Turbulência madrilena

Uma das melhores cenas produzidas no cinema nos últimos anos aconteceu no filme Quase Famosos, quando a banda Stillwater, protagonista da película, viaja em seu jato particular, em um dos traslados de suas turnês. Em uma dessas viagens, o avião é surpreendido por uma forte turbulência. Os integrantes da banda, então, desesperados e com medo da morte, começam a falar algumas verdades uns para os outros. A antológica cena, inspirada no The Who e nas memórias do diretor Cameron Crowe, bem que poderia ter acontecido no Real Madrid neste final de semana.
A equipe viajava no jato do clube para o confronto com o Almería. Foram longos e aterrorizantes (ao menos para alguns) 50 minutos de vôo entre a capital espanhola e o sul do país. Uma forte tempestade atacou a região e a aeronave teve que enfrentá-la em seu caminho. Ramón Calderón se levantou e foi verificar com o comandante a situação. O avião balançava insistentemente. Enquanto alguns conseguiam se divertir com a situação, outros se desesperavam. Heinze e Saviola tiveram que ficar na cabine do piloto para terem certeza que o avião pousaria bem.
Já em terra firme, as coisas não melhoraram muito para os madridistas. Pela nona rodada do Campeonato Espanhol, o Real apenas empatou com o Almería em 1 a 1 e viu o Barcelona assumir a liderança da competição. Com 20 pontos, somente dois atrás do Barca, obviamente a situação não é preocupante, mas o time tem apresentado algumas falhas que começam a preocupar os torcedores.
Esse empate também teve outro agravante, já que era o primeiro jogo após a vexaminosa derrota de 3 a 2 para o Real Unión de Irún, time da terceira divisão, no meio da semana, pela Copa do Rei – outro “indício” de mau momento: o desmaio de De la Red durante a partida que, no final das contas, felizmente mostrou-se ser apenas cansaço. Sem dúvida, no jogo de volta, no Santiago Bernabéu, os merengues vão garantir a classificação para as oitavas-de-final. No entanto, não apaga os erros e as falhas da equipe.
O meio-campo, recheado de talentos, é um dos setores mais criticados. Contra o Almería, o time criou muitas jogadas, mas falhava sempre nos lances finais. Conseguiu abrir o marcador com Raúl, que está jogando muito bem, mas diminuiu o ritmo na segunda etapa e, diante de um adversário que pouco fez, conseguiu levar o empate.
“Não demos importância às jogadas que criávamos quando o Almería buscava o empate, ficamos cômodos, controlando bem a bola, mas isso para nada serviu, porque temos qualidade para jogar melhor e ter ganho esse jogo”, afirmou um injuriado Bernd Schuster.
Por sinal, o gol da igualdade dos donos da casa saiu em cima de Sergio Ramos, que anda atrapalhando demais o clima no grupo madridista. Nesta partida o lateral-direito voltou a ser titular, mas suas críticas aos companheiros e ao técnico Schuster ainda não foram engolidas por todos.
Nesta semana, o Real volta a campo pela Liga dos Campeões. Recebe a Juventus, em Madrid, pela quarta rodada. Em segundo lugar no Grupo H, com cinco pontos, um a menos que a equipe italiana, los blancos não correm riscos de serem eliminados (BATE Borisov e Zenit estão longe), mas outro tropeço pode acarretar em grandes problemas para Schuster gerir internamente.
Até porque, tudo que acontece no Real Madrid é superdimensionado. Assim, acreditem, essa semana é decisiva para o estabelecimento da paz em Chamartín.
Mais da rodada e Copa do Rei
É preciso destacar o tropeço do Valencia. Bastava aos Ches vencerem o Racing de Santander no Mestalla para assumirem a liderança do Campeonato Espanhol. Três gols de Tchité selaram a sorte dos donos da casa, que tiveram uma atuação muito ruim e desperdiçaram a excelente oportunidade de pular para o topo.
Assim, quem se aproveitou, foi o Barcelona, que aplicou mais uma goleada (4 a 1 no Málaga, fora de casa), manteve a boa fase e aparece em primeiro lugar na classificação. Agora, com 22 pontos, está à frente de Villarreal (21), Real Madrid (20), Valencia (20), Sevilla (17) e Atlético de Madrid (13).
Já na Copa do Rei, no meio da semana passada aconteceram as partidas das 1/16-de-final. Como já foi ressaltado, o Real deu vexame. Além dele, outro que fez um papelão foi o Villarreal, humilhado por 5 a 0 pelo Poli Ejido, da terceira divisão, fora de casa. O Submarino Amarillo não foi com o time titular, mas com uma equipe mista escalada com: Viera; Edmílson, Cygan, Angel e Javi Venta; Bruno (Cazorla), Rossi (Llorente), Fuentes, Matías Fernández e Cani; Altidore. Ou seja, não era para tomar de cinco…
Nas outras partidas, nenhum resultado relevante ou surpreendente. Os jogos de volta acontecem em 12 de novembro.
Benidorm 0x1 Barcelona
Portugalete 1×4 Valencia
Castellón 0x2 Betis
Celta de Vigo 2×2 Espanyol
Elche 0x2 Deportivo La Coruña
Hércules 1×5 Valladolid
Málaga 1×1 Mallorca
Numancia 0x1 Sporting Gijón
Orihuela 0x1 Atlético de Madrid
Poli Ejido 5×0 Villarreal
Ponferradina 1×0 Sevilla
Rayo Vallecano 1×2 Almería
Murcia 2×1 Racing Santander
Getafe 0x0 Osasuna
Real Unión 3×2 Real Madrid



