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Se a Catalunha quiser a independência, o Barcelona já pode desistir do Espanhol

Os clamores pela independência da Catalunha têm ganhado eco nas últimas semanas. A luta da região para se separar da Espanha promete ter mais um capítulo nas próximas semanas. Tudo porque o governo da comunidade autônoma pretende consultar a população local em um referendo, marcado para 9 de novembro. No entanto, o ato é considerado inconstitucional pelo primeiro ministro espanhol e atualmente se encontra suspenso por uma decisão judicial.

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As pressões sobre a Catalunha surgem de todos os cantos. E também no futebol. Afinal, o Barcelona é uma das principais bandeiras de orgulho regional e, não à toa, a arquibancada do Camp Nou é palco constante de manifestações em prol da independência. Porém, caso o movimento se intensifique mesmo, os blaugranas podem correr para criar o seu próprio campeonato nacional. Presidente da Liga de Fútbol Profesional, entidade que gere o Campeonato Espanhol, Javier Tebas admitiu que os catalães não integrariam La Liga se houvesse a separação, ao menos de imediato. E o que impede é a legislação da Espanha.

“Barcelona e Espanyol não poderão jogar a Liga se a Catalunha conseguisse a independência. E isso porque a Lei do Esporte tem uma disposição adicional que só um Estado de fora da Espanha pode jogar as competições oficiais do país, e este é Andorra”, afirmou Tebas, em entrevista à emissora Onda Cero. “Se a Catalunha se tornar independente, essa lei teria que se modificar no congresso para que as equipes catalãs possam jogar. É a única possibilidade”.

Com apenas seis equipes nas duas primeiras divisões do futebol espanhol e outros nove na terceirona, o Campeonato Catalão teria apelo pequeno diante da realidade de Barcelona e Espanyol. Existe quem defenda a integração dos principais clubes catalães ao Campeonato Francês em uma eventual independência, mas a ideia não passa de imaginação. Afinal, também haveria pressão contra a Ligue 1 neste caso. Assim como o exemplo da Escócia, a independência da Catalunha poderia eclodir outros movimentos pela Europa.

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De qualquer forma, o dirigente admitiu que a saída dos clubes da Catalunha seria uma grande lástima ao Campeonato Espanhol: “A competição perderia muito sem o Barcelona e o resto das equipes. Não imagino uma Liga sem Barça, Espanyol, Sabadell, Girona. O negócio cairia para todos. A independência criaria um problema importante no futebol”.

Defensor da causa nacional principalmente depois da passagem do presidente do Joan Laporta, o Barcelona também vê alguns jogadores encabeçarem o movimento pelo referendo, entre eles Xavi e Piqué. “Eu não tenho dúvidas. Joguei pela seleção espanhola por 11 anos e há algo diferente em ser favorável a um referendo, que é democrático. As pessoas têm o direito de votar, e não há nada para fazer com elas”, afirmou Piqué.

Para o Barcelona, a independência da Catalunha poderia reforçar ainda mais a identidade do clube e aproximá-lo da comunidade. No entanto, as perdas com a saída de La Liga, o fim dos clássicos rotineiros com o Real Madrid, a redução das possibilidades financeiras e outras desvantagens econômicas também podem impactar de maneira decisiva no Camp Nou. Uma decisão delicada que mexe com o orgulho, mas também com os bolsos dos blaugranas, por mais que a comunidade autônoma tenha grande potencial econômico.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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