¿Qué pasa?

Bicampeão da Copa da Uefa, campeão da Copa do Rei e terceiro colocado no último Campeonato Espanhol, pelo qual disputou o título até a última rodada. O currículo recente do Sevilla é ótimo e dá subsídio a quem considerava a equipe andaluza uma força emergente no cenário espanhol. Não era uma sensação despropositada, mas que não é compatível para um time que, em seis jogos, tem igual número de pontos.
Com esses números, dizer que o Sevilla não vive um bom momento é o óbvio. O difícil é avaliar o que levou a isso, porque não há um fato concreto que justifique tamanha queda de rendimento.
Antes de tudo, é preciso ficar claro que o Sevilla não se tornou um time ruim. O sistema de jogo ainda é interessante, com bons jogadores e momentos em que o toque de bola veloz envolve a defesa adversária. Aliás, em algumas das derrotas recentes, o time deixou boa impressão e merecia sair de campo com algum ponto.
Basicamente, falta ao Sevilla 2007/8 o brilho de vencedor do Sevilla 2006/7. Apresentar o bom futebol e usar isso como modo de impor sua superioridade técnica, colocando o adversário no chão e conquistando vitórias contundentes. Nesta temporada, o Sevilla tem parecido um time pequeno bem montado, em que o futebol insinuante é só um atrativo para dar sustos no adversário antes de tombar. Mesmo quando pressiona o adversário, não o faz com a certeza imparável de quem fará o gol inevitavelmente.
Essa mudança de nível de jogo se deve à perda da segurança em si próprio. Conseqüência de uma sucessão de fatores que abalou o delicado equilíbrio que transformava o Sevilla em uma força.
Sem ser um time grande, sem ter grandes investimentos, sem contar com estrelas mundiais no elenco e sem poder vestir uma camisa temida pela Europa, os sevillistas dependiam principalmente de seu sistema de jogo fluido e de uma impressionante solidez coletiva. Ela que fazia que o futebol dos andaluzes se desenvolvesse com naturalidade e compensasse qualquer desvantagem que a equipe poderia ter.
Tendo esse ponto de partida, já se poderia esperar um início claudicante na temporada. Um time que tem o coletivo como força precisa estar entrosado e embalado. Em qualquer começo de campanha, esses objetivos são mais difíceis de alcançar pela falta de ritmo de jogo. Além disso, o aumento de jogos de peso colocou mais pressão física e psicológica sobre a equipe. Ainda que nas temporadas passadas o calendário não fosse menos congestionado, há uma clara diferença entre disputar a Liga dos Campeões e as fases iniciais da Copa da Uefa.
A tabela também não foi das mais gratas com os rojiblancos. Barcelona, Espanyol e Zaragoza são adversário perigosos, que sabem se aprovietar de eventuais titubeios. Enfrentar o Arsenal em grande momento logo na estréia pela Liga dos Campeões também não ajudou. Os 3 a 0 de Londres deram a sensação de que o Sevilla ainda é um time médio, que não deve se achar no mesmo patamar dos grandes da Europa. Uma sucessão de resultados negativos abala a confiança de qualquer equipe do mundo.
A isso se junta o problema com os laterais, que sempre deram suporte ao setor de armação e eram peças chave no esquema montado por Juande Ramos. Puerta morreu na primeira rodada do Campeonato Espanhol e foi preciso improvisar para substituí-lo. Dragutinovic faz bem a função de lateral-esquerdo, mas, por ser zagueiro de origem, é eficiente defensivamente, não no apoio. Duda e Adriano seriam opções, mas ambos têm característica oposta: marcam pouco e deixam o time vulnerável.
Na lateral direita, os atritos entre Daniel Alves e o clube – o brasileiro pediu para ser negociado com o Chelsea, mas a diretoria não aceitou a proposta do clube inglês – tiveram ligeira influência no desempenho do jogador. Ainda que o baiano mostre um grande futebol em algumas jogadas, já não há a mesma sintonia entre ele e o resto do time. Ele próprio admitiu que a torcida já não o olha do mesmo jeito de antes e a atuação apagada contra o Deportivo no último fim-de-semana deixam claro que há motivos para considerar que o jogador vive um mal momento.
Com laterais menos incisivos, o ataque acaba sentindo. A bola já não chega a Kanouté, Luís Fabiano e Kerzhakov com tanta freqüência e a produção ofensiva tem variado muito. Para piorar, Javi Navarro, capitão do time, está contundido (só retorne em janeiro) e não pode fazer seu trabalho de unir e dar um foco aos companheiros em campo.
Até pela natureza dos problemas sevillistas, dá para perceber que é algo potencialmente transitório. Duas boas partidas podem recolocar Daniel Alves na lista de grandes ídolos da torcida rojiblanca. Em algumas rodadas, Juande Ramos pode encontrar uma solução para a lateral esquerda. Duas vitórias convincentes recolocam a confiança no elenco e passar pelo Steaua Bucareste em casa na terceira rodada da LC dá a tranqüilidade de que a campanha internacional do clube não será curta. Menos mal, porque seria uma pena ver um trabalho inteligente ruir no seu melhor ano.
CURTAS
– Na temporada passada, o Sevilla venceu todos os jogos em casa no primeiro turno. Neste início de campanha, já foram duas derrotas (Espanyol e Deportivo de La Coruña).
– De repente, virou senso comum falar que Messi é melhor que Ronaldinho. Vamos com calma. O argentino tem “comido a bola” e tem jeitão de que ainda será eleito o mundo em poucos anos (essa é a aposta deste colunista), mas tivemos apenas nove rodadas na temporada (sete do Espanhol e duas da Liga dos Campeões). É muito cedo para fazer julgamentos definitivos. O brasileiro já mostrou tudo o que pode fazer e merece crédito.
– Antes do jogo contra o Athletic de Bilbao, o Almería teve de prestar uma homenagem ao atacante Rafael “Pichichi” Moreno no busto do ex-atacante que há no estádio San Mamés. Todo clube que joga pela primeira vez em Bilbao é obrigado a seguir esse ritual.
– O Levante fez um ponto em sete jogos, tem o pior ataque e a pior defesa. Para melhorar a situação, os jogadores pediram a recontratação do psicólogo José Carrascosa.
– Carrascosa já trabalhou no clube no final da temporada passada, quando os levantistas arrancaram e fugiram do rebaixamento.
– Uma idéia interessante, ainda mais por partir do elenco, geralmente arredio a trabalho de “cientistas”. E pode dar certo porque, no papel, o Levante não é tão ruim.
– Veja a seleção Trivela da 7ª rodada do Campeonato Espanhol: Ricardo (Betis); Sergio Ramos (Real Madrid), Coloccini (Deportivo de La Coruña), Garay (Racing de Santander) e Marcelo (Real Madrid); Zapater (Zaragoza), Guardado (Deportivo de La Coruña), Deco (Barcelona) e Luís García (Espanyol); Arango (Mallorca) e Messi (Barcelona).



