menosprezar o valor da equipe atual, que é uma das melhores de todos os tempos justamente porque não é todo dia que surge um grupo nesse nível.

O Barcelona tem o mérito de fazer o que é provavelmente o melhor trabalho de categorias de base do mundo. Dá formação humanística, técnica e tática, faz os jogadores crescerem dentro de uma filosofia que permitirá a eles se insirerirem no profissional com mais facilidade e, acima de tudo, dão realmente oportunidades para os garotos promissores jogarem. Esse projeto aumenta sempre a chance de formar grandes jogadores, que formarão grandes times. Mas há uma diferença entre ter chances razoáveis de fazer algo e conseguir fazê-lo. E parte dessa diferença está, inclusive, na sorte.

A fábrica barcelonista produziu a estrutura central do atual, com Puyol, Piqué, Xavi, Iniesta e Messi (não incluo Valdés por não ser um jogador tão fundamental tecnicamente, nem Fàbregas porque finalizou seu desenvolvimento no Arsenal). Os caçulas desse grupo são Messi e Piqué, ambos com 24 anos. O terceiro mais jovem é Iniesta, com 27.

Não faltaram oportunidades à geração seguinte que saiu de La Masía, mas a verdade é que ela é menos brilhante que a atual. Busquets se consolidou como titular e pode realmente virar um excelente volante. É o único incontestável. Pedro também tem bom espaço, mas não é absoluto na posição. Tanto que o ça contratou Aléxis Sánchez para disputar a posição. Bojan, que estava à frente de Pedro na hierarquia na época da base, não vingou e saiu. Jeffren também. Os próximos da lista são Thiago, Fontàs, Cuenca, Bartra, Soriano, e Jonathan dos . Podem se tornar importantes, mas serão novos Messis, Xavis ou Iniestas, jogadores que formam uma base bicampeã europeia e campeã mundial? Não dá para cobrar isso de jovem algum. Craque é jogador de exceção. Não se encontra um só pela vontade.

Isso tudo não desvaloriza La Masía. Pelo nível de conhecimento que o futebol tem hoje, é o melhor que se pode fazer em categorias de base. Mas não se pode jogar nas costas dela o mérito total do time atual, como se fosse um lugar mágico em que todas as soluções serão encontradas. Se o Barcelona de Guardiola hoje é uma equipe especial na história, é porque não é todo dia que aparecerá outra em nível parecido. Nem no próprio Barcelona.