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Tricampeão do mundo em 365 dias, Kroos tem muitos méritos na fase incrível do Real

Toni Kroos não recebeu a Bola de Ouro de melhor jogador do Mundial de Clubes de 2014. O troféu acabou nas mãos de Sergio Ramos, que teve seus méritos. Porém, não seria injusto se o prêmio acabasse nas mãos do meio-campista – ou de Gareth Bale ou Karim Benzema, que também jogaram muito bem na competição. Pelo seu desempenho e pelo conjunto da obra, no entanto, ver o alemão homenageado seria um justo marco para o momento que ele vive. Afinal, Kroos se sagrou campeão mundial pela terceira vez em um ano: também pelo Bayern em 2013 e pela Alemanha na Copa do Mundo. Sequência que ressalta também o papel que o craque desempenha em seus times.

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Quando chegou ao Bernabéu, Kroos se sugeriu um negócio superfulo. Não pelo que vinha jogando, um dos melhores da Copa do Mundo. O problema era justamente a concorrência em uma posição na qual o Real Madrid já estava muito bem servido, ainda mais com Xabi Alonso mandando prender e soltar no meio-campo. O alemão parecia mais um daqueles presentes de Florentino Pérez que servem para renovar a fama e o poder de seu clube. Ao longo do tempo, contudo, o volante provou ir além.

O encaixe de Kroos levou um tempo. Dependeu também de outros fatores, como as mudanças táticas de Carlo Ancelotti que passaram a deixar o time um pouco menos exposto. O alemão não é exatamente um ladrão de bolas como Xabi Alonso, embora tenha as suas virtudes defensivas – não à toa, é o líder de desarmes da equipe no Espanhol. E, a partir do acerto do meio-campo, a produtividade do novato cresceu muito. Passou a ditar o ritmo quando o time pega a bola, como fazia o seu antecessor, e mostrou a capacidade em acelerar o ataque com os ótimos lançamentos. Mais do que isso, potencializou o jogo nas bolas paradas, ocupando a lacuna deixada pela saída de Ángel Di María.

Nem sempre Kroos é um jogador ativo. Mesmo na Copa do Mundo, o meio-campista se escondeu em seu comodismo, deixando de contribuir mais com a Alemanha. No Real Madrid de Ancelotti, porém, Kroos não é tão exigido por sua participação no ataque. E, fazendo a sua, é que tem se dado muito bem. A assistência para Sergio Ramos, no gol que abriu a vitória sobre o Auckland City, foi a 11ª na temporada. Somente Cesc Fàbregas (14) e Koke (12) aparecem a sua frente entre as principais ligas europeias.

Obviamente, não é só por causa de Kroos que o Real Madrid vive fase tão espetacular, com 22 vitórias consecutivas na temporada. Entre aqueles que vêm jogando o fino, também merecem muitos elogios Benzema, Isco, Bale e, é claro, Cristiano Ronaldo. Todavia, o alemão tem sido um dos principais termômetros da equipe, pela forma como faz a engrenagem funcionar. E é isso que valoriza ainda mais a sua chegada, apesar do fardo de substituir um ídolo da estatura de Xabi Alonso.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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