Processo eleitoral

O Barcelona confirmou que sua eleição presidencial será realizada em 13 de junho. Ou seja, Les Corts terá um mês e meio de bastante turbulência política, promessas de contratações, alianças para futuros projetos e muito diz-que-diz na imprensa. Um processo que pode desestabilizar o clube, ainda que a sensação inicial seja que todos tentarão deixar o time de fora da discussão, para não arcar com a responsabilidade de um eventual fracasso (mais ou menos como ocorreu no Flamengo no final do ano passado).
Os candidatos já são conhecidos: Agustí Benedito, Sandro Rosell, Jaume Guixà, Jaume Ferrer, Santiago Salvat e Alexis Plaza, sendo que Marc Ingla ainda pode ingressar na disputa. Desses nomes, o de maior poder explosivo é Rosell, ex-melhor amigo do atual presidente, Joan Laporta, ex-diretor da Nike e co-responsável pelo atual projeto barcelonista, que se iniciou em 2004.
Laporta afirmou na última semana que Rosell tem ressentimento compulsivo pela perda de espaço na direção blaugrana (o que o teria levado a romper com o presidente e se tornado o principal nome de oposição). O problema é que o atual mandatário sabe da força do adversário, até porque ele não foi capaz de criar uma chapa sólida de situação. Tentou Alfons Godall, mas o abandonou depois de tentativas desastradas de aliança. Deu sinais para Jaume Ferrer, a quem havia criticado muito no começo do ano.
Enquanto isso, Salvat tenta se articular como “terceira via”. O candidato já declarou que há concorrentes demais na eleição e que, provavelmente, muitos se unirão em torno de poucos nomes. Ele tem a seu lado duas figuras históricas da política blaugrana, Josep María Minguella e Jordi Medina, que poderiam ser fundamentais na busca de aliados.
Guardiola diz que não comenta o assunto enquanto não sair o resultado da eleição, sinal de que não pretende se amarrar a nenhum nome. Bom para ele, e bom para a torcida, que vê reduzida a chance de um rompimento no trabalho atual. Desde que, claro, o time conquiste o Campeonato Espanhol e não termine a temporada em baixa, com sede de mudanças exageradas.
No limite
O caro leitor, mesmo o que não tenha intimidade com as funções jornalísticas, já deve ter ouvido algum jornalista falar em “fechamento”. Fechamento nada mais é que a reta final do processo de elaboração de um produto jornalístico, seja ele um jornal, uma revista, um programa de TV ou um programa de rádio. É um momento de correria, de conferir as últimas informações, de finalizar o texto e as imagens. No jornalismo é assim, mas quase todas as outras profissões têm seus equivalentes ao fechamento. Pode ser semana de provas, final do prazo para entrega de projetos, aumento sazonal de demanda ou realização de algum evento. E o resultado final é sempre o mesmo: cérebros derretidos de tanto trabalho e tanta tensão.
Imagine a sensação de ter um fechamento (ou o gargalo produtivo de sua profissão) a todo momento, com milhões de pessoas observando e julgando qualquer erro. É quase impossível manter a concentração ou o nível de precisão todo o tempo. O que torna a briga pelo título espanhol tão interessante a três rodadas do fim do campeonato.
O Real Madrid fez uma partida lamentável contra o Osasuna. Venceu, e pode-se dizer que mereceu por não se conformar com a própria falta de inspiração, por buscar o gol até o último minuto – quando Cristiano Ronaldo fez o gol definitivo na vitória por 3 a 2. Antes disso, porém, viu os navarros perder um sem-número de oportunidades claras de gol.
Um empate seria trágico para os madridistas, porque deixaria o Barcelona com três pontos de frente. Contando ainda a vantagem dos catalães no critério de desempate (confronto direto), o time de Guardiola seria campeão mesmo se perdesse um dos três jogos restantes. Nem essa obrigação de vencer ajudou a dar inspiração aos merengues. Dá para compreender, tamanha a estafa física e psicológica de um final de temporada que ainda tem um duro encontro com o Mallorca nas Ilhas Baleares e a a pressão por uma Copa do Mundo pela frente.
O Barcelona parece lidar melhor com isso. O time não teve a mesma força para vencer uma Internazionale brilhante defensivamente na última quarta. Mas não mostrou muito abalo mental no duro confronto com o Villarreal fora de casa. Sinal que o Barça segue forte e tem o favoritismo. Mas não é tão simples assim.
Os blaugranas também dão sinais de esgotamento. Iniesta teve problemas físicos nas últimas semanas e iniciou vários jogos importantes do banco de reservas pela falta de ritmo. Depois, Xavi admitiu que tem uma pequena lesão muscular e tem dosado suas forças em campo para que ela não se agrave, não prejudique seu desempenho pelo Barça e nem sabote suas pretensões de Copa do Mundo.
Esse Barcelona desgastado ainda tem um confronto com o Sevilla fora de casa pela frente. Os andaluzes também se arrastam nesse fim de temporada, mas precisam de vitória para ter uma vaga na Liga dos Campeões e poderiam parar os culés. Um tropeço que poderia dar o título ao Real Madrid e fazer a temporada terminar sem nenhum troféu em Les Corts. Justo em um ano delicado pelas eleições no clube (veja mais abaixo). E pressão política é tudo o que a equipe não precisa no momento.
No final das contas, o favoritismo segue com o atual líder. Mas essa vulnerabilidade dos dois concorrentes dá um molho extra à disputa.



