Futebol espanhol

Titularidade de Endrick traz à memória grande incerteza de passagem no Real Madrid

Atacante brasileiro ganha primeira titularidade da temporada com José Mourinho, mas não convence

Finalmente, após praticamente dois meses de temporada, Endrick foi titular pelo Real Madrid. O brasileiro atuou por 69 minutos na vitória merengue sobre o Sevilla, 4 a 1, no último domingo (18), pela nona rodada de La Liga. Só de ser escolhido para iniciar a partida já é motivo de comemoração para o atacante, por seu contexto.

Até essa partida, o jovem de 20 anos tinha atuado apenas 41 minutos, divididos entre duas partidas ao entrar na etapa final. Prejudicado por uma lesão na pré-temporada, perdeu o começo das competições, voltou só em setembro e estreou contra o Elche, sem brilho pelo curto tempo em campo.

Na última semana, porém, transformou um 3 a 1 desfavorável contra a Roma em uma virada histórica. Ao sair do banco faltando meia hora para o fim do jogo, Endrick marcou o gol do empate e, antes, tinha cabeceado no gol de Carlos Espí, que diminuiu a vantagem italiana. Antonio Rüdiger confirmou a vitória do Real, que teve assinatura do brasileiro.

Foi por isso que ele ganhou a chance contra o Sevilla, mas a atuação não empolgou e fez rememorar um dos grandes dilemas da passagem do camisa 9 no Real Madrid.

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Endrick só terá espaço frequente no Real Madrid na ponta

Endrick comemora gol pelo Real Madrid
Endrick comemora gol pelo Real Madrid (Foto: IMAGO / Gribaudi/ImagePhoto)

Como era esperado, com a suspensão de quatro jogos de Vinícius Junior, Yan Diomande foi movido para a ponta esquerda e o técnico José Mourinho colocou Endrick na direita. Por dentro, Kylian Mbappé como centroavante e Jude Bellingham de camisa 10.

O jovem brasileiro teve um jogo discreto. Recebeu muitas vezes aberto pelo lado, fixo para dar amplitude no ataque do Real, e em nada contribuiu por receber sempre com a marcação em cima e com pouca margem para driblar. Dos 11 passes que acertou, cinco, na ponta direita, foram para trás. Só acertou um drible e venceu um terço dos duelos no chão (três de nove disputados).

Quando conseguiu sair um pouco do lado do campo, finalizou. Foram três chutes, um de fora da área e dois de dentro, do lado esquerdo, sem direção. As poucas ultrapassagens de Fede Valverde contribuíram para a pouca liberdade no lado do campo.

Endrick também tinha grande obrigação defensiva de recompor pelo lado por conta dos avanços do lateral adversário Gabriel Suazo. Mesmo que tenha sido justamente nessa posição que ele tenha entrado e mudado o último jogo, o ex-Palmeiras nunca foi ponta.

Endrick na vitória do Real Madrid sobre o Sevilla:

  • 34 ações com bola
  • 11 perdas da posse
  • 3 finalizações (0.02 gol esperado)
  • 11 passes certos de 17 tentados (65%)
Mapa de calor de Endrick em Real Madrid x Sevilla
Mapa de calor de Endrick em Real Madrid x Sevilla (Foto: Sofascore)

Ele foi formado no Alviverde, principalmente, como um atacante de muitos gols. Nem sempre como camisa 9, afinal, no Brasil, seu grande momento foi com outro colega como dupla ofensiva, o que o tornou o melhor jogador do país no segundo semestre de 2023.

Por isso, sua mudança ao Real Madrid foi contestada por dois motivos: raramente o Real jogaria com dois atacantes e sempre teria a concorrência como um atacante central de Kylian Mbappé. Na primeira temporada, com Carlo Ancelotti, o brasileiro ainda se adaptava e fez bom número de jogos, 37.

No ano seguinte, com Xabi Alonso, precisou deixar o time para jogar. No Lyon, onde ficou emprestado entre fevereiro e maio deste ano, chegou a ter alguns jogos bem fixos na ponta, mas, quando teve liberdade para flutuar ou já iniciou por dentro em uma dupla de ataque, foi quando desequilibrou de vez, como na vitória sobre o PSG em pleno Parque dos Príncipes.

Segundo o “Transfermarkt”, das 15 participações em gols que somou na França, nove foram quando atuou como atacante — na ponta, teve três gols e três assistências, porém, costumava ter maior liberdade e menos obrigações defensivas.

No Real Madrid, será muito difícil que Endrick atue com frequência por dentro. Até porque Carlos Espí, contratado na última janela de transferências e autor de três gols na temporada, parece ser a primeira opção para substituir Mbappé na função.

É a velha encruzilhada do atacante, que segue sendo pretendido no mercado. Roma, Milan e Aston Villa o monitoram para um empréstimo em janeiro até o fim da temporada, mas Mourinho tem prometido jogo duro para mantê-lo.

Foto de Carlos Vinicius Amorim

Carlos Vinicius AmorimRedator

Nascido e criado em São Paulo, é jornalista pela Universidade Paulista (UNIP). Já passou por Yahoo!, Premier League Brasil e The Clutch, além de assessorias de imprensa. Escreve sobre futebol nacional e internacional na Trivela desde 2023.

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