Espanha

‘Clube de mer..’: Campeão da CAN volta ao Rayo sem homenagem e expõe diferença de tratamento

Pathé Ciss retornou após conquista continental com Senegal e marcou na derrota contra o Osasuna

O retorno de Pathé Ciss ao Rayo Vallecano, no último sábado (24), tinha todos os elementos para ser simbólico. Campeão da Copa Africana de Nações com a seleção de Senegal, o volante voltou a campo poucos dias depois do título continental e ainda marcou um gol contra o Osasuna.

Nem mesmo o feito individual, porém, foi suficiente para transformar a partida em celebração: o Rayo perdeu por 3 a 1, e o clube ignorou completamente a conquista do seu jogador.

A ausência de qualquer gesto institucional chamou atenção. Não houve homenagem, menção no sistema de som, guarda de honra ou aplausos formais antes da bola rolar. Para um clube que raramente tem atletas campeões de torneios continentais, a oportunidade perdida foi evidente — e sentida pelo próprio Ciss, ainda que de forma indireta.

Jogador manda recado nas redes ao Rayo Vallecano

Sem conceder entrevistas ou declarações públicas, o senegalês escolheu as redes sociais para demonstrar seu incômodo. Em sua conta verificada, compartilhou a publicação de um torcedor que criticava duramente o Rayo Vallecano pela falta de reconhecimento.

A mensagem, ofensiva ao clube, deixava claro o contraste entre a grandeza do título conquistado e o tratamento recebido no retorno à Espanha. Ao replicá-la, Ciss transformou o silêncio do clube em constrangimento público.

Publicação do internauta:

“O Rayo Vallecano não é uma equipe conhecida por seus campeões continentais. Hoje eles tiveram uma oportunidade fantástica de homenagear Pathé Ciss, campeão da Copa Africana de Nações, e nem sequer tiveram essa maldita consideração. Que clube de merd*.”

Pathe Ciss celebra gol pelo Rayo Vallecano
Pathé Ciss celebra gol pelo Rayo Vallecano (Foto: Imago)

O episódio ganha ainda mais peso quando comparado a situações recentes. No verão de 2024, Sergio Camello, após conquistar a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Paris, foi amplamente celebrado pelo Rayo. Houve guarda de honra, exibição da medalha e aplausos dos torcedores no Estádio de Vallecas. O contraste escancara a diferença de tratamento entre competições e, sobretudo, entre protagonistas.

Em outros palcos de LaLiga, o cenário foi distinto. No duelo entre Villarreal e Real Madrid, Pape Gueye — também campeão africano pelo Senegal e autor do gol decisivo na final — recebeu homenagem do Submarino Amarelo antes da partida. Um gesto simples, mas simbólico, que reforçou a relevância do título e valorizou o atleta dentro do contexto do futebol europeu.

Mais do que um episódio isolado, a situação expõe novamente a relação desgastada entre Pathé Ciss e a diretoria do Rayo Vallecano. Os atritos não são novos. Em 2023, o volante esteve muito próximo de se transferir para o Lyon, mas a negociação ruiu na reta final.

Na época, ao deixar o centro de treinamento, o jogador foi direto ao apontar o responsável: “Foi o Martín Presa (presidente do Rayo), como sempre”. Agora, sem discurso oficial, Ciss deixou claro que o incômodo permanece — e que o título africano apenas ampliou uma fratura já existente há tempos.

Foto de Guilherme Calvano

Guilherme CalvanoRedator

Jornalista pela UNESA, nascido e criado no Rio de Janeiro. Cobriu o Flamengo no Coluna do Fla e o Chelsea no Blues of Stamford. Na Trivela, é redator e escreve sobre futebol brasileiro e internacional.

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