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Trabalho de Paco Jémez no Granada chega ao fim após apenas seis jogos

Uma história interessante de se acompanhar no Campeonato Espanhol desta temporada era o trabalho do técnico Paco Jémez, ex-Rayo Vallecano, à frente do Granada. O clube da Andaluzia quase caiu na última edição de La Liga, mas foi adquirido recentemente pelo empresário chinês Jian Lizhang, que escolheu Jémez, elogiado treinador da nova geração, para tocar o seu projeto. Mesmo sem altos investimentos, muitos jogadores foram contratados. E tudo terminou no segundo mês da temporada, após apenas seis jogos. O espanhol foi demitido nesta quarta-feira.

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Paco ganhou destaque dentro do futebol espanhol pelo seu trabalho à frente do Rayo Vallecano durante quatro temporadas. Com muito pouco material humano à disposição, montou um time ofensivo, que tratava bem a bola e a mantinha em seus pés durante a maior parte do jogo. Teve média de 55% de posse de bola. Em duas ligas, alcançou o segundo índice do campeonato no quesito, atrás apenas do Barcelona e à frente até mesmo do Real Madrid.

Durante a temporada 2013/14, retratada em Pep Confidential, Guardiola conta ao autor que apenas três times no mundo são ousados o bastante para tentar o jogo de posições ao qual ele se dedica: o Barcelona, o seu Bayern de Munique e o Rayo Vallecano de Paco Jémez.

Conseguiu bons resultados nos três primeiros anos, mantendo o Rayo Vallecano confortavelmente na metade da tabela (8º, 12º e 11º). Na última temporada, porém, não evitou o rebaixamento para a segunda divisão e ficou disponível no mercado. Chegou a ser cotado para o cargo de técnico da seleção espanhola, e havia até mesmo uma cláusula no seu contrato com o Granada que o liberaria em caso de uma proposta oficial da federação, que preferiu Lopetegui.

Vários jogadores foram acrescentados ao promissor futuro do treinador do Granada, embora o nível de investimento, aproximadamente € 9 milhões, não tenha sido muito diferente dos mercados anteriores. Mas Paco trouxe nomes conhecidos, a maioria por empréstimo, como Samper, Andreas Pereira, Gabriel Silva e Guillermo Ochoa. Os resultados foram trágicos: quatro derrotas e dois empates nas seis primeiras rodadas de La Liga. Foram 15 gols sofridos e apenas sete marcados. E era uma sequência relativamente fácil. Com exceção de Villarreal e Athletic Bilbao, mediu forças com Las Palmas, Eibar, Bétis e Alavés.

Há relatos na imprensa espanhola de problemas de relacionamento entre técnico, elenco e direção. Segundo o El País, Paco estava descontente com o projeto esportivo do clube, depois de uma pré-temporada com altas expectativas. O diário também afirma que houve desavenças com jogadores relegados ao segundo plano, o que apenas piorou no último jogo, diante do Alavés, quando o treinador substituiu o israelense Omer Atzily, que havia entrado em campo há apenas 25 minutos.

O site local Ideal acrescenta o descontentamento do elenco com a mudança brusca de filosofia, e os números mostram que a guinada de fato aconteceu. Nessas seis primeiras rodadas, em relação à temporada passada, o Granada foi de 46,3% de posse de bola para 53%. Do time que menos trocava passes na liga (média de 349), tornou-se o sétimo que mais toca a bola (442,8). Dentro desses passes, aumentou a proporção dos toques curtos, de 63% para 71,7%.

A diretoria, no entanto, deveria saber o que estava comprando quando contratou Paco Jémez e um pouco mais de confiança não faria nenhum mal. Era evidente que ele tentaria implementar o seu estilo de jogo, mas mal teve tempo de começar. “Depois de estudar detalhadamente a situação atual e os resultados obtidos, tomamos esta determinação de forma unânime”, disse o clube em um comunicado. E Jémez, por sua vez, assume toda a responsabilidade pelo fracasso. “Sou o único responsável”, afirmou. “Tenho que aprender com meus erros. Não consegui aproveitar a oportunidade que tinha em mãos”.

Quem sabe em um próximo clube, com mais respaldo e um melhor encaixe com o elenco, sabendo também se adaptar um pouco à situação, ele não dê mais sorte.

Foto de Bruno Bonsanti

Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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