Espanha

Serenidade de capitão

Raúl é um patrimônio do Real Madrid. O jogador, formado nas categorias de base do clube, traduz muito bem o espírito madridista. Titular do time há mais de uma década, Raúl, no entanto, vem perdendo espaço recentemente. Se antes os torcedores sempre o defenderam como intocável, nem esse apoio ele tem mais. A equipe, sem Raúl entre os titulares, rende bem mais. Porém, o que para muitos jogadores seria motivo para criar polêmicas e conclamar a imprensa contra alguém, o capitão dos Merengues encara com tranqüilidade e serenidade.

Nas últimas partidas da Liga, o atacante de 31 anos tem alternado entre o banco de reservas e os 11 titulares. Se tornou quase um consenso, no entanto, que o Real atua melhor com Raúl como uma opção para o segundo tempo. Van Nistelrooy é intocável como o homem de frente, enquanto no esquema do técnico Bernd Schuster (normalmente o 4-2-3-1), o capitão é apenas mais um entre as peças que dispõem para a armação de jogadas e chegada no ataque.

Van der Vaart e Robben são as duas melhores opções pelos extremos, sendo que De la Red também tem sido muito bem aproveitado nesse setor e Drenthe um pouco menos. Sem falar em Snejder, que ainda se recupera de lesão. Restava a Raúl atuar mais pelo meio, só que o argentino Higuaín tem roubado esse espaço.

O Marca, eterno jornal madridista, tem cansado de promover enquetes sobre o assunto. E nelas fica provado que, mesmo a aficción do Bernabéu, opta por ver Raúl fora. Mesmo as capas recentes do diário espanhol tem dado grande destaque ao assunto. Nesta quarta-feira, por exemplo, repercutiram uma entrevista do jogador à rádio Marca, onde ele fala abertamente sobre isso.

E foi exatamente nessa entrevista que Raúl demonstrou sua hombridade e, acima de tudo, o respeito que mantém pelo Real. “Cada vez será mais comum me ver no banco de reservas. Levo 14 anos jogando futebol, disputando partidas duríssimas. Todos estamos aqui para ajudar, alguma vezes saindo do banco, outras como titular. Não haverá nenhum tipo de problema”, afirmou o capitão, que aproveitou para demonstrar suas mágoas com algumas críticas. “Quando fico cinco jogos sem marcar, já há debate. Não se valoriza o resto do que faço em campo. De qualquer modo, isso não me incomoda. Vou seguir lutando”.

Até mesmo pela idade, Raúl sabe que precisa de descanso também. Some isso ao fato do Real contar com poucos atacantes no elenco, e o jogador compreende perfeitamente tudo que se passa ao seu redor. Ele segue como um ídolo dos torcedores, jóia rara da diretoria madridista. Ramón Calderón o ama, enquanto Schuster sempre teve muita admiração por seu futebol.

Inclusive foi o treinador alemão que fez com que Raúl voltasse a atuar em grande nível na última temporada. Poucos se lembram, mas com o fim da era dos Galácticos, até mesmo a saída de “el 7” foi cogitada, já que com Capello ele também não foi bem – na verdade, para a imprensa espanhola, mesmo com o título espanhol, ninguém foi bem com o burocrático e chato técnico italiano.

A verdade é que Raúl é um exemplo para os mais jovens. Mesmo para alguns que saíram recentemente de Chamartín, atirando contra tudo e contra todos. Um trabalho sério, competente e com lealdade, vale muito mais do que mil declarações ou montanhas de dinheiro.

Manifestações no País Basco

O governo espanhol de José Luis Zapatero está em rota de conflito com o País Basco. Recentemente, o Tribunal Constitucional espanhol ilegalizou um pedido do governo basco, do lehendakari Juan José Ibarretxe, para realizar uma consulta popular com a população da Comunidade Autônoma do País Basco (Euskadi) para debater o processo de paz e a normalização política da região.

Em protesto, todas as forças políticas bascas se uniram e divulgaram um manifesto contra a decisão da Espanha. Ibarretxe reagiu, recorrendo ao Tribunal de Direitos Humanos de Estrasburgo. O ETA, por sua vez, explodiu algumas bombas nos últimos dias.

Tudo isso pode resultar em alguns protestos nas próximas partidas do Athletic Bilbao pela Liga espanhola. Símbolo da ideologia basca, os torcedores do Athletic costumam levar mais a bandeira vermelha, verde e branca de Euskal Herria (em basco – toda a região, não somente a reconhecida pela Espanha) do que propriamente bandeiras do clube.

Naturalmente, as transmissões televisivas costumam evitar qualquer imagem desses protestos – por elas, evitariam até mesmo as bandeiras bascas, mas daí não poderiam filmar as arquibancadas. Enfim, vale a pena ficar atento.

Quem quiser entender um pouco mais sobre o que se passa nesse conflito atual, pode ler o manifesto divulgado e ainda consultar duas fontes opostas de informação: o jornal El País, de Madrid, e o Gara, do País Basco.

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Equipe Trivela

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