Espanha

Pijama training

Uma das questões que orbitavam o Barcelona no início da temporada era o preparo físico. Depois de uma longa temporada, que começou com Supercopa da Espanha e Supercopa européia e foi alongada até a vitória espanhola na Copa do Mundo, o Barça passaria incólume em 2010/11? O dilema não existe mais, pois já se sabe que a resposta é “não”.

Nesta semana de seleções nacionais, a Espanha não pôde contar com Xavi, como os blaugranas já não haviam contado no empate em casa com o Mallorca no sábado anterior. O meio-campista entrou em contato com Pep Guardiola e Vicente del Bosque para pedir dispensa. Ele não escondeu o motivo quando perguntado se o motivo era evitar que a tendinite que sentia se tornasse uma lesão mais séria. “Sempre há o temor de romper o tendão e ficar de fora de toda a temporada. Era o momento de parar. Os 20 dias de descanso me farão bem”

O próprio jogador admite que jogou no sacrifício (“sofri bastante”) e que correu riscos em partidas do Barcelona, sobretudo contra o Rubin Kazan na Liga dos Campeões. Nem precisava. Era nítido, desde o começo do Campeonato Espanhol, que Xavi não estava 100%. Salvo na partida contra o Panathinaikos na estreia pela LC, o catalão esteve longe de apresentar um futebol de nível tão alto quanto o da temporada passada. Não havia o mesmo dinamismo, a mesma troca de passes fluida. Claro que uma ou outra jogada sempre funcionava, mas ele estava “travado”.

Por enquanto, não foi um problema tão grande. O Barcelona perdeu cinco pontos em casa (para Hércules e Mallorca), mas ainda há tempo de sobra para recuperar isso em La Liga. Na LC, os blaugranas devem se classificar com facilidade. E a Espanha venceu a Lituânia na sexta, com boa atuação de Cazorla, homem que ocupou a vaga de Xavi. Pode haver um problema no próximo fim de semana, se o meia não se recuperar a tempo de defender seu clube no importante jogo contra o Valencia. Ainda assim, é algo pontual.

O que acende o sinal de alerta é o longo prazo. Jogadores do Barcelona que conquistaram o Mundial pela Espanha (Valdés, Puyol, Piqué, Sergio Busquets, Xavi, Iniesta, David Villa e Pedro) tiveram jogos de grande intensidade física e psicológica até 11 de julho. Daniel Alves, Mascherano e Lionel Messi foram eliminados nas quartas de final, mas tiveram apenas uma semana a menos de trabalho. Todos esses jogadores viram suas férias serem prejudicadas. Sem o descanso adequado, ficam mais suscetíveis aos riscos de uma pré-temporada acelerada e à “fadiga de material”.

Aos poucos, Guardiola terá de poupar cada um desses jogadores, nem que seja por uma ou duas partidas. Até 27 de novembro, no clássico contra o Real Madrid, o calendário não é muito generoso aos culés. São partidas fáceis intercaladas com difíceis, o que torna mais difícil a decisão de deixar alguém de fora. Mas em dezembro começa uma sequência supostamente mais tranquila (Osasuna, Real Sociedad, Espanyol, Deportivo, Málaga, Racing e Hércules). Nesse período, ainda há partidas pela Copa do Rei e um intervalo de 15 dias para as festas de fim de ano.

É fundamental para o Barça sobreviver até o dia seguinte ao clássico contra o Real Madrid. E, nesse caso, “sobreviver” não se refere a continuar na luta pelos títulos disponíveis. É muito provável que os catalães sigam firmes até lá. O desafio é evitar que algum jogador-chave, como Xavi, Iniesta, Messi ou Piqué, sofra uma contusão grave, que o tire de ação por algumas semanas ou meses, e tenha gás para se manter em alto nível em abril, maio e junho de 2011, quando chegam as decisões do Campeonato Espanhol e da Liga dos Campeões.

Às vezes, o melhor treino é ficar em casa.

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Equipe Trivela

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