Não é só o Brasil que padece com casos de corrupção envolvendo os principais dirigentes de seu futebol. A Espanha também tem seu Ricardo Teixeira. A Audiência Provincial de Madri determinou a reabertura do caso que investiga o uso de fundos da Real Federação Espanhola de Futebol (RFEF) para custear viagens privadas em 2002, com o presidente Ángel María Villar figurando entre os investigados.
Encerrado previamente em 2010, o inquérito analisa as viagens feitas por parte da delegação para a Copa do Mundo de 2002, no Japão e na Coreia do Sul. Ao lado de Villar, o vice-presidente da RFEF, o administrador geral, o vice-presidente econômico e um membro da junta diretiva também estão na mira da justiça.
Segundo a Agência Estatal de Administração Tributária, as justificativas sobre os gastos são deficientes. Algumas faturas foram emitidas com atraso de anos, enquanto em outras ocasiões sequer foram emitidas: “Pode se dizer que os gastos de viagem dos acompanhantes de alguns membros da RFEF eram pagos com os fundos da entidade”.
Villar está no comando da RFEF desde 1988, releito para o cargo em seis ocasiões. Ex-jogador do Athletic Bilbao e da seleção espanhola durante a década de 1970, o dirigente também acumula os cargos de vice-presidente da Fifa e de vice-presidente da Uefa.
A reabertura do caso é consequência do recurso contra o arquivamento das denúncias feitas por Javier Tebas em 2003. Vice-presidente da Liga de Futebol Profissional (LFP), entidade que organiza o Campeonato Espanhol, Tebas acusou Villar de apropriação indevida do dinheiro da RFEF e falsidade ideológica.
Entre as prerrogativas para arquivar o caso estava o fato de a RFEF ser uma entidade privada – embora a Audiência tenha recordado que o Código Penal não exige que “as condutas criminosas recaiam necessariamente sobre fundos ou entidades públicas”. Alguma outra semelhança com o Brasil?



