Espanha

Suárez no Real Madrid? Poderia ter acontecido se não fosse o Barcelona e a mordida

Real Madrid queria vender Benzema e contratar Luis Suárez em 2014, antes da Copa do Mundo

Você provavelmente já ouviu falar do termo “efeito borboleta”. Já virou até um filme famoso de Hollywood protagonizado pelo ator Ashton Kutcher. A ideia é que pequenas ações – como o bater das asas de uma borboleta – podem desencadear uma série de eventos diferentes. No futebol é comum ouvir “e se aquele gol não tivesse acontecido” ou “se a bola entrasse naquele momento”, algo próximo da metáfora inventada pelo meteorologista Edward Lorenz. Em uma proporção muito maior do que o termo de Lorenz, o atacante Luis Suárez, ao dar uma entrevista ao programa “La Mesa”, fez todo fã de futebol questionar: “e se?”.

Isso porque o craque uruguaio revelou que, antes mesmo de fechar com o Barcelona, na preparação para a Copa do Mundo de 2014, ele estava quase fechado com o Real Madrid, que pretendia vender o francês Karim Benzema ao Arsenal. Não seria uma pequena ação como um efeito borboleta, mas a reação em cadeia dessa negociação traria um cenário até difícil de projetar no futebol mundial.

– Meu representante conversou com o Real Madrid antes da Copa do Mundo de 2014. O Real Madrid queria me contratar e tudo estava indo na direção certa… Estavam pensando em vender Benzema para o Arsenal, já estava tudo certo.

Sem Suárez, o Barcelona não teria o mágico trio MSN com Neymar e Lionel Messi, campeões da Champions League na temporada 2014/15. O Real Madrid, por outro lado, campeão da Europa três vezes consecutivas nos anos seguintes (2016, 2017 e 2018), venderia Benzema, jogador que aceitou ser coadjuvante de Cristiano Ronaldo por quase uma década, para ter Suárez, o português e Gareth Bale (quando disponível) no ataque. O efeito seria grande para o francês também, já que ele permaneceu com os Merengues até 2023, virou o protagonista e venceu até uma Bola de Ouro há dois anos.

Tudo isso só não aconteceu por dois motivos. Primeiro, o Barcelona entrou na disputa, e Luis Suárez tinha preferência pelos culés em comparação ao Real, que diminuiu o interesse no atacante depois dele morder o zagueiro Giorgio Chiellini na partida entre Uruguai e Itália, pela fase de grupos do Mundial. No fim, tudo deu certo, e o uruguaio escolheu a camisa azul-grená ao invés da branca.

– Quando a Copa do Mundo começou, o Barça entrou na corrida e obviamente eu preferia o Barça. Com a situação da mordida, o interesse do Real Madrid diminuiu e o Barça ficou mais interessado… No final tive as duas opções e escolhi o Barça porque era o meu sonho – finalizou.

E dá para dizer que tudo deu certo para os dois rivais. Suárez marcou época no Barcelona, onde se tornou o terceiro maior artilheiro da história do clube com 198 gols. Além da Champions, foi tetracampeão de La Liga e da Copa do Rei, bi da Supercopa da Espanha e ainda levou um Mundial de Clubes. Sempre como um protagonista ao lado de Messi até 2020, quando trocou o Barça pelo Atlético de Madrid.

Enquanto isso, desde 2014, Benzema foi cada vez mais se consolidando como coadjuvante de luxo de Cristiano até que, em 2018, passou a ser protagonista do gigante espanhol. E não tremeu em nenhum momento. Liderou ao lado de Vinicius Júnior o time na conquista da Champions de 2022, a quinta dele com a camisa do Real, o que lhe rendeu ser o melhor jogador do mundo, algo que Suárez nunca alcançou. Terminou sua passagem no meio de 2023, com 14 anos prestados ao Madrid e como segundo maior artilheiro da história (354 gols) – atrás apenas do português – daquele que é considerado por muitos o maior clube do mundo.

Foto de Carlos Vinicius Amorim

Carlos Vinicius Amorim

Carlos Vinicius é nascido e criado em São Paulo e jornalista formado pela Universidade Paulista (UNIP). Escreveu sobre futebol nacional e internacional no Yahoo e na Premier League Brasil, além de eSports no The Clutch. Além disso, atuou como assessor de imprensa no setor público e privado.
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