Espanha

Raúl fora. Melhor assim

Luís Aragonés e Raúl tentam disfarçar o constrangimento. Era 21 de fevereiro de 2008 e o técnico da seleção da Espanha e o atacante do Real Madrid tentam mostrar à opinião pública espanhola que estão em paz. O treinador chega a dizer que a presença do madridista na Eurocopa depende apenas do desempenho do jogador com a camisa merengue. Na época, muita gente achou que era farsa. Agora, todos têm certeza de que foi mesmo uma encenação. E das ruins.

A não-convocação de Raúl para o amistoso contra a Itália praticamente oficializou que o atacante só verá a Euro como espectador. Uma conclusão já esperada para esse episódio, pois há mais de um ano o jogador não é convocado para um amistoso sequer da Fúria. Melhor para a Espanha.

Raúl está em boa fase. De fato, há anos o atacante não demonstra a consistência desta temporada, mesmo com a inconsistência do Real Madrid de Schuster nos últimos tempos. O problema é que o jogador simplesmente não tem espaço. O time titular está fechado do meio para a frente e, para tê-lo no banco, é melhor deixá-lo em casa.

Aragonés não é um gênio, mas tem experiência suficiente para saber que um quarteto de meio-campo com Xavi, Fàbregas, Iniesta e David Silva vale ouro se estiver em um dia inspirado. Ainda mais se, na frente, o técnico pode contar com um atacante em fase iluminada como Fernando Torres. Assim, onde entra Raúl?

Com um meio-campo leve e técnico, a Espanha precisa de um volante atrás da linha de meias. Desse modo, é obrigada a ter apenas um atacante. Não faz sentido deixar Torres no banco, mas, mesmo que fosse feito esse sacrifício em nome da história de Raúl, não funcionaria. O madridista não se sente bem como atacante de referência. Suas melhores atuações são como segundo atacante, alguém que permita que ele se movimente mais e até volte para buscar o jogo no meio-campo.

Deixar o jogador na reserva só pioraria o cenário. Pelo carinho que tem de torcida e imprensa (um carinho exagerado, diga-se), Raúl seria uma sombra para os meias e atacantes da Espanha na Eurocopa. Qualquer erro seria a deixa para que surgisse a pressão para a entrada do merengue em campo. O próprio comportamento do jogador, tido como mimado e convencido de que não pode ser reserva de ninguém, ajuda a alimentar o temor de levá-lo “para constar”.

Diante das circunstâncias, a Espanha deve saudar a escolha de Aragonés. Mesmo os torcedores do Real Madrid, que prestam eterna reverência ao atacante, deviam refletir um pouco sobre os prós e contras de levar o atacante para Suíça e Áustria. Ainda que ele esteja em boa fase.

Laporta força a barra

Já não é novidade que Joan Laporta, presidente do Barcelona, tem aspirações políticas. Isso explica o populismo que ele faz com os catalães sempre que possível. No entanto, o dirigente já está exagerando, a ponto de criar desconforto no resto da Espanha.

Nesta semana, o time dente-de-leite do Barcelona foi disputar um torneio internacional no Algarve, região ao sul de Portugal. Como é praxe, os hinos dos países dos times foram tocados antes do início da partida. Mas o Barça não gostou. A equipe, formada por garotos de 8 anos, não se perfilou ao som do hino da Espanha. A diretoria blaugrana pediu para ser tocado o hino do clube, pois a instituição não se sentia representada pela Marcha Real.

Foi a segunda vez que isso ocorreu. Em 2007, no mesmo torneio, o time fraldinha do Barça também teve essa atitude. Tanto que, esse ano, a organização da competição chegou a pedir que o clube catalão apresentasse um pedido por escrito para que o hino espanhol não fosse tocado.

Ainda que muitos catalães queiram a independência, há muitos que defendem apenas um aumento da autonomia, sem separação política com a Espanha. Para os próprios espanhóis, uma atitude como essa é vista com antipatia, sobretudo porque a Catalunha é uma região rica e criar tal constrangimento soa a antipatia e preconceito com o resto do país. Para piorar, o fato de a manifestação se dar em torneios dente-de-leite e fraldinha passa a sensação que a diretoria usa crianças – que certamente têm pouquíssima noção dos atritos entre Catalunha e Madri – para seus interesses políticos.

Questionado sobre o ocorrido em Portugal, Joan Laporta reforçou a atitude do clube. Ele chegou a dizer que, sempre que vai ao exterior, procura explicar aos estrangeiros qual a grandeza de seu país: “É um país entre a França e a Espanha”. Ou ele já dá por feita a independência da Catalunha, ou é andorrano e ninguém sabe.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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