
A conversa independentista voltou a ganhar força na Catalunha. A coalizão separatista venceu as eleições regionais, conquistando maioria absoluta dos assentos no Parlamento da Catalunha (72 de 135) na votação do fim do mês passado, e voltou a colocar em pauta a independência da região em relação à Espanha. Naturalmente, as especulações sobre o futuro do Barcelona tomaram as discussões esportivas. Javier Tebas, presidente de La Liga, afirmou que, em caso de separação da Catalunha, o clube não poderia disputar o Campeonato Espanhol. Neste cenário, talvez o Barça tenha ganhado uma alternativa: a França.
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Nesta terça-feira, o primeiro ministro francês Manuel Valls abriu as portas da Ligue 1 para o Barcelona em caso de exclusão do clube após uma hipotética independência da Catalunha. Em entrevista à revista Challenges, usou o exemplo do Principado de Mônaco para defender uma possível inserção dos catalães no Campeonato Francês. “Considerando tudo, o Monaco joga na liga francesa, então…”, comparou.
“Quando eu era adolescente, em agosto de 1975, umas semanas antes da morte de Franco, eu me lembro da atmosfera impressionante dentro do estádio (Camp Nou). A história do Barça não é apenas ligada ao futebo. Sou um grande fã de futebol, do Barça, eles estão no meu sangue. Os franceses sabem disso e me perguntam sobre isso nas ruas”, contou o primeiro ministro.
Apesar de meramente hipotética, a posição de Manuel Valls em relação à possibilidade de o Barcelona disputar a Ligue 1 é uma alternativa interessante para o clube, se for levado em conta o cenário em que a Catalunha se tornasse mesmo independente (ainda que mesmo esta conjuntura seja difícil, afinal a coalizão separatista não conseguiu a maioria absoluta de votos necessária para ganhar a consulta popular).
Isso porque, disputando, em teoria, uma liga catalã, qual seria o nível em que o time seria constantemente testado? Quanto tempo levaria para o time conquistar uma vaga em torneios europeus? Mais do que isso: seria possível? Jogar no Campeonato Francês, por outro lado, seria uma boa alternativa para manter a competitividade, ainda que em menor grau do que acontece na Espanha, e ainda haveria a possibilidade garantida de conseguir vagas nos torneios continentais.
Tudo isso está apenas no campo da imaginação, e é bem possível que o convite de Manuel Valls nunca precise ser discutido, mas se uma figura de seu porte deu tal declaração publicamente, podemos esperar mais capítulos dessa história vindo por aí a médio prazo, ainda que todas com o mesmo caráter especulativo da fala do primeiro ministro francês.



