Espanha

Teuto-português

Cristiano Ronaldo quatro vezes, Higuaín três, Di Maria uma e Özil também uma (e Zé Castro uma vez contra). Em duas partidas, o Real Madrid foi dez vezes às redes. Mesmo que os adversários tenham sido os frágeis Deportivo de La Coruña e Málaga, é um número que merece respeito. E que evidencia a evolução dos merengues como uma equipe que já começa a ficar com a cara de José Mourinho.

Sim, apesar da produtividade ofensiva, esse é um time com cara de Mourinho. Ou você é um daqueles que também acredita que o português só sabe montar retrancas? Pois veja: em cinco temporadas completas como técnico de Chelsea ou Internazionale, ele terminou com a melhor defesa em todas, é verdade. Mas, em três delas, teve também o melhor ataque (nas outras duas, ficou com o segundo melhor). E, ainda que a Internazionale tenha chegado à final da última Liga dos Campeões se fechando como cofre de banco diante do Barcelona, ela se beneficiou de ter virado para 3 a 1 o jogo de ida, pressionando os catalães.

Isso não é retranca, é equilíbrio. Exatamente o que começa a se ver em Chamartín. Nas últimas partidas, o Real Madrid foi avassalador no ataque sem dar sinais de esforço. Além disso, manteve a defesa segura. A soma disso é a liderança na pontuação (17, pode ser ultrapassado nesta segunda pelo Villarreal), nos gols feitos (16) e nos sofridos (3).

Esse desempenho, caso seja mantido por bastante tempo, vai ser creditado ao técnico português. No entanto, é preciso reconhecer a participação de dois jogadores que acabaram de chegar a Madri e têm sido fundamentais para isso: Khedira e Özil. A presença de ambos deu o tal equilíbrio ao meio-campo madridista e pode elevar o patamar do time (que, sejamos honestos, não apresentavam futebol do primeiríssimo nível da Europa nos últimos anos).

Desde a temporada passada, que marcou a contratação de Kaká e Cristiano Ronaldo e a perda de espaço de Raúl, o Real tenta se equilibrar no 4-2-3-1. É o esquema de jogo que aproveita melhor as características do craque português, além de poder usar Higuaín (ou Benzema, como inicialmente planejado) como referência de ataque. No entanto, é difícil encaixar Kaká, pois o brasileiro se adapta melhor com liberdade para usar sua explosão e velocidade, não distribuindo bolas.

A contusão do ex-milanista abriu espaço para Özil. E o alemão tem aproveitado. Ele tem um futebol menos vertical, mas sabe cadenciar o jogo e iniciar trocas de passes curtos. Com isso, Cristiano Ronaldo e Di María podem ficar mais à frente, fechando das alas para o meio da área. O sistema ofensivo se comunica com facilidade e todos participam. Somando Campeonato Espanhol e Liga dos Campeões, Cristiano Ronaldo e Higuaín dividem a artilharia da equipe com seis gols. Di María tem três. Nas assistências, Özil lidera com cinco, um a mais que Cristiano Ronaldo.

(Uma observação: quando retornar de contusão, Kaká deve ser titular, com Özil caindo para a direita e Di María esquentando o banco. Mas o brasileiro precisará jogar muito para consolidar essa condição.)

Para dar suporte a esse sistema, a defesa precisa estar segura. Mourinho conhece bem Ricardo Carvalho e soube como usar a experiência do zagueiro para formar dupla com o forte (e estabanado) Pepe. Sergio Ramos continua sendo um bom lateral-direito e Marcelo cresce cada vez mais na esquerda (sobretudo por estar melhorando defensivamente, sem deixar de ser perigoso no apoio). Mas a dupla de volantes também tem papel importante.

Antes da chegada de Khedira, o primeiro volante era Lassana Diarra. O francês fazia bem o papel de “limpa trilho”, ficando fixo atrás e combatendo incansavelmente qualquer ameaça que se aproximasse. Isso liberava Xabi Alonso a avançar mais. Não era uma tragédia, mas acabava sobrecarregando Lass.

O alemão tem característica diferente. Ele não é tão rápido, mas marca bem e sabe sair jogando. Com isso, ele e Xabi Alonso dividem melhor as funções. O setor fica mais equilibrado, com menos concentração de funções em um ou outro jogador, e ainda conduz a bola com mais eficiência para os homens de criação.

Com esse time que tem atacado e defendido com competência, o Real Madrid dá sinais de muita força. É um time ofensivo, ainda que não tenha o futebol plástico do Barcelona, e que tem armas para jogar pelo resultado quando necessário. José Mourinho sabe o que faz, mas Khedira e Özil também.

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Equipe Trivela

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