Espanha

Segredos do campeão

Ao fazer o pasillo e receber os campeões espanhóis da temporada 2008/09, os atletas do Mallorca fizeram uma saudação em nome de toda Espanha. Em uma semana, o Barcelona conquistou os dois títulos mais importantes do país e ficou muito prestes da consagração definitiva. Antes um sonho distante, hoje a Tríplice Coroa é algo factível para os comandados de Pep Guardiola.

E justamente o jovem treinador está no centro de tudo. Após a saída de Frank Rijkaard, muito se especulou sobre quem assumiria um desgastado Barcelona, com diversos problemas no elenco e já sem sua grande estrela, o brasileiro Ronaldinho Gaúcho. Samuel Eto`o também estava de saída e não havia a perspectiva de grandes contratações. O presidente Joan Laporta surpreendeu ao anunciar o antigo ídolo Guardiola, de apenas 38 anos e com experiência de técnico somente com o time B.

Contestado, o jovem treinador buscou reforçar os laços com o elenco e valorizar os jogadores que tinha em mãos. Trouxe da cantera barcelonista diversos atletas e deu espaço para eles jogarem. Ganhou alguns reforços, sem alarde, principalmente para reforçar a defesa, caso de Piqué. Trabalhou muito. Insistiu em um time ofensivo, com um trio de atacantes e um meio-campo criador. No final das contas, conseguiu montar uma equipe fortíssima e que está prestes a entrar para sempre na história do clube catalão.

A Liga espanhola já estava ganha desde a magistral goleada por 6 a 2 sobre o Real Madrid em pleno Santiago Bernabéu. Aliás, esta foi apenas mais uma na vasta lista da temporada. Ao todo, o Barça aplicou 11 goleadas na campanha, sem contar Liga dos Campeões (5 a 0 no Basel, 5 a 2 no Lyon e 4 a 0 no Bayern) e Copa do Rei (4 a 1 no Athletic na decisão). Foi um Barcelona arrasador do início ao fim, que encantou pelo belo futebol e objetividade nas jogadas.

Sob o comando de Guardiola, Lionel Messi se tornou o melhor jogador do mundo em atividade. Hoje em dia é praticamente impossível pará-lo no mano a mano. Sua velocidade, combinada com extrema técnica e habilidade, o torna um jogador único no mundo. Aliada a confiança que ele tem atualmente para jogar futebol, Messi foi o grande nome em campo dos culés.

E o treinador tem méritos diversos com outros jogadores também. Dois grandes exemplos são os atacantes Thierry Henry e Eto’o. O francês chegou ao clube em 2007 como uma grande contratação, mas falhou em seu primeiro ano de clube. Por mais que a idade já estivesse mais avançada, nem de longe demonstrava o grande futebol dos tempos de Arsenal. Era constantemente vaiado pelos torcedores e chegou a perder a posição de titular.

Guardiola acreditou no jogador. Deu liberdade para ele atuar na frente e foi recompensado com uma temporada excelente de Henry. Situação semelhante aconteceu com o camaronês. De moeda de troca do clube ele está prestes a ser o artilheiro da Liga 2008/09. Até agora Eto’o já marcou 29 gols. Isso tudo após brigar com Ronaldinho Gaúcho, pedir para sair e ficar a ver navios sem alguma proposta concreta.

Municiados por um meio que teve em Xavi e Iniesta as peças fundamentais, o trio de atacantes do Barça já marcou mais gols do que a maioria das equipes do Campeonato Espanhol até agora. Faltando duas partidas ainda, foram 71 gols, mais do que 17 das outras 19 equipes – e correspondente a quase 70% dos tentos barcelonistas.

Nesse contexto ofensivo, é preciso ressaltar também a temporada maravilhosa do lateral-direito Daniel Alves. Se na defesa ele não tem a mesma produtividade e eficácia, no ataque o trio culé precisa lhe dar parte do bixo. Com seus cruzamentos, tabelas e arrancadas em direção ao gol, o ex-jogador do Bahia e Sevilla foi um dos grandes nomes do ano na Espanha.

De qualquer modo a temporada ainda não acabou para o Barcelona. Pelo contrário, já que o mais importante ainda está por vir. No próximo dia 27, quando o time entrar em campo no estádio Olímpico, em Roma, para enfrentar o tricampeão inglês Manchester United, na decisão da Liga dos Campeões, os jogadores colocarão seus nomes à prova da história.

O doblete pode ser difícil de se conquistar, mas não chega, nem de perto, ao que representará a inédita Tríplice Coroa.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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