Espanha

Real Madrid: ‘Em poucos dias, já tinha um jogador no escritório reclamando’

Em seu primeiro mês no comando, técnico enfrenta tensão no vestiário e apaga incêndios herdados da era Xabi Alonso

Um mês foi suficiente para deixar claro que assumir o comando do Real Madrid em um momento de instabilidade exige mais do que conhecimento tático. Álvaro Arbeloa, recém-chegado ao banco do time principal, encontrou um ambiente com jogadores desconfiados, desgaste acumulado e uma relação fraturada entre elenco e comissão técnica.

Nos bastidores, a frase que resume esse começo intenso circula sem rodeios: “Em poucos dias, já havia jogador batendo à porta do escritório para reclamar”, disse o ex-zagueiro.

O cenário era delicado. A saída de Xabi Alonso aliviou parte do elenco, mas abriu espaço para um período de incerteza. Arbeloa não era um rosto desconhecido, seu trabalho no Castilla o mantinha próximo da rotina do time principal, mas a transição de auxiliar frequente para treinador definitivo alterou completamente a dinâmica. O respeito precisaria ser conquistado no dia a dia.

Arbeloa e os ‘incêndios’ no Real Madrid

O jornal espanhol “Marca” detalhou os bastidores dos primeiros passos do novo treinador, e a prioridade inicial foi restaurar a unidade do grupo. Internamente, o diagnóstico era claro: a quebra de confiança entre jogadores e comissão técnica havia sido determinante para o fim do ciclo anterior.

Declarações públicas, como a de Mbappé ao admitir que “coisas aconteceram” na relação com Xabi, apenas confirmaram o desgaste que já era um segredo aberto.

O técnico Álvaro Arbeloa, do Real Madrid
O técnico Álvaro Arbeloa, do Real Madrid (Foto: Imago)

Segundo o periódico, Arbeloa encontrou um vestiário fragmentado, com demandas individuais, insatisfações acumuladas e um ambiente emocionalmente carregado. Um a um, tratou de resolver os conflitos, mediando tensões e impondo autoridade sem romper pontes.

Houve conversas duras, decisões impopulares e ajustes de rota. Mas o efeito foi perceptível: o recente jantar de confraternização do elenco simbolizou uma reconexão que parecia distante semanas antes.

No campo, o treinador também promoveu mudanças sensíveis. A carga excessiva de informações táticas, apontada como um dos principais incômodos na era Xabi, foi reduzida. O mesmo ocorreu com a rigidez extrema de parte da antiga comissão. Arbeloa apostou em uma comunicação mais direta, treinos mais objetivos e maior autonomia aos jogadores, buscando aliviar a pressão mental sem abrir mão da exigência competitiva.

- - Continua após o recado - -

Assine a newsletter da Trivela e junte-se à nossa comunidade. Receba conteúdo exclusivo toda semana e concorra a prêmios incríveis!

Já somos mais de 4.800 apaixonados por futebol!

Ao se inscrever, você concorda com a nossa Termos de Uso.

Arbeloa tem ‘respaldo total’ da diretoria

Enquanto ajustava o ambiente interno, Arbeloa também lidava com o que vinha de fora. A torcida, impaciente, e a imprensa, vigilante, ampliavam cada erro e cada acerto. Ainda assim, dentro do clube, o saldo é positivo, segundo o “Marca”. A diretoria enxerga no treinador não apenas um interino, mas um projeto de médio prazo.

O respaldo tem sido claro. O Real valoriza sua postura serena diante da pressão, o comprometimento diário e a capacidade de liderança demonstrada em um contexto que poderia engolir técnicos mais experientes.

Além do trabalho psicológico, Arbeloa já avança em ajustes físicos, pequenas correções táticas e redefinição de estilo de jogo, buscando recuperar a identidade competitiva da equipe. O começo foi turbulento, mas o sentimento é de que o treinador conseguiu atravessar a primeira tempestade.

Foto de Guilherme Ramos

Guilherme RamosRedator

Jornalista pela UNESP. Vencedor do prêmio ACEESP de melhor matéria escrita de 2025. Escreveu um livro sobre tática no futebol e, na Trivela, escreve sobre futebol nacional, internacional e de seleções.

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo