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A superação não compensou os erros do San Lorenzo, ainda mais contra a máquina do Real Madrid

Há pouca coisa a se fazer quando do outro lado está o Real Madrid. Defender bem, certamente, porque Bale, Benzema e Cristiano Ronaldo, o trio BBC, nem precisam de espaço para machucarem o adversário. Quando têm, não desperdiçam. Aproveitar as escassas, às vezes únicas, oportunidades também é importante, mas o essencial é minimizar os erros. Se possível, zerá-los. Esquecer que essa palavra existe. O San Lorenzo não conseguiu. Apesar de mais uma vez ter tentado se superar, como em muitas partidas da conquista da Libertadores, e conseguido até equilibrar o duelo em muitos momentos, vacilou demais e foi derrotado por 2 a 0 pelo agora campeão do mundo.

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O favoritismo do Real Madrid era enorme, talvez o maior desde que o próprio clube espanhol conquistou o Mundial de Clubes em 2002, contra o Olímpia. Talvez o maior desde sempre. O San Lorenzo perdeu algumas peças depois da Libertadores, como Piatti, e foi apenas o 11º colocado do Torneo Final de 2014. Os espanhóis buscaram a reformulação que, embora não fosse exatamente necessária, transformou um ótimo time em uma máquina de ganhar partidas de futebol em progressão industrial. Chegou a 22 vitórias seguidas, a duas do recorde do Coritiba.

Eventualmente, a confiança pode ser o calcanhar de Aquiles dos grandes esquadrões, mas enquanto a flecha não o atinge, serve também como contrapeso à pressão. O Real Madrid reconhecia a importância da partida, e a sua obrigação de vencê-la, mas também sabia que enfrentava um time inferior. Os papéis da final da Libertadores, com o Nacional agarrando-se à grama com as unhas para não ser derrotado, estavam invertidos. Os da decisão da Champions League eram os mesmos. O Atlético de Madrid não conseguiu manter a concentração durante 90 minutos. Conseguiria o San Lorenzo?

Um spoiler: não. Bem no começo do primeiro tempo Kross aproveitou a desatenção do rival, roubou a bola na intermediária e abriu para Cristiano Ronaldo chutar cruzado, com perigo. Um presságio. Em seguida, foi a vez do português servir Benzema, cujo arremate parou no peito do goleiro Torrico, que soltou a bola e fez a defesa em dois tempos. Dois erros perdoados. O Real Madrid mantinha a bola, mas não parecia ter pressa para definir. Tinha volume de jogo, mas não criava oportunidades claras. A faísca de esperança apareceu no torcedor do San Lorenzo. Surpreendentemente, era uma partida quase igual. Talvez fosse possível segurar até o fim, especular nos pênaltis. Talvez Casillas falhasse. Era uma questão de não sofrer gols.

Mas não haveria perdão para o terceiro erro. Também como na final da Liga dos Campeões, a bola aérea foi tão cruel quanto Sergio Ramos. Toni Kross, preciso como um relógio suíço, cruzou a bola na entrada da pequena área. O zagueiro desvencilhou-se de marcação para fazer 1 a 0 e abrir o túmulo do sonho argentino. Ele não estava morto. O San Lorenzo poderia achar um gol e segurar até os pênaltis. Dificilmente acharia dois. Ancelotti fez seu time circular um pouco mais a bola, e Isco encontrou Bale livre dentro da área. O chute colocado saiu ruim, não pegou a curva que o galês queria colocar nele, mas Torrico estava de prontidão para tornar tudo isso irrelevante. Deixou a bola passar por debaixo do seu corpo.

O que se seguiu foram maias ou menos quarenta minutos de formalidade. Aquele tempo que você gasta sentado à mesa depois da ceia de Natal porque seria chato ir embora logo depois de comer. O Real Madrid apenas administrou, controlando os riscos. O San Lorenzo buscava as bolas aéreas, ou os chutes de longa distância, como um de Kalinski, logo depois do segundo gol, mas é necessário um repertório muito maior do que esse para derrubar o único clube que conquistou o mundo quatro vezes, ao lado do Milan. Na Espanha, ninguém parece ter. Na Europa, ninguém teve.  No mundo, em 2014, também não.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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