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Sem Suárez, Liverpool não teria feito tanto, e quem acha isso é o próprio uruguaio

Qualquer um que assista ao Liverpool nesta temporada consegue notar facilmente a falta que Luis Suárez faz ao time. Pela saída de seu principal craque e pela chegada de diversos jogadores, para todas as posições, é natural que demore algum tempo para que as coisas se encaixem novamente, mas ainda assim não dá para relevar o impacto que o uruguaio tinha naquele time. Tanto é que o próprio atacante reconheceu que, talvez, sem ele, os Reds não teriam tido o mesmo sucesso que tiveram, retornando à Champions League.

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Em entrevista ao site oficial do Barcelona, Suárez deixou a modéstia de lado e destacou sua “atitude de liderança” na equipe durante a última temporada. “Sucesso pessoal é sempre bem-vindo e te deixa feliz, porque é o reconhecimento do bom trabalho que você fez. Mas eu coloco o time à frente disso, e na temporada passada o Liverpool chegou muito perto de vencer a Premier League, o que teria sido espetacular. Eu aprecio todo o trabalho que o time fez. Mas eu perdi seis partidas e marquei todos esses gols na Premier League sem ser o batedor de pênaltis. Eu realmente pude sair (do Liverpool) feliz, porque se eu não tivesse tido a atitude e mentalidade que tive para liderar o time, acho que o Liverpool não teria ido tão bem quanto foi. Voltar à Champions League era um objetivo que eu tinha em mente”, contou o atacante.

Verdade seja dita, Suárez está completamente certo no que disse. E olha que ele deixou de lado seu maior recurso, que realmente fez a diferença para os Reds, que vinham de frustração atrás de frustração. Ninguém balançou as redes na Inglaterra em 2013/14 como o uruguaio. Como ele mesmo lembrou, apesar dos jogos de suspensão, chegou a 31 gols no Campeonato Inglês, igualando a maior marca da competição desde sua nova concepção, em 1992. Juntou-se à Alan Shearer e Cristiano Ronaldo, com o maior número de redes balançadas em uma só edição do torneio.

Punição após a mordida

A turbulência pela qual passou Suárez nos últimos meses, após a mordida em Chiellini, durante a Copa, também foi assunto na conversa do uruguaio com o site do Barça. Desmedida como foi inicialmente, a punição teve bastante efeito sobre o atacante, que afirmou que não se sentia um profissional. Só para lembrar, a Fifa tinha proibido o atleta de até mesmo treinar com companheiros de clube ou seleção. “Os primeiros dois meses foram os mais difíceis, porque eu não me sentia como um jogador de futebol. Foi a pior parte. É sempre bom aceitar seus erros, mas o que mais me deixou com raiva foi não me sentir como um profissional, não me sentir como um outro trabalhador, como os outros jogadores se sentem. Isso foi o que mais me magoou”, relembrou Suárez.

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A demora do atacante em se desculpar publicamente com Chiellini levou algumas sobrancelhas. Quando enfim vieram, as desculpas não pareceram muito sinceras para alguns, justamente pela demora. No entanto, Suárez tem uma boa justificativa para isso: “É bom aceitar que você comete um erro, e é isso que eu fiz. Eu deixei passar alguns dias porque, você tem que lembrar, eu sou apenas humano, e às vezes é difícil encarar a verdade. Foi difícil aceitar e perceber o que eu tinha feito. Esses foram os dias em que eu não quis saber disso. Só queria estar com minha esposa e meus filhos, que me apoiaram durante aquele período. Eu não queria ouvir a ninguém ou conversar com ninguém. Não queria aceitar”.

Por mais que o período tenha sido difícil para Suárez, a luz no fim do túnel está cada vez mais clara. O uruguaio já tem data para sua estreia oficial pelo Barcelona. Sua punição se encerra no dia 24, justamente um dia antes do primeiro clássico com o Real Madrid na temporada. Para um sujeito que sempre entrou em campo com o coração à frente, retornar em um confronto como esse é o melhor presente que poderia receber, e ele está pronto para o desafio: “Sabe, sou do tipo de pessoa que acredita que as coisas acontecem por alguma razão. E, de todos os 19 times na liga, será exatamente contra o Real Madrid, no Santiago Bernabéu, que farei meu retorno. Deve ter uma razão para isso”.

Foto de Leo Escudeiro

Leo Escudeiro

Apaixonado pela estética em torno do futebol tanto quanto pelo esporte em si. Formado em jornalismo pela Cásper Líbero, com pós-graduação em futebol pela Universidade Trivela (alerta de piada, não temos curso). Respeita o passado do esporte, mas quer é saber do futuro (“interesse eterno pelo futebol moderno!”).

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