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A saída de Tata Martino foi a consumação de um fato que parecia inescapável

De comum acordo, Tata Martino e Barcelona decidiram encerrar antecipadamente o casamento que, inicialmente, tinha previsão de terminar apenas em 2015. E por “comum acordo” entenda-se que, na verdade, o argentino não conseguiu dar ao time a transição de que precisava e, se vendo sem saída, não resistiu com força à decisão da diretoria. O rosarino foi bastante afetuoso ao agradecer todos os membros do clube, dos médicos aos jogadores, pelo apoio que recebeu, e não dá para avaliarmos o grau de verdade em suas palavras. A única certeza, no entanto, é que, dificilmente o resultado da “final” contra o Atlético de Madrid salvaria a sua pele.

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As últimas semanas – ou até mesmo os últimos meses – já apontavam que o clube passaria por reformulações vitais em breve. O discurso de atletas e dirigentes nas entrevistas era de quem já se despedia de um momento, visando o surgimento de uma nova era, com uma passagem dolorida, mas necessária. Uma barca de saída de jogadores vem sendo fortemente especulada, com atletas como Dani Alves, Alexandre Song e Alexis Sánchez nela; o ciclo de jogadores de longa data no clube vai chegando ao fim, como com a não-renovação do contrato de Victor Valdés e a aposentadoria de Carles Puyol; e, por fim, o técnico de fora, que havia chegado para mudar o sistema do clube e que não deu os resultados esperados, se despede.

Tata Martino era visto como o forasteiro que chegaria sem os vícios de quem cresceu nas bases do Barcelona e encontraria aquilo de que o clube precisava para fazer uma transição bem-sucedida. O excesso de posse de bola e o tiki-taka que caracterizou o time formado por Pep Guardiola e comandado depois por Tito Vilanova foi deixado de lado, em busca de um futebol mais vertical. De fato, os blaugranas mudaram, mas não de maneira a se formar um time constante. Apesar de a temporada ter passado longe de ser um desastre – afinal, quartas de final na Liga dos Campeões e vice-campeonatos nos torneios nacionais não são exatamente um grande fracasso, ainda mais com o primeiro turno sensacional que fizeram em La Liga -, a diretoria culé, baseada no trabalho visto nos últimos meses, não sentiu que o argentino era o nome certo para prosseguir a reformulação catalã.

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Agora, não há como sabermos exatamente como se dará essa renovação. Na coletiva de despedida de Tata, o presidente Josep Bartomeu afirmou que há jogadores “que já sabem que não continuarão”, e o interesse do Barça em uma série de atletas não é apenas especulação; a necessidade de se transformar o elenco existe. Além disso, o treinador que sucederá o argentino no comando da equipe deverá ser fundamental para imaginarmos o caminho da transição. O nome mais forte atualmente para assumir o clube é o de Luis Enrique, que já anunciou sua saída do Celta de Vigo.

O fato de o treinador ter sido jogador do Barça nos últimos oito anos de sua carreira como atleta, inclusive capitão do time, e ter comandado o Barcelona B entre 2008 e 2011 é um indício de que o time não insistirá na filosofia de buscar alguém que veja as coisas com uma perspectiva diferente da do clube nas temporadas anteriores. Os olhos estão novamente voltados para o próprio núcleo culé. Mas isso também não significa necessariamente uma volta ao tiki-taka e à posse de bola em excesso. Talvez o objetivo seja na verdade um meio termo entre esses dois aspectos. Enquanto é fato que o estilo do ciclo iniciado por Guardiola atingiu seu prazo máximo de validade, é inegável que o extremismo de apostar as fichas em Martino também se provou ineficaz.

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Leo Escudeiro

Apaixonado pela estética em torno do futebol tanto quanto pelo esporte em si. Formado em jornalismo pela Cásper Líbero, com pós-graduação em futebol pela Universidade Trivela (alerta de piada, não temos curso). Respeita o passado do esporte, mas quer é saber do futuro (“interesse eterno pelo futebol moderno!”).

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