Espanha

Para vencer, defender é preciso

É difícil ficar no topo por muito tempo. Em algum momento, surge um oponente igualmente ou mais forte, ou alguém se aproveita de um momento de desgaste momentâneo. Ainda mais se o objetivo sempre é um torneio em mata-mata. Por isso, a Espanha – tida para muitos como a melhor seleção do mundo hoje – não pode dar margem para os adversários se quiser o bi europeu em 2012. E esse processo começa identificando seus prontos fracos.

O futebol espanhol se tornou uma máquina de produzir meio-campistas técnicos, sobretudo pela capacidade de fazer a bola rodar o campo. Se fosse taticamente viável, daria para escalar quase um time inteiro com eles: Xavi, Iniesta, Fàbregas, Xabi Alonso, Jesús Navas, David Silva, Sergi Busquets, Cazorla, Pablo Hernández, Mata, Thiago Alcântara e Borja Valero. Na frente, a oferta não chega a ser fantástica, mas não dá para reclamar de David Villa, Pedro, Negredo e, se reencontrar seu futebol, Fernando Torres. No gol, Casillas é um líder dentro do grupo e um grande goleiro dentro de campo. Se não puder jogar, Diego López, Reina e Valdés (De Gea ainda precisa de mais experiência para integrar esse grupo) não fariam feio. Mas a defesa…

O amistoso contra o Chile expôs ainda mais os problemas espanhóis na zaga. Em um cenário ideal, o quarteto defensivo é Sergio Ramos, Puyol, Piqué e Arbeloa. O último destoa tecnicamente, mas Capdevila já destoava e isso não era um problema, pois o trio Ramos-Puyol-Piqué é bastante confiável. Sobretudo pelo entrosamento da dupla do Barcelona. O problema é se for necessário recorrer ao banco de reservas.

Na convocação para os jogos contra Chile e Liechtenstein, Vicente del Bosque não pôde contar com Piqué e Puyol. Ficou sem substitutos naturais. Marchena – excelente na Eurocopa 2008 – já está com 32 anos e não vive seu melhor momento. Botía (22 anos, Sporting de Gijón) começa apenas agora a ganhar contato com a seleção. Se a alternativa fosse deslocar Ramos para a zaga, o reserva na lateral também seria um garoto: Álvaro Domínguez, 22 anos, do Atlético de Madrid. A situação é tão surreal que Montoya, lateral esquerdo do Barcelona B, foi convocado.

Sem confiar nos defensores reservas por questões técnicas, físicas ou de experiência, Del Bosque improvisou. Colocou Javi Martínez, volante, e Albiol, que até tem experiência como zagueiro (também joga de lateral-direito e volante), mas está sem muito ritmo por ser reserva do Real Madrid, no miolo da defesa. Um desastre. Com uma dupla sem entrosamento e sem as virtudes de grandes zagueiros, o Chile teve espaço para atuar e fez 2 a 0 antes do intervalo.

No segundo tempo, Iniesta, Pedro e Fàbregas entraram e comandaram a virada espanhola (confirmada nos acréscimos em um pênalti inexistente). A Espanha manteve a série de vitórias seguidas e se tranqüilizou por ver que os atritos recentes entre Barcelona e Real Madrid não se transformaram em racha na seleção (ponto para a capacidade de liderança de Casillas e Puyol), mas ganhou uma pulga atrás da orelha. Até porque virar de 0 a 2 para 3 a 2 em um amistoso em campo neutro (St Gallen, Suíça) contra o Chile é diferente de enfrentar Alemanha e Holanda em um jogo de mata-mata.
 

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Equipe Trivela

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