Uma coisa de cada vez
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Foram 28 toques em cerca de 1min15. Todos os jogadores de linha da Espanha, salvo Albelda, tocaram na bola até que Tamudo encontrasse Sergio Ramos livre pela direita, lançasse o lateral madridista que tocou na saída de Sorensen e fez um gol de lavar a alma espanhola. Uma mostra de excelente futebol, sentido coletivo e técnica apurada que deixou a Fúria muito próxima da Eurocopa. Até segunda ordem, foi só isso.
A vitória por 3 a 1 sobre a Dinamarca em Aarhus convenceu. Aliás, foi a primeira partida realmente convincente da seleção espanhola desde os 3 a 1 sobre a Tunísia na Copa do Mundo. O meio-campo com Albelda, Xavi, Iniesta e Fàbregas funcionou muito bem, com o primeiro dando mais suporte na proteção à defesa e os demais cuidando da criação sem deixar de lado a marcação.
Mesmo tendo apenas um homem, o ataque também funcionou. Tamudo deixou evidente que poderia receber mais oportunidades na seleção espanhola, Além disso, o meio-campo tinha figuras que se aproximavam do atacante “perico” para dar coesão e lógica às jogadas. Desse modo, a Espanha envolveu a Dinamarca e construiu uma vitória mais tranqüila do que o esperado. Melhor ainda: sobre um concorrente direto.
Com o resultado, os escandinavos já estão fora da disputa e a Irlanda do Norte precisa tirar seis pontos de desvantagem com apenas nove em jogo (seis para os ibéricos). Dificilmente as vagas do grupo F deixam de ir a Suécia e Espanha. Um final previsível para uma chave que começou com bastantes surpresas e a tendência de que os espanhóis ficariam de fora da competição continental pela primeira vez desde 1992.
O problema é que a vitória convincente – como ocorrera após a primeira fase da Copa do Mundo – já fez borbulhar o sangue quente e passional dos espanhóis. Conceitos de validade duvidosa já pipocam na imprensa e na torcida. Coisas como “Brasil da Europa” e “Xavi, Iniesta e Fàbregas formam o melhor meio-campo do mundo”. Já dá para imaginar a expectativa enganosa que vai se criar em torno dessa seleção se vencer a Suécia em novembro.
Ainda há várias arestas a serem aparadas. Torres, David Silva e Villa não estiveram a disposição do técnico Luis Aragonés no jogo da Dinamarca por contusão. A volta do trio desfaria o tal “melhor meio-campo do mundo” e a permanência deles fora do time parece incabível no momento. Sobretudo Villa e Silva, que carregaram a Fùria nas costas em vários jogos dessa campanha nas Eliminatórias.
Seria muito mais saudável para a Espanha manter a postura desconfiada com a própria seleção. A crença cega de que o time fez uma grande Copa do Mundo fez que o trabalho de Aragonés, que já havia anunciado sua saída da equipe, continuasse. E dois anos de uma eventual mudança de rumos foram perdidos. Os espanhóis não podem se dar ao luxo de achar que a situação atual é boa sob o risco de ficarem eternamente estagnados como o time do “quase”.
Raúl vira pivô de debate
Raúl perdeu espaço na seleção espanhola. Há meses o madridista não é mais convocado e parte da torcida não aceita. Até aí, já era esperado. A perda de espaço, pelo fato de a concorrência ter crescido e de Raúl já não mostrar consistência há um tempo, e a reação de torcedores e jornalistas, pois o meia-atacante ainda tem crédito na Espanha.
O problema é que, quando questionado sobre a não-convocação de Raúl, Luis Aragonés perguntou o que Raúl ganhou pela seleção para merecer tanta atenção. A situação em que se deu a declaração deveria servir de atenuante. O técnico estava sendo pressionado por um “entrevistador” de um programa de comédia e perdeu a paciência. Mas não houve muita consideração com o treinador.
Foi dada a senha para ter início um movimento em desagravo ao jogador. O Real Madrid protestou oficialmente e pediu à RFEF (federação espanhola) que o meia-atacante fosse tratado com mais respeito. Até aí, o clube está no seu papel de querer defender um de seus maiores ídolos. Pior mesmo foi a resposta da entidade: fazer uma homenagem ao jogador por “serviços prestados” à seleção espanhola.
Não há um “gancho” para realizar tal evento. Raúl tem 102 jogos pela Fúria e nem se pode dizer que a menção especial se deve a um número redondo (digamos, a 100ª partida). Ficou a sensação de que o jogador está realmente fora dos planos da seleção, mas a federação não teve um mínimo de tato para conversar com ele e permitir que o próprio Raúl anunciasse sua aposentadoria e sair com mais dignidade.
CURTAS
– A Dinamarca é velha freguesa espanhola. Em jogos decisivos ou importante entre as duas equipes, sempre deu Espanha. Foi assim na semifinal da Eurocopa 1984 (1 a 1, com 5 a 4 para os ibéricos nos pênaltis), nas oitavas-de-final da Copa do Mundo 1986 (5 a 1), na primeira fase da Eurocopa 1988 (3 a 2) e na última rodada Eliminatórias da Copa 1994 (1 a 0, quem perdesse seria eliminado).
– O Barcelona pediu para Eto’o e Yayá Touré pedirem dispensa da Copa Africana de Nações. O torneio será disputado em Gana entre 20 de janeiro e 10 de fevereiro de 2008, época em que o clube terá compromissos pelo Campeonato Espanhol e pela Copa do Rei.
– A iniciativa de ficar de fora do torneio tem de partir dos jogadores, pois é uma competição oficial e os atletas são obrigados a se apresentarem caso sejam convocados.
– É muito difícil acreditar que os jogadores peçam dispensa de suas seleções.
– Juande Ramos propôs que o Sevilla mudasse a forma de homenagear o lateral Antonio Puerta, vítima de ataque cardíaco na primeira rodada do campeonato, antes dos jogos no Sánchez Pizjuan.
– Além do minuto de silêncio, os jogadores deixam flores na beira do gramado. O técnico sevillista alega que os jogadores perdem a concentração e se tornam presas fáceis dos visitantes.
– Ainda faltam dois meses para a reabertura do mercado, mas já se fala em lista de dispensas no Deportivo de La Coruña.
– Villa no Real Madrid? Arteta no Real Madrid? Diego no Real Madrid? Kaká no Real Madrid? Então tá.