Se ainda não houve anúncio oficial, é apenas por uma mera questão de formalidade. A chegada de Jorge Sampaoli ao Sevilla acabou dependendo de outras duas movimentações: a rescisão de Laurent Blanc com o Paris Saint-Germain, que seguia atravancada, e a ida de Unai Emery ao clube francês. E, com os trâmites encaminhados, o próprio treinador argentino já fala como um rojiblanco. “Estou esperando que se oficialize a desvinculação para que a minha possa se tornar oficial. O Sevilla vai jogar a Supercopa Europeia, vai enfrentar Real Madrid e Barcelona, estará na Champions. É um sonho que eu sempre tive, jogar neste nível de competência”, declarou, em entrevista à rádio La Red.
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Sampaoli ocupa a lacuna de um dos melhores técnicos da Europa. O que Unai Emery fez na Andaluzia ao longo dos últimos anos é digno de muitos aplausos. Montou uma equipe sólida e competitiva, que pode não ter demonstrado grande regularidade no Campeonato Espanhol, mas faturou o inédito tricampeonato na Liga Europa. Um feito suficiente para colocá-lo como o maior treinador da história dos rojiblancos. Sampaoli chega com um estilo diferente, embora também bastante aclamado. Mais do que o tetra da Liga Europa, deverá buscar uma campanha digna rumo aos mata-matas da Champions. Enquanto isso, o desafio será o impacto de sua postura ofensiva diante da caminhada por 38 rodadas no Espanhol.
Depois de ter firmado um pré-acordo com o Granada, Sampaoli optou por virar as costas aos andaluzes e seguir aos rivais do Sevilla. Pode-se discutir os princípios em jogo na decisão, mas, desportivamente, não há dúvidas de que o argentino acabou fazendo a melhor escolha. Além de competir em um nível mais alto, os rojiblancos poderão oferecer mais recursos para que o técnico molde o elenco ao seu estilo. Não à toa, as primeiras especulações no mercado ganham força. Homem de confiança em seus trabalhos no Chile, Eduardo Vargas já teria sido sondado. Enquanto isso, o grande nome na mira para chegar ao Ramón Sánchez-Pizjuán é o de Hatem Ben Arfa, após temporada estupenda com o Nice.
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No Sevilla, Sampaoli lidará com um ambiente diferente daquele que teve em seus dois principais trabalhos. A base de seu time já estava montada na Universidad de Chile, fazendo contratações pontuais e moldando a mentalidade do time para conseguir impacto logo nos primeiros meses. Já na seleção chilena, o treinador veio como bombeiro diante dos riscos nas Eliminatórias, mas se valeu justamente da equipe anterior como partida de seu sucesso. Agora, tudo será novo na Andaluzia. E sob os riscos de perder algumas peças importantes, em especial Grzegorz Krychowiak, o ponto de equilíbrio no time atual dos rojiblancos. Ao menos poderá seguir trabalhando ao lado de Monchi, o referendado diretor esportivo que é considerado o responsável pelas seguidas reconstruções do elenco espanhol.
Estudioso assumido de Marcelo Bielsa, Sampaoli de certa forma segue os passos de seu compatriota. Após deixar a seleção chilena, vai à Espanha, assumir um clube tradicional, de bons recursos financeiros e grande torcida. O Sevilla até oferece mais possibilidades que o Athletic Bilbao, não apenas pelas contratações sem limitações, mas também pela presença na Champions. Exceção feita à campanha do vice-campeonato na Liga Europa, a passagem de Bielsa pelo País Basco não teve outros resultados fora da curva, apesar do legado inegável na formação de alguns jogadores. E a consciência maior de Sampaoli sobre os seus próprios riscos, sem se expor tanto, vai ser tão fundamental quanto a gestão de elenco nestes primeiros meses.
A missão, por todas as expectativas, não será pequena. Competência não falta. Mas Sampaoli precisará trabalhar duro para alcançar o sucesso em uma nova realidade, até porque o seu parâmetro de comparação com o antecessor será altíssimo. Será interessante, principalmente, observar qual a postura dos andaluzes nos confrontos com Atlético de Madrid, Barcelona e Real Madrid – este, seu adversário já na Supercopa Europeia. Para quem vê de longe, vale o interesse. Mas não é de se estranhar também a empolgação dos rojiblancos. Que Unai Emery deixará saudades, não há dúvidas, mas o clube ainda conseguiu fechar com um dos melhores nomes disponíveis no mercado, e que ainda renova as ambições depois de três temporadas de muitas glórias no Ramón Sánchez-Pizjuán.



