Espanha

Presidente da liga sugere cancelamento da final da Copa do Rei em caso de vaias ao hino

A mais de dois meses da disputa da final da Copa do Rei entre Athletic Bilbao e Barcelona, o futebol está em segundo plano. A série de polêmicas em torno da questão separatista ganhou outro capítulo nesta sexta-feira, com Javier Tebas, presidente da LFP (liga espanhola), afirmando que, se tivesse tamanho poder, cancelaria a decisão logo que começassem as iminentes vaias ao hino espanhol. Declaração desnecessária e que nada mais deve fazer senão insuflar ainda mais as duas torcidas para o encontro.

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“Se houver vaias, eu suspenderia a final da Copa. O hino é um dos símbolos da final da competição. Embora não seja uma competição que nós organizemos, a LFP está muito preocupada, e não podemos permitir que o hino seja vaiado. Nós, pelo menos, trabalharemos para minimizar a situação”, disse Tebas, em entrevista ao jornal AS.

O simples fato de que não compete ao presidente da liga tomar esse tipo de decisão, mas, sim, à Federação Espanhola, já torna a declaração dispensável. E, mesmo que Tebas tivesse tamanho poder, de pessoalmente tomar uma decisão tão grande, seria de uma irresponsabilidade e insensibilidade tremendas. Como é que ele pretenderia fazer com que dezenas de milhares de torcedores deixassem o estádio conformados com tal arbitrariedade, cercada de uma visão política da qual discordam?

Como se as declarações da presidente do Partido Popular, Esperanza Aguirre, sobre proibir as equipes de disputar o torneio ou a decisão de Florentino Pérez em não oferecer seu estádio para a final, coisa que tanto Athletic quanto Barça queriam,  não fossem suficientes, o presidente da Liga ainda manda uma dessas.

É inútil pedir a duas comunidades separatistas que respeitem o hino em um momento de tamanha repercussão. Fizeram isso em 2012 e certamente farão no dia 30 de maio. Se há a preocupação em manter tudo o mais pacífico possível, isso precisa começar com o fim de frases que apenas inflamem todos os lados.

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Leo Escudeiro

Apaixonado pela estética em torno do futebol tanto quanto pelo esporte em si. Formado em jornalismo pela Cásper Líbero, com pós-graduação em futebol pela Universidade Trivela (alerta de piada, não temos curso). Respeita o passado do esporte, mas quer é saber do futuro (“interesse eterno pelo futebol moderno!”).

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