Florentino Pérez veta Bernabéu como palco da final da Copa do Rei e revolta políticos bascos

Pela terceira vez nos últimos seis anos, Athletic Bilbao e Barcelona farão a final da Copa do Rei. Levando em conta os grandes públicos que mobilizaram nas duas últimas vezes em que se encontraram na decisão do torneio, as equipes desejavam usar o Santiago Bernabéu como palco para a partida, e a Federação Espanhola já havia escolhido o estádio do Real Madrid como sede, mas receberam o veto de Florentino Pérez. A pequena confusão, no entanto, não ficou restrita ao campo esportivo, e políticos bascos foram ao ataque contra o presidente madridista.
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Em entrevista à Euskadi Radio, Andoni Ortuzar, presidente do PNV (Partido Nacionalista Basco), deixou clara sua revolta pela decisão: “É um escândalo que este senhor possa decidir sim ou não para uma coisa dessas. Se fizéssemos isso em Euskadi, nos acusariam de politização. Este senhor parece o dono da Espanha. Uma final entre Barcelona e Athletic é um evento que qualquer cidade gostaria de receber, mas ele não quer ver bandeiras bascas e catalãs em seu campo”.
Os clubes e a Federação Espanhola viam o Santiago Bernabéu como palco ideal para a decisão por causa de sua capacidade, localização e facilidade de acesso. Se fosse um caso isolado, talvez o veto de Florentino Pérez não rendesse tamanha repercussão. Entretanto, em 2012, última vez que Athletic e Barça se encontraram na final da Copa do Rei, o mesmo mandatário negou ceder o estádio, alegando que o local passava por reformas nos banheiros. O Vicente Calderón, do arquirrival madridista Atlético de Madrid, sediou aquela final.
Unai Rementeria, candidato do PNV a deputado de Biscaia, uma das províncias bascas, também se pronunciou, em tom mais sarcástico. “Se temos que escolher, vamos à Inglaterra, a um campo inglês, e, se quiserem, que venham a rainha da Inglaterra e o rei espanhol”, ironizou.
Para piorar o mal-estar, nesta segunda-feira, a presidente do Partido Popular (PP) de Madri – e torcedora do Real -, Esperanza Aguirre, atacou Athletic e Barcelona, afirmando que era uma pena que equipes com laços separatistas participassem de um torneio em homenagem à monarquia.
“Outra vez chegam estes clubes à final. E outra vez já se anuncia que as torcidas de ambos vão aproveitar a final para mostrar seu ódio aos espanhóis vaiando o hino nacional e o rei. Vão aproveitar a solenidade para dar uma exibição de ódio aos outros espanhóis. Aquele que despreza a união de todos que formam a nação espanhola não merece estar presente em uma competição em que o prêmio é precisamente o reconhecimento de todos os cidadãos espanhois”, afirmou, em declaração publicada pelo Mundo Deportivo.
O local da final de 30 de maio segue indefinida, mas a troca de farpas entre políticos deve apenas acirrar os ânimos. Especialmente a de Esperanza Aguirre, que não mira uma pessoa em especial, mas os grupos envolvidos na questão. Sendo em Madri ou não, bascos e catalães têm agora mais motivos para levantar suas bandeiras e clamarem por suas causas separatistas.



