Espanha

Um desastre chamado Valencia

Neste final de semana, o Valencia recebeu o Recreativo de Huelva no estádio Mestalla e apenas empatou em 1 a 1. Contando a Copa Uefa, foi o oitavo jogo seguido do time sem vitória. O último triunfo aconteceu em 1º de fevereiro, sobre o Almería, por 3 a 2. De lá para cá foram três derrotas e cinco empates.

Mesmo com essa campanha ruim, os Ches conseguem se manter perto da zona de classificação para as competições europeias. Afinal, o time é o oitavo colocado com 40 pontos, a cinco da vaga para a Liga dos Campeões. E essa tem sido a constante nos últimos anos. Há muito tempo o Valencia consegue se posicionar no topo da tabela e beliscar um dos postos europeus na Uefa. Esse comodismo, porém, começa a atrapalhar o clube.

Na temporada 2003/04 o Valencia conquistou seu último Campeonato Espanhol. Ganhou com sobras, em um time que brilhavam jogadores como David Albelda, Rubén Baraja, Rufete, Roberto Ayala, Santiago Cañizares, Vicente, entre outros. Desde então faturou a Copa do Rei de 2007/08 e mais nada.

O treinador dessa época dourada era Rafa Benítez, hoje no Liverpool. Ele comandou o Valencia entre 2001 e 2004, e depois de sua saída, o clube nunca mais conseguiu se organizar.

Em campo, o time se contenta com contratações arriscadas, mesmo tendo caixa para se esforçar mais no mercado – por mais que tenham acertado em tirar David Villa do Zaragoza. Assim, fica refém de um elenco que já deu o que tinha que dar no Mestalla. Atletas como Marchena, Albelda, Baraja, Morientes e Angulo monopolizam as atenções do time e engessam o Valencia no tempo. Em sua passagem pelo clube, o técnico Ronald Koeman tentou mudar essa cara do time, afastando algumas dessas figuras. Acabou demitido.

Esperava-se que, com a chegada do treinador Unai Emery, do Almería, a situação muda-se. Ao menos a postura, já que o time não é ruim, pelo contrário. Mas não é o que acontece e a atual temporada tem sido marcante nesse aspecto.

A torcida não suporta mais atuações pífias como a deste final de semana, diante o Recreativo. Vaiam do início ao fim e isso tem, certamente, sido muito sentido pelo elenco. Como as coisas fora de campo também andam complicadas no Valencia, o cenário não é dos melhores.

Para quem não se lembra, no ano passado o ex-presidente da Telefónica, Juan Villalonga, chegou ao clube como gestor externo e propôs uma série de mudanças estruturais, que visavam colocar o Valencia no caminho da profissionalização em sua gestão, como a ampliação de seu capital. As ideias inovadoras foram barradas pelo ex-presidente Juan Soler. Depois ele ainda recusou uma proposta de Villalonga por sua ações e as negociou com o atual mandatário máximo, Vicente Soriano.

Tudo isso resultou, também, em um momento econômico ruim para os Ches, o que piorou com a crise internacional. Para se ter ideia da situação, por exemplo, o clube ainda não pagou a segunda e última parcela de € 2 milhões ao Internacional pelo goleiro Renan. O valor deveria ter sido quitado no começo deste ano.

Enfim, para dar um passo a frente o Valencia precisa mudar, e muito. Não basta sair no mercado de verão e trazer um ou outro jogador qualquer. Precisa reformular seu elenco de forma radical e valorizar jovens talentos como o já citado Renan e o meia Silva. Obviamente que a temporada ainda não está perdida, por isso a atual diretoria e o técnico Emery devem fazer de tudo para salvá-la.

Mas que esta seja a última com Albeldas, Barajas e Angulos no time.

Mostrar mais

Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo