Espanha

Sí, ¿se puede?

“Mara-Villa”, “podemos”, “Espanha sonha”. Foram essas as reações mais comuns após a convincente vitória da Fúria sobre a Rússia por 4 a 1 na estréia das duas equipes na Eurocopa. Villa e Fernando Torres são saudados como integrantes da melhor dupla de ataque da Europa. O equilíbrio do meio-campo merece respeito. A estratégia de jogo soa como astuta. Sinais de que, rapidamente, já se voltou a ver a Espanha como candidata ao título. Primeiro passo para a tradicional decepção das quartas-de-final.

É muito mais difícil ter discernimento nos momentos positivos do que nos negativos. Esse é o grande risco que corre a Espanha. Os 4 a 1, apesar de contundentes e convincentes, foram exagerados. Um ou, no máximo, dois gols de diferença seriam mais justos pela diferença do futebol apresentado por russos e espanhóis.

Luis Aragonés mudou novamente a arrumação tática da Espanha. Depois de um 4-1-4-1 ter funcionado muito bem nas eliminatórias, o técnico decidiu voltar ao 4-4-2. Algo que já se suspeitava pelo fato de terem sido convocados quatro atacantes. Assim, ressurgiu a dupla Fernando Torres-Villa.

O meio-campo teve de mudar. Como a linha formada por Xavi-Fàbregas-Iniesta-David Silva (principal mérito do 4-1-4-1) seria muito leve no 4-4-2, o treinador se viu obrigado a sacrificar um dos quatro meias para colocar Marcos Senna, mais forte na marcação. Sobrou para Fàbregas.

Em princípio, a escolha não foi das mais felizes. Seria mais recomendável colocar David Silva, que não vem uma temporada particularmente feliz, no banco e formar o meio-campo com Xavi à direita, Fàbregas no meio – junto com Marcos Senna – e Iniesta à esquerda. Mas Silva tem grande apreço de Aragonés, o que levou Cesc ao banco.

De qualquer modo, funcionou. A Espanha deixou a Rússia tomar a iniciativa, mas tinha armas para matar o jogo em contra-ataques. Torres e Villa são rápidos e bastante móveis na frente, abrindo espaço para serem lançados em velocidade. Foi assim que surgiram os dois primeiros gols, ainda antes do intervalo, e os dois últimos. Sempre em contra-ataques letais.

Apesar de a estratégia ter funcionado, é preciso relativizar o sucesso. A Rússia teve boas chances para fazer seu gol, o que talvez tivesse ocorrido se Pogrebnyak e Arshavin não estivessem de fora (o primeiro por contusão, o segundo por suspensão). Além disso, os espanhóis deram bastante espaço na intermediária, permitindo que os russos orbitassem a área ibérica com constância perigosa. Ou seja, o sistema defensivo não foi testado diante de uma linha ofensiva de primeiro nível e, ainda assim, demonstrou falhas.

O potencial desse time espanhol é grande. Até porque a vitória maiúscula na primeira rodada dá confiança e alguma tranqüilidade na primeira fase. Assim, dá tempo para se ajustar e se estabelecer como força na competição. Mas ainda é cedo para cravar que esse time é favorito a algo. O que a imprensa já tem feito precipitadamente.

Segundona na reta final

Eurocopa está rolando, mas a temporada do futebol espanhol ainda não acabou. A segunda divisão terá, no próximo fim-de-semana, sua última rodada. E ainda há muita coisa a ser definida. Veja como está a situação:

PROMOÇÃO
O Numancia (76 pontos) já subiu. Faltam duas vagas. Málaga e Sporting Gijón têm 69 pontos, dois a mais que a Real Sociedad. O Sporting precisa apenas de um empate em casa com o Eibar para subir. O Málaga precisa vencer em casa o Tenerife. A Real Sociedad precisa vencer o Córdoba em casa e torcer por um tropeço qualquer dos malagueños ou uma derrota dos asturianos.

Se houver empate triplo na vice-liderança, sobem Sporting e Real Sociedad. No caso de empate duplo, o Sporting supera a Real, que supera o Málaga, que supera o Sporting.

As três equipes estão mostrando nervosismo na reta final. Todas desperdiçam pontos fáceis e acabam se mantendo juntas. Isso aumenta a expectativa na última rodada, mas a vantagem de pontos coloca asturianos e andaluzes como favoritos. Se esta coluna tivesse de apostar em algo, seria nisso.

REBAIXAMENTO
Polideportivo Ejido (43 pontos) e Granada 74 (45) já caíram para a Segunda B. Mas as duas vagas restantes ainda são bastante incertas. Seis times estão na briga: Racing de Ferrol (47), Alavés (48), Cádiz (48), Xerez (49), Albacete (49) e Córdoba (49). Apesar de ser o time com melhor colocação, o Córdoba corre um perigo grande por ser o único que enfrentará uma equipe que ainda tem interesse no campeonato.

O Racing joga em casa com o difícil Castellón, quinto colocado. O Alavés também tem pela frente o Celta na Galícia. O Cádiz visita o Hércules em Alicante, o Xerez recebe o Elche, o Albacete recebe o Las Palmas e o Córdoba visita San Sebastián para pegar a Real Sociedad.

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Equipe Trivela

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