Os dez grandes momentos da epopeia do Leicester rumo ao título
O que mais surpreende no título do Leicester, conquistado na última segunda-feira, foi ele ter acontecido em um campeonato de pontos corridos. Teve várias chances para fraquejar, mas desperdiçou todas elas. Evoluiu ao longo da campanha, de um time que fazia muitos gols e também sofria vários, para outro mais equilibrado. Passou por dificuldades, reviravoltas e momentos brilhantes, conquistando passo a passo seus objetivos: salvação do rebaixamento, vaga na Champions League, e finalmente, a taça. Nesta lista, destacamos os dez grandes momentos da campanha do Leicester rumo ao título, que podemos apenas chamar de mágica.
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A primeira (e quase única) virada – Leicester 3 x 2 Aston Villa (13/09/2015)
O Leicester pode ser o time do amor, mas não é o da virada. Apenas duas das 22 vitórias do time na Premier League exigiram reviravoltas. A primeira delas foi contra o Aston Villa, na quinta rodada, um petisco do que teríamos pela frente: aos 18 minutos do segundo tempo, Carles Gil fez 2 a 0 para o clube de Birmingham, mas o Leicester não desistiu. Descontou, aos 27, com De Laet, empatou, aos 37, com Vardy, e fez 3 a 2, aos 44, com Dyer.
Alguns torcedores e comentaristas podem até ter classificado esse jogo como milagre. Sabiam de nada, inocentes.
Meia mussarela e meia calabresa – Leicester 1 x 0 Crystal Palace (24/10/2015)
Quase três meses de temporada, e o Leicester já surpreende, com quatro vitórias, quatro empates e uma única derrota. Mas algo ainda preocupa Claudio Ranieri: a defesa foi vazada em todos os jogos e levou 15 gols em nove rodadas. O italiano não podia deixar isso barato e usou a maneira mais italiana possível para corrigir o problema. “Finalmente, antes do jogo contra o Crystal Palace, eu disse: ‘Vamos lá, rapazes, eu ofereço uma pizza se vocês não levarem gols’. É claro que os jogadores não levaram gols contra o Crystal Palace”, contou.
Na hora da bonança, Ranieri preparou uma surpresa e fez os próprios jogadores prepararem a massa da pizza, uma experiência didática para ensiná-los que precisam trabalhar por tudo que conquistarem. E não é que funcionou? Depois desse jogo contra o Crystal Palace, a meta de Kasper Schmeichel passou por mais 13 partidas em que não foi vazado em 26 rodadas, e a dois jogos do fim, o campeão tem a terceira melhor defesa da Premier League.
Como ele foi parar ali? – Newcastle 0 x 3 (21/11/2015)
A primeira vez que a tabela da Premier League começou com o nome “Leicester” foi no final da 13ª rodada, depois de derrotar o Newcastle, por 3 a 0, em St. James Park, uma bela vitória para os comandados de Claudio Ranieri. O Manchester City havia perdido para o Liverpool, o Arsenal caíra para o West Brom e o Manchester United estava precisando de um mapa para encontrar o gol adversário. Mais incrível de tudo, considerando a quantidade de vitórias suadas e por 1 a 0 na reta final, o Leicester assumiu a liderança pela primeira vez com o melhor ataque da Inglaterra: 28 gols em 13 jogos.
Vardy ou Batistuta? – Leicester 1 x 1 Manchester United (28/11/2015)
Quando Jamie Vardy igualou o recorde de Van Nistelrooy, e marcou por 10 rodadas seguidas, Claudio Ranieri lembrou que Gabriel Batistuta havia anotado gol em 11 jogos consecutivos para a sua Fiorentina nos anos noventa. “É incrível mencionar Jamie no mesmo patamar de Batistuta”, disse, na época. Mas ele fez por merecer: foi às redes no jogo seguinte também, contra o Manchester United, e bateu a marca história de gols em partidas seguidas da Premier League.
Objetivo alcançado – Leicester 0 x 0 Bournemouth (02/01/2016)
“Eu paguei a pizza. Talvez o dono pague o champanhe”. Era hora de comemorar. No segundo dia de 2016, o Leicester havia alcançado o grande objetivo da temporada: os 40 pontos que julgava necessários para escapar do rebaixamento e evitar o sufoco da temporada anterior, quando chegou a ocupar a lanterna do torneio. O ponto simbólico veio no empate com o Bournemouth, na 20ª rodada, e aquele era um momento difícil para as Raposas. Foi o terceiro jogo seguido sem vencer ou sequer marcar um gol.
Mas, no geral, estava tudo certo. Com mais uma temporada de Premier League garantida, o que viesse a seguir seria lucro. “Precisamos ficar calmos. Se conseguimos 39 pontos no primeiro turno, agora queremos mais 40 no segundo. Isso daria 79 pontos”, afirmou o técnico. “Eu sei que é difícil. É loucura, mas já estamos seguros, então precisamos tentar. Estamos tendo uma temporada fantástica até agora. Por que não acreditar que tudo é possível?”.
O Leicester, a duas rodadas do fim, já selou o título, com 77 pontos.
O gol que você espera do time que vai ganhar a liga – Leicester 2 x 0 Liverpool (02/02/2016)
Ian Stringer, da BBC de Leicester, descreveu melhor do que eu poderia: “Por cima. Ele vai encontrar Vardy. Sim, ele vai. Vardy. Vardy. Oh, yes. É o gol da temporada. Que finalização. Por cima do goleiro. Esse é o gol que você de um time que vai ganhar a liga. Assista novamente, assista novamente. É absurdo. Os jogadores do Liverpool não acreditam. Jamie Vardy, o gol da sua vida. Leicester 1 x 0 Liverpool”.
Cinco pontos na liderança – Manchester City 1 x 3 Leicester (06/02/2016)
Depois do leve escorregão na virada de ano, o Leicester voltou à liderança, mas sempre muito próximos dos competidores, Arsenal e Manchester City. Ainda havia muita desconfiança. Mas duas coisas aconteceram ao mesmo tempo: os Foxes venceram o City, fora de casa, onde o clube de Manchester é muito forte – ganhou 12 dos 18 jogos que sediou na temporada da Premier League -, e abriu cinco pontos de vantagem na ponta. Significou que poderia descartar uma das treze últimas rodadas e ainda assim seria campeão.
Dilly ding, dilly dong – Sunderland 0 x 2 Leicester (10/04/2016)
No começo de abril, já era muito claro que o Leicester era sério candidato a ser campeão, com sete pontos de vantagem para o segundo colocado. Tanto que, de olho no título inédito, ninguém fazia as contas para o outro milagre: com a vitória sobre o Sunderland, o clube estava classificado para a próxima Champions League. Considerando que poucos conseguiram essa proeza na Premier League, que por muitos anos teve um grupo de elite muito bem definido, não foi pouca coisa. Em campo, Ranieri foi às lágrimas. Uma semana depois, mais relaxado, comemorou: “Nós estamos na Champions League, cara! Dilly ding, dilly dong”.
Ninguém sabe o que significa “dilly ding, dilly dong”. Ninguém se preocupa muito com isso também.
A pedra no meio do caminho – Leicester 2 x 2 West Ham (17/04/2016)
Quando um tenista obscuro se vê prestes a vencer o número 1 do mundo, não é incomum o braço ficar mais curto, o saque morrer no pé da rede ou o voleio fácil sair do estádio. Sacar para o jogo é sempre um desafio psicológico. Envolve ansiedade, o medo de amarelar, o arrependimento que o perseguirá para sempre. O Leicester não sofreu nem um pouco com isso. Ganhou seis em sete partidas na reta final, quatro por 1 a 0, e o único tropeço veio mesmo no jogo mais difícil. Empatou com o West Ham, fora de casa, em um duelo muito nervoso, em que reclamou bastante da arbitragem, mas fez um gol no fim com pênalti duvidoso. O pior mesmo foi ter Vardy expulso e suspenso para a próxima rodada.
O milagre – Manchester United 1 x 1 Leicester (01/05/2016)
Um roteirista talentoso não imaginaria um local melhor para o final da história: o estádio do Manchester United, maior campeão inglês da história, como o palco do primeiro título do Leicester. No entanto, uma boa partida do time de Van Gaal estragou a festa planejada para o domingo. Mesmo assim, aquele ponto conquistado foi justamente o que permitiu aos jogadores, ao técnico, a cidade e a todos que simpatizaram com o conto de fadas do Leicester gritarem campeão no dia seguinte, assim que acabou o jogo entre Tottenham e Chelsea.
CHAMPIONS!!!! pic.twitter.com/pFtvo5XUNx
— Christian Fuchs (@FuchsOfficial) May 2, 2016
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