Espanha

‘Ele é uma das minhas fraquezas. Poderia ter sido um candidato para treinar o Real Madrid’

Ex-técnico da seleção espanhola analisou a sucessão no banco de reservas dos Merengues

Vicente del Bosque, ex-técnico do Real Madrid e da seleção espanhola, e Luis de la Fuente, atual comandante da Roja, se reuniram no tradicional programa espanhol “El Larguero”, da rádio Cadena SER. Entre memórias, reflexões e análises sobre futebol, o nome de Raúl González, ídolo merengue, virou assunto.

O ex-atacante virou treinador, mas está sem clube desde que deixou o comando do Real Madrid Castilla. O maior artilheiro da história merengue recebeu uma defesa enfática de Del Bosque, que não apenas exaltou suas qualidades, como também sugeriu que ele teria credenciais suficientes para assumir o banco do Real Madrid, ocupado atualmente por outro ex-jogador: Álvaro Arbeloa.

Del Bosque apoia Raúl no Real Madrid

Del Bosque não economizou palavras ao falar do antigo pupilo. Com a serenidade que sempre marcou sua trajetória, o treinador que levou a Espanha ao título da Copa do Mundo em 2010 deixou claro o carinho e a admiração que nutre por Raúl, agora em busca de novos rumos na carreira.

“Raúl é uma das minhas fraquezas. E se ele não foi para outro lugar até agora, é porque não quis”, afirmou.

Del Bosque durante a Copa do Mundo de 2014
Del Bosque durante a Copa do Mundo de 2014 (Foto: Imago)

Para o ex-técnico, a ausência de propostas ou movimentações não se explica por falta de capacidade, mas por escolha pessoal do próprio treinador. Questionado sobre o fato de Raúl não ter figurado entre os favoritos para substituir Xabi Alonso no Real Madrid, Del Bosque foi direto:

“Para mim, ele poderia, claramente, ter sido um candidato para treinar o clube”.

O status de Del Bosque na história do futebol espanhol, além de ser reverenciado por sua leitura de vestiários, perfis de liderança e processos de formação fazem do seu apoio ao ex-atacante algo relevante. Para ele, Raúl reúne características raras: compreensão profunda do jogo, autoridade natural e uma trajetória que impõe respeito sem precisar ser imposta.

Seleção espanhola e bastidores de um legado

Ao comentar o trabalho de De la Fuente à frente da seleção espanhola, o veterano adotou tom humilde. Evitou conselhos e destacou o ambiente construído pelo atual treinador visando a Copa do Mundo de 2026.

“Ele está no dia a dia, tanto no aspecto físico quanto no emocional, e conduz isso perfeitamente. O ambiente do vestiário é fantástico.”

Mas foi ao falar de Raúl que Del Bosque se mostrou mais enfático. Enxerga no ex-atacante não apenas um nome com história, mas um técnico em formação, pronto para dar um salto maior. “Tenho muito apreço por ele e não descarto que faça carreira como treinador”, concluiu.

Raúl jogou de 1994 a 2010 no Real Madrid. Foram 741 partidas, 323 gols e 136 assistências, além de 102 jogos e 44 gols na seleção espanhola. Ele treinou o Castilla de julho de 2019 a junho de 2025.

Foto de Guilherme Ramos

Guilherme RamosRedator

Jornalista pela UNESP. Vencedor do prêmio ACEESP de melhor matéria escrita de 2025. Escreveu um livro sobre tática no futebol e, na Trivela, escreve sobre futebol nacional, internacional e de seleções.

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