O “olé” dos torcedores Bayern na noite eterna do Camp Nou

No primeiro jogo, o futebol que o Bayern jogou já foi algo histórico. O resultado também: golear um time magistral como o Barcelona por 4 a 0. Só que foi além disso. O jogo de volta, nesta quarta-feira, foi ainda mais impressionante. A virada do Barcelona não era impossível na teoria, mas na prática era quase isso. E ao final do confronto, o cenário era de pós-guerra. Parecia que os alemães fizeram uma Blitzkrieg na Catalunha. Os 3 a 0 em pleno estádio blaugrane ainda ficou barato. Foi perda total, daquelas que o seguro nem discute.
A torcida do Bayern, pouco mais de três mil pessoas, começou a gritar “olé” em pleno Camp Nou, enquanto via seu time colocar o Barcelona histórico na roda. O incrível time da posse de bola avassaladora foi varrido. Não marcou um só gol em dois jogos e tomou sete. Em nenhum momento do jogo houve qualquer coisa parecida com aquele Barcelona que massacrava adversários e que fez do Manchester United um Levante qualquer em uma final de Liga dos Campeões. Aquele Barcelona não apareceu. Desta vez, foi o Bayern que fez do Barcelona um Hoffenheim qualquer. Goleou no placar agregado como fez com tanta frequência em 2012.
O olé no Camp Nou é histórico. Porque até então, os times que eliminaram o Barça na Liga dos Campeões desde a ascensão de Messi, em 2008/09, sempre o fizeram sofrendo e tomando pressão. Não há aquela discussão sobre quem mereceu o jogo, sobre uma defesa bem postada e aqueles debates acalorados sobre merecimento. O Bayern foi muito melhor indiscutivelmente nos dois jogos em tudo que é possível. O Barcelona, quem diria, tomou uma paulada como se acostumou a dar nos adversários.
O “olé” é um momento de catarse do torcedor. É aquela galhofa autêntica, desbocada, debochada. Nada de racismo, homofobia, só aquela farra na casa do adversário, fazendo em três mil mais barulho que os outros 90 mil. O futebol precisa desses momentos. Poder gritar olé contra um dos maiores times que já se viu no mundo é um privilégio de poucos que os torcedores do Bayern não podiam perder a chance. E o fizeram como tem que ser. Não terá um torcedor do Bayern triste e essa noite não acabará mais. Esses torcedores no Camp Nou poderão contar aos seus netos que viram o seu time demolir o Barcelona de Messi. Não importa que ele não jogou o segundo jogo.
Os torcedores do Barcelona sofrerão com esse resultado muito tempo, mas possivelmente o time se remontará. É forte, tem estilo, tem craques e deve estar nas fases decisivas de novo ano que vem. Não tão favorito e tão temido quanto nos anos anteriores, porque seus defeitos foram expostos, seu nível não parece mais de outro mundo. Mas seguirá sendo forte. Quantos times conseguem ser páreo para o Barcelona? São poucos. Só mesmo esses que chegam longe na Liga dos Campeões.
Não significa que estamos vendo o fim de uma dinastia do Barcelona e o início de uma nova era com o Bayern como força dominante. Serve como metonímia, mas não pode ser usado como uma análise definitiva sobre o futebol de Espanhol e Alemanha. Para se falar em fim de uma era e começo de outra é preciso tempo. Será preciso repetição, constância. Por enquanto, as semifinais da Liga dos Campeões são apenas a vitória de Bayern e Dortmund sobre Barcelona e Real Madrid. Nada mais do que isso.



